Sobre autores e personagens

Talvez, só talvez a vida seja isso mesmo… Um emaranhado de desejos e vontades e sonhos que apenas existem pra nos mostrar que há um limite.
Talvez a vida seja isso mesmo… Um eterno comparar de realidades em que nós nos perdemos imaginando “como seria se” e agradecendo “por não ser pior”.
Em tudo o que vivemos existe esse limbo, da insatisfação pelo que não temos, pelo que sabemos que nunca vamos ter e a gratidão pelo que não precisamos viver, nos submeter, pelo que escapamos dessa vez.
Sim… insatisfação pelo que sabemos que nunca vamos ter, pois apesar do que nos dizem, do que nos contam as línguas otimistas, nem tudo seremos capazes, nem tudo alcançaremos, alguns sonhos existem apenas para serem sonhados, mesmo que mudemos seu nome para metas e objetivos, alguns destes existem somente para nossa íntima frustração.
E tudo bem…
Tudo bem?
Tudo bem na conformidade de sabermos e entendermos que cada um tem um papel. Parece que o destino (Deus, talvez?) já escreve nossa história desde sempre e, para alguns as páginas vem com mais céu azul, com mais natureza, mas risadas, mais oportunidades, menos preocupações, pelo menos com o que é básico na vida da maioria. Para alguns há tempo, não há relógio soprando o passar das horas com tanto rigor e nem o peso de decisões diárias que roubam pouco a pouco a alegria do dia.
Só para alguns, as páginas estão repletas de lado B, de opõçes, de caminhos infinitos… E para outros, a maioria, parece que o destino (Deus, talvez?) caiu na monotonia do escritor enfadonho e apenas repetiu as frases que ocupam as linhas, sem a criatividade ou a generosidade que teve com os protagonistas, fazendo a grande massa apenas espectadora, por vezes sonhadora por vezes esmagada pela realidade das páginas preenchidas com mais do mesmo e permeada pelo tal limbo citado acima.
Quando a menta questiona muito o coração fica confuso, o peito pesa e a mente voa… Voa nas possibilidades que o pensamento traz mas se aprisiona ao encarar a verdade absoluta de que talvez, talvez a vida seja isso mesmo…

Raquel Núbia

2020-06-03
Foto: @eubrunolopez – Muriaé/MG

Sem razão ou por que

Será que as pessoas já pararam para pensar na quantidade de esforço que é necessário para manter o foco, a energia e o estado de espírito elevado? Quando paro pra pensar, mas pensar de verdade, numa análise quase absurda, em detalhes dos motivos pelos quais fazemos o que fazemos, a conclusão inevitável é de que nada faz sentido e nada importa.
O que tem valor hoje, no mundo que vivemos, só tem porque um dia alguém disse que tinha. O que é considerado importante, também segue o mesmo padrão de definição. Então quando paramos e nos perguntamos o porque das coisas, vemos que estamos como hasmters correndo em uma roda que gira e gira sem chegar a lugar nenhum.
O mundo tem sido um lugar estranho (independente da pandemia), um lugar em que as coisas, por vezes, parecem invertidas. Em que pessoas boas sofrem e pessoas de caráter duvidoso tem êxito… Por isso, no início eu disse que é necessário muito esforço para se manter positivo e persistente, porque todas as indicações e avisos nos dizem para fazer o contrário.
A gente usa muita energia pra manter o olhar voltado pro que é bom e isso nem sempre é fácil, ainda mais quando a gente perde um pouco o significado do que porque manter esse olhar…

Raquel Núbia

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Foto: @raquel__nubia – Muriaé/MG

Da janela

Tenho visto a vida
Passar pela janela.
Tenho visto a manhã clarear
E tudo o que vem com ela.

Da janela eu vejo gente,
Vejo carros e vida a passar.
Cada um com seu destino,
Na pressa de seu caminhar.

Minhas horas, que hoje eu conto,
Passam de forma diferente.
É da janela que os ponteiros somam,
Ao passar de tanta gente.

Da janela eu vejo a tarde,
Que vira noite, impiedosa.
E depois são madrugadas
Que são sempre melindrosas.

Da janela eu observo,
Pois o que me cabe é solidão.
De acompanhada estar só
E ver bater fora de mim, meu coração.

Raquel Núbia

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Foto: Raquel Núbia

Tácito

Tem dia que o coração fica calado,
E cala também a vontade de querer.
E quando tudo fica assim, silenciado,
Acha difícil achar motivo pra bater.

O tempo pode roubar o que cuidamos,
E maquiar o sentimento tão bonito.
Mesmo calados, seguimos e esperamos,
Um outro dia, com mais palavras, menos aflito.

Uma atitude, derruba tudo em um rompante.
E nem mil palavras poderão recuperar.
Pois o que se perde em um só instante,
Pela mágoa causada, pode nunca mais voltar.

A noite traz o brilho da estrela lá no céu.
Mas em breve o sol é quem vai iluminar.
Então escrevo o meu silêncio no papel,
Para que ele não consiga me sufocar.

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Foto: Raquel Núbia – Rio das Ostras/RJ

Raquel Núbia

Relembrando: Nó

Para que o domingo não passe em branco, compartilho mais um post feito a exatos 365 dias e originalmente publicado aqui, pois a crônica em que estou trabalhando ainda está no papel e sem final… Esse cotidiano sendo, como sempre, barreira para nossos desejos, não é?

Nó na garganta.jpg
Imagem: favim.com

Mais um trecho que gosto muito:

“Não importa o quanto façamos, algumas pessoas simplesmente não nos veem como pessoas boas e inventam para si uma imagem baseada em sua própria criatividade e não fatos por mais claros que eles sejam.”

Me deixem saber se vocês gostam dessa tag “relembrando”, se querem que ela continue ou não, OK?

Bom domingo.

Abraços,

Raquel Núbia

 

Meu coração

Meu coração já bate apertado
Chorando os dias que estão por vir.
Você longe e não do meu lado,
Eu distante e sozinha aqui.

Meu coração bate ciumento
Por saber que há outro alguém
Que vai dividir cada momento,
Enquanto eu fico sem ninguém.

Meu coração bate angustiado
E pulsando o que não quer pulsar.
Por saber que o meu menino amado
Em outros braços vai se aconchegar.

Meu coração bate de teimoso
Porque motivo não há pra bater.
Se quem ele guarda, tão precioso,
Quando mais precisa, não pode ter.

Alto Caparaó (10)
Foto: Raquel Núbia – Alto Caparaó/MG

Raquel Núbia

Dia 03

Depois de tantos dias carregando essa caderneta na bolsa, junto com a minha caneta roxa, enfim senti a urgência de preencher suas páginas. Todo dia olhando pra ela ocupando um espaço na minha bolsa e pensando que deveria liberar um canto deixando-a sobre a mesa do escritório em casa mas, ao mesmo tempo, com aquela vozinha: “deixa ela aí, vai que você precisa”.
E não é que essa vozinha estava mesmo certa?
Hoje falou mais alto a necessidade de dedilhar palavras desenhadas a mão e descarregar o que quer que seja que ajude de alguma forma a aliviar o peito. Ainda é tão cedo e eu já falei com Deus tantas vezes hoje… Chamando em segredo e em silêncio pelo amparo nos assuntos mais guardados que se pode ter.
Vez ou outra vem de dentro um sentimento em ebulição que ás vezes esfria e outrora transborda. São tantos os pensamentos recorrentes que, de repente, eles acorrentam e levam para o fundo de um oceano turvo.
Quando menos se espera o toque do telefone me desperta e me devolve à superfície.
E então, outro problema… O que essa superfície traz? O que guarda e o que proporciona?
Sinto falta de ficar quieta, de não ouvir o telefone tocar, de não ter que escolher tantas coisas, tantas pessoas. Falta de não ter que saber de tudo ou de planejar, ainda no dia 03, o que acontecerá no dia 25.
Tem hora que parece…

dia 03
Foto: Raquel Núbia

Raquel Núbia

Tempo

E quantas vezes mais
ainda vou me sentir calar
quando, por dentro,
um silêncio não demora a me sufocar?

Quantas vezes ainda
vou ficar querendo ir,
sentindo o corpo paralisado,
me sentindo parar de sentir?

Quanto tempo falta
pra poder ir onde e quando quiser?
Pro coração bater aliviado
e não se entristecer com coisa qualquer?

E quanto tempo mais
haverá essa intensa briga,
entre coração e pensamento,
onde a mente teimosa e dura
se sobrepõe ao sentimento?

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Foto: Raquel Núbia

Raquel Núbia