Eu sou mulher

A crônica, de minha autoria, que compartilho hoje, foi utilizada no vídeo Institucional em comemoração ao dia da mulher da Fundação Cristiano Varella – um dos maiores centros oncológicos do país, onde tenho a satisfação de trabalhar. Para conhecer mais da nossa instituição, ver nossos projetos e saber como ajudar, clique aqui.

Eu sou mulher.
Eu posso ser gentil, doce e compreensiva.
Eu posso ser assertiva, irônica e perspicaz.
Eu posso ser forte emocional e fisicamente
Ou posso ser sensível e emotiva.
Eu posso ter todos os pudores.
Ou não ter pudor nenhum.
Eu posso ser uma grande competidora no mercado de trabalho,
Liderar grandes equipes,
Gerenciar processos importantes
Ou posso fazer tudo isso cuidando da minha casa:
Liderando minha família
E gerenciado todas as rotinas do meu lar.
Eu posso ser vaidosa,
E gastar todo o meu dinheiro com coisas consideradas superficiais.
Ou posso não ligar para aparência,
E me sentir completa apenas sendo quem eu sou,
Do jeito que sou.
Eu posso gostar de estudar,
E ser extremamente inteligente.
Ou posso preferir me dedicar a outras coisas.
Eu posso ser magra.
Eu posso ser gorda.
Eu posso ser bonita do jeito que você quer.
Ou me sentir bonita do jeito que eu sou.
Eu posso sonhar em me casar de véu e grinalda,
Ou posso sonhar em viajar o mundo!
Ou… Posso querer casar de véu e grinalda
E viajar o mundo!
Eu posso planejar ter filhos,
Um filho,
Dois filhos,
Vários filhos!
Ou posso planejar não ter nenhum.
Eu posso ser sorridente, delicada.
Eu posso ser séria e agressiva.
Eu posso ser calma…
E agitada!
Eu posso gostar de homens
Ou posso gostar de mulheres.
Eu posso ser vegetariana, vegana e só tomar sucos naturais
E posso tomar cerveja e só comer fast food.
Eu posso ter um linguajar requintado
Ou posso falar palavrões.
Eu posso usar saias e vestidos,
Eu posso usar calças e shorts.
Eu posso querer não ficar com ninguém
Eu posso querer ficar com quem eu quiser.
Eu posso gerar o amor
Mas também posso sentir raiva.
Eu posso ficar estressada
E nem sempre vai ser por causa de TPM!
Eu posso ser mãe,
Filha,
Esposa,
Irmã,
Sobrinha,
Prima,
Amiga.
Eu sou mulher
E posso ser o que eu quiser.

Raquel Núbia

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Raquel Núbia. Foto: Leandro Oliveira – Búzio/RJ

 

 

Proelium

Viver. Verbo intransitivo: ter vida, estar com vida.
Viver. Transitivo direto e intransitivo: aproveitar (a vida) no que ela tem de melhor”.
É muito errado querer viver?
Pois sinto que, na maioria do tempo, apenas existimos e às vezes, somente existir não é o bastante.
Talvez existam níveis de “viver” em que algumas poucas pessoas vivem o tempo todo, outro grupo viva de vez em quando e uma outra parte apenas exista sem direito a vida.
Talvez apenas existimos por tanto tempo que, quando nos é dada a oportunidade de viver, simplesmente não conseguimos descobrir como fazer para aproveitá-la ao máximo e, nessa busca por desfrutar desses raros momentos de vida, a pressa é tanta que o tempo escorre entre os ponteiros do relógio.
Quem escolhe quem vive e quem existe?
A quem devemos recorrer para trocar de grupo?
O peso dessa herança é tão descomunal para aqueles que percebem o abismo que há entre viver e existir que, frente a impossibilidade de viver plenamente, nem sempre há desejo de se manter existindo.
Talvez viver não seja um privilégio de todos, mas sim um prêmio dado a poucos. Um prêmio que não está ligado à merecimento, mérito ou recompensa, mas apenas a uma divisão aleatória da qual se encarrega o universo.

Raquel Núbia

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Raquel Núbia. Foto: Leandro Oliveira – Barra de São João/RJ

 

 

 

Comedimento

Por que é tão difícil se manter firme em uma decisão quando se sabe tão claramente o que é certo e o que é errado?
E quem foi que disse o que é certo e o que não é?
Ah… essa mania de querer criar justificativa para o que não se justifica…
O que é errado não deixa de ser errado só porque de algum modo é ou foi bom.

Raquel Núbia

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Foto: Raquel Núbia. Tiradentes/MG

Desencanto

Hoje, de repente, me bateu aquela saudade de escrever…
Mas não escrever abrindo uma tela em branco e escolhendo teclas e sim escrever com uma velha caneta, num caderno, numa folha, num rascunho, num espaço qualquer. Tecendo as letras uma a uma numa grafia atrapalhada, dispensando no papel tudo o que fica passeando pela cabeça e que fica agarrado no coração e na memória.
Tempo atrás escrevi sobre a importância de conseguir escrever sem rascunhar, mas hoje me pego refletindo o que esse momento do rascunho significa.
O momento vivido no silêncio interrompido somente pelo toque da caneta no papel era aquele só meu, de mais ninguém, e só depois, às vezes bem depois mesmo, é que eu decidia se esse momento seria de mais alguém.
Complicado transformar sonhos em realidade… E hoje me sinto estranhamente lidando com a sensação de que devo satisfação pela ausência ou presença das minhas produções… Uma cobrança que vem justamente daquele conteúdo que fica passeando pela cabeça e que fica agarrado no coração e na memória.
Talvez, ao se tornar realidade, os sonhos percam seu conteúdo de fantasia, e passem a ser só mais alguma coisa do dia. Talvez por isso me venha a saudade de escrever, escrever de verdade, com a minha verdade.

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(Raquel Núbia – Foto: Leandro Oliveira / Petrópolis – RJ)

Raquel Núbia

Promissão

Eu proponho uma vida nova.
Uma vida em que nós não sejamos dependentes de uma imagem ou de uma atualização, em que nós não sejamos compelidos a tomar notícia do que prende nosso peito e descompensa nosso coração e em que nós não desejemos ver no outro a justiça que não cabe a nós.
Eu proponho uma vida nova.
Uma vida em que nós não ocupemos nossa memória com vozes, rostos e palavras que não nos dizem nada, que apenas nos assombram e retorcem nossas entranhas e sufocam o nosso respirar.
Eu, pelo menos, preciso me obrigar a essa vida nova.
Onde eu não me force a superar o que ou quem não está apto ou não vale o combate, a resposta, nem sequer o pensamento. Precisamos nos forçar ao esquecimento do que nunca deveria ter se tornado memória.
Isso é necessário.

Raquel Núbia

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Foto: Raquel Núbia – Alto Caparaó/MG

Estouro

Quem, por vontade própria, deseja se apaixonar?
Entregar o peito aberto para outra mão cuidar.
Colocar o coração pulsando sem nada a proteger
E esperar que nada de mal irá lhe acontecer.

Quem, em consciência, opta por essa insanidade?
De se deixar exposto em toda sua fragilidade.
Revelar profundamente o que sempre foi guardado,
Se mostrar inteiramente, de um modo inesperado.

Qual o tamanho dessa loucura?
Que tantos outros estão a procura.
Entregar a arma que pode tirar a vida
E confiar que quem a guarda é uma mão amiga.

Qual o sentido desse sentimento?
Que de tanto senti-lo se faz tormento.
É estar nua de todas as defesas.
Deixar n’outro domínio, alegria, tristezas.

Quem por vontade própria, deseja se apaixonar?
E se já entrelaçado, como se desvencilhar?
O peito que pulsa, insano, sem proteção.
Esperando cuidado do outro… Pobre coração.

Estouro

Raquel Núbia

You leave me

You leave me with no choice
even I know you’re not perfect at all
I feel my warming body when I hear your voice
and I know that you would use me like a baby doll

The days are passing one after the other
and for a million of this days you’re totally forgotten
but one sound or phone call is just enough
to take my breath and get me to bother

And after this I’m just a body with no soul
because I remember you and of your smile just to glow
you’re just the most wrong person that I ever met
And I can’t help think of you instead

You’re smile and your eyes keeping me on a prision
I hate to let me get overwhelmed by this vision
I feel all this pressure on my body
Because in my soul I want to follow you and get it

you leave me

Raquel Núbia