Sobre o que deixamos pelo caminho

Acho que é inevitável, sempre que estamos passando por alguma mudança, algum momento decisivo ou fazendo grandes reflexões, fica impossível não olhar pra trás e se lembrar das coisas importantes que nos guiaram até onde estamos.
Algumas coisas parece que vivemos ontem, mas quando refletimos, vemos que já se passaram tantos anos e nós nem havíamos percebido. Como o tempo passa! Entretanto algumas coisas são marcantes de mais pra ficar no passado e, de um maneira ou de outra, as trazemos conosco pra onde quer que vamos. Sejam boas ou ruins.
As boas atuam como um lembrete de que, no fim, tudo vai ficar bem. E as ruins atuam como um estímulo que não nos deixam esquecer que algumas pessoas duvidam de nós, usam nosso nome em suas fantasias, nos abandonam, nos usam como peças em seus jogos particulares, nos atacam por não conseguirem lidar com suas próprias derrotas e fraquezas mas mesmo assim, cá estamos nós, não é mesmo?
Com alguns cortes e cicatrizes emocionais.
Guardando aquelas frases e coisas que ouvimos e vivemos há tanto tempo e que estão cravadas, pulsando por uma oportunidade de resposta que nunca virá, pois o momento de revidar já passou.
A gente segue vivendo coletando pelo caminho as experiências que vivemos. Guardando essas conchas de memórias numa sacola que às vezes fica muito cheia e precisa ser esvaziada, então escolhemos algumas conchas pra deixar pra trás, mas o tempo em que elas ficaram na nossa sacola é suficiente pra deixar marcas.
Então não nos esquecemos, apenas aprendemos a forma certa de nos lembrar.

Raquel Núbia

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Foto: Raquel Núbia. Muriaé/MG
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Efeito

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Foto: favim.com

Parece que estou com um choro preso na garganta…
Alguma emoção está entalada e ameaça ora ser engolida, ora explodir.
Parece que estou com frio na barriga…
Alguma sensação que não decidiu se vai ou se fica, se fica ou se vai sair.
Parece que estou com a cabeça nas nuvens…
Alguns pensamentos vagando sem rumo, que não sabem se me fazem chorar ou sorrir.
Parece que estou com o coração sem controle…
Deixando escapar das minhas mãos todo o poder de poder decidir.
E esse choro preso,
Esse frio constante,
A cabeça nas nuvens,
O coração inconstante,
Me traz o desejo de um lugar isolado,
Onde eu consiga o momento tão aguardado,
Em que a fúria do pensamento fique calada,
E a garganta desfaça esse nó que a mantém sufocada.

Passam minutos, horas, se vai mais um dia.
Mais um turbilhão, não há calmaria.
E em meio a desordem eu faço uma prece,
“que mude o que sinto, ou o que esse sentir me parece”.

Raquel Núbia