Aleivoso

Sei lá…
De repente,
todas as pessoas parecem iguais.
Em fotos e sorrisos tão irreais.
Transparecendo tão desbotadas,
em olhos vibrantes o desejo
do que quer ser.

Sei lá…
De repente,
fica tudo sem graça.
E não importa o que eu faça,
transborda um incômodo
dentro do peito e uma vontade
desaparecer.

Sei lá…
De repente
o errado sou eu.
Por me lembrar do que já se perdeu,
transportando o que eu vejo
para um lugar aonde as pessoas
não estão mais.

Sei lá…
De repente
ninguém está errado.
Só está cada um para um lado,
transmitindo o que acham
que sentem ou devem sentir
e isso satisfaz.

Sei lá…
De repente
não saber é o que resta.
E a vida do outro seja somente festa,
transpassando em uma linha de tempo
que é apenas
inacreditável.

Sei lá…
De repente
a cabeça pode não lembrar.
E dará um tempo para descansar.
Transformando todas as imagens,
sorrisos e olhares que vejo,
em um monte de lixo:
irrecuperável.

Raquel Núbia

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Raquel Núbia. Foto: Leandro Oliveira – Tiradentes/MG
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Inconstância x Incoerência

Quantas pessoas cabem dentro da gente?
Quantas versões de nós mesmos podemos ser?
Quantas vezes ainda vamos mudar de ideia?
Quantas vezes ainda vamos nos surpreender?

Que se afaste de mim o desejo de me manter sempre na normalidade, estagnada, sem jamais passar por nenhuma alteração! A cada vez que o novo se apresenta, há uma nova chance de aprendizado, de amadurecimento e de mudança. E a cada vez que a repetição se apresenta, há uma chance de olhar de novo com um outro olhar… Reparar em detalhes que não havíamos percebido antes.
A mudança, às vezes, causa medo, mas até mesmo o enfrentar desse medo nos modifica. Acreditar que somos imutáveis é desacreditar na natureza humana. Jamais hei de pedir, exigir ou crer que as pessoas não mudam. Que sejam mudanças positivas ou negativas, elas acontecem.

Mas, cabe aqui um parêntese ou um parágrafo.

Mudança não implica em incoerência.
Ser incoerente é perder a harmonia entre os fatos e as ideias.
Posso deixar de gostar de lilás e me apaixonar pelo verde! Mas não posso amar o verde e reclamar da cor das florestas!

Mude sempre que quiser!
Mas mantenha a coerência nas suas escolhas, principalmente na relação entre o que você diz e o que faz, ainda que ninguém veja.
Faz bem ser singular e muitas vezes contraditório, mas não se perca no caminho – seja fiel a você mesma.

Raquel Núbia

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Foto: Raquel Núbia

Surpresa?

Não sei mais se consigo me impressionar com as pessoas.
Parece um tanto quanto categórico e extremo, mas sinto dizer que é verdade. Aliás, meia verdade… me impressiono sim, com a capacidade que tantas pessoas tem de manipular, mentir e enganar.
Não, não estou “amargurada”, nem sofri nenhuma decepção ou situação recente que estimulasse esse desapontamento. Apenas percebi mais uma vez que isso acontece.
Mas como pode acontecer?
Sempre que percebo esses comportamentos tento me convencer de que as coisas são assim. Algumas pessoas simplesmente não se importam, não tem caráter, não tem escrúpulos. Mas passado um tempo, esqueço tudo e volto a acreditar na bondade… e é sempre nessa hora que sou pega de surpresa novamente.
Tenho levado cada vez mais tempo para voltar a crer que as pessoas valem a pena… mas o que mais me aborrece é o fato de que essa espécie de “gente” se reproduz aos montes e com suas mentiras se unem de forma inabalável, se disseminando por todos os lados como uma praga enquanto as pessoas realmente boas são pressionadas a sucumbir a isso ou a se tornar uma minoria sem voz.
Sem falar naqueles que são cegos para o mundo externo e não conseguem ver como são marionetes…
Hoje não consigo encontrar palavras bonitas e esperançosas para encerrar meu pensamento, tomara que amanhã eu possa. Agora, tudo o que eu consigo pensar é que se o ser humano for bom e o ambiente for o responsável por corrompê-lo, estou/estamos perdidos!

Surpresa
Raquel Núbia