Pra ser poesia não precisa muito – parte 2

Bom sábado!

 

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Os tombos pelas estradas da vida

Passa dia, volta dia e vez ou outra o ponteiro cai de novo.
São horas a fio girando os pedais para fazer a roda girar mas depois das descidas à solto e das subidas difíceis as pernas adormecem e pedalar não é mais tão fácil assim.
Os pedais param e a bicicleta cai.
Sabe Deus quantas vezes esfregamos a poeira da roupa, sopramos os joelhos ralados e voltamos a nos equilibrar sabe se lá porque.
Mas em alguns dias os machucados doem mais e as penas simplesmente desobedecem. Não é que o corpo não segue as ordens da mente… É que até a cabeça quer parar.
Nessas horas nos recostamos na calçada e assistimos aos outros passarem, sozinhos, em bandos e imaginamos se vamos encontrar forças para alcança-los.
Assentados ali, num canto de asfalto, não há ninguém que compreenda porque paramos e há aqueles que ao nos verem tombar, optam por não enxergar, por não se envolver.
E então, sem mais nem menos, voltamos a pedalar… Sem vontade, sem esforço, seguindo um caminho que já está traçado. Evitando abrir novas trilhas. Afinal, sem desejo, pouco importa para onde vamos.
Seguimos apenas porque nos disseram que temos que ir.

Raquel Núbia

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Foto: Leandro Oliveira – Tiradentes/MG

 

Pressa

today is lifeSempre tive a sensação de que a vida acontecia fora de mim. De que tudo ocorre nos lugares onde não estou, com pessoas que não conheço, em lugares que nunca vi. Sinto constantemente que perco tempo. Que a vida passa sem que eu me dê conta.
Foi tão longo e penoso o período que vivi no escuro que hoje me sinto viciada na luz e não quero deixar que a vida passe pelos meus olhos, não quero apenas observa-la.
Não!
Eu quero tocá-la, senti-la, cheirá-la! Eu quero come-la inteira! Eu quero tudo! E agora eu sinto que devo querer! Eu sinto que posso! Então, como abrir os ouvidos e aquietar o peito quando me dizem que “pra tudo tem hora”?
Minha hora é agora!
Não sei até quando meus ouvidos terão o som de uma risada e a cor de um sorriso… Como posso dizer até quando as manhãs serão recomeços e não castigos? Quem vai me assegurar de que viver o presente continuará me parecendo uma dádiva e não uma punição? Quem?
Tenho aprendido tanto nos últimos meses que me surpreendo a cada dia com novos pensamentos e, principalmente, novas atitudes. Dando pra vida aquilo que eu quero receber dela.
Por que então parar? Por que manter essa energia voltada apenas para um local quando eu sinto que devo espalhar tudo por aí?
Hoje eu sei o significado da frase que diz que um dia as coisas melhoram, que a dor não dura pra sempre. A vida pulsa no meu peito AGORA. Que sentido há em esperar pra viver o agora depois?
A vida é hoje!
E hoje o que eu preciso é viver.

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Imagem: favim.com

Raquel Núbia