Empatia

É incômodo perceber como algumas coisas óbvias não são consideradas no nosso cotidiano, como conseguimos nos esquecer de princípios básicos que facilitam e guiam a convivência com nosso pares sendo amigos próximos ou não.
Já fazem algumas semanas em que eu me peguei pensando nisso e hoje, novamente, isso me veio à cabeça quase como um grito de revolta. Por isso me senti compelida a rascunhar pretensamente as orações que se seguem e espero, de verdade, que elas levem as pessoas, uma que seja, à reflexão:
– Ao abrir uma porta, peça licença.
Seja uma porta física ou simbólica. Não invada o espaço do outro, qualquer que seja, sem antes pedir autorização para entrar.
– Ao se queixar, seja assertivo.
Quando for relatar um problema alguém, vá direto ao ponto, critique a situação em si e busque melhorias. Não procure culpa ou culpados. E, principalmente, não desmereça um histórico de trabalho e ações por um tropeço.
– Ao se colocar, pense no outro.
Defendo sempre a necessidade de nos colocarmos como prioridade, mas isso não implica em desconsiderar o outro, quem nos cerca. Pense! Se você está triste, cansado, estressado, nervoso, angustiado, o outro também pode estar, no mesmo momento. O fato desse outro não falar nada ou não demonstrar, não significa que ele não sente, apenas que sente e demonstra de maneira diferente da sua. E quem disse que há maneira certa?
– Ao pedir atenção, tenha moderação.
Você pode sim deixar claro para quem te importa que gosta e aprecia companhia e que a atenção é importante. Mas tenha cautela para não se tornar um fardo que o outro carrega, uma obrigação a ser cumprida, pois laços forçados não são laços, são nós.
Certamente poderia continuar listando inúmeros outros itens, mas esse não é o intuito, não há necessidade de me prolongar, pois acho que todos já compreenderam aonde quero chegar. A empatia precisa deixar de ser uma palavra vazia ou um conceito utilizado somente com estranhos em situações extremas.
Se coloque sim em primeiro lugar, mas lembre-se que você não está sozinho e sim cercado por uma multidão que não tem a menor obrigação de pensar, ser e sentir como você.

Raquel Núbia

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Foto: Raquel Núbia
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Sobre a realidade

Tem dia em que a gente acorda querendo ser e fazer tudo… E num mesmo instante se questiona o quanto mais deveria seguir.
Porque também há momentos em que a gente não quer ser nem fazer nada, apenas viver toda a realidade que há pra se viver, sem se ater a todas essas realidades fantasiadas que criaram pra nós e que nós, de bom grado, aceitamos.
Eu não sei mais se quero continuar com essas minhas realidades virtuais… Às vezes parece que elas me absorvem tanto que perco um pouco da motivação.
Na verdade esse é um quesitonamento recorrente pra mim e toda vez que ela aparece o que me segura são os resultados que conquistei até aqui: Será que consigo mesmo deixar tudo pra trás? Tudo o que me levou tanto tempo e dedicação para conseguir?
E deixar pra trás justamente quando está dando tudo tão certo?
Será essa a sensação de chegar ao final do arco íris e não saber o que fazer com o pote de outro?
E será que esse é mesmo o final do arco íris?
Eu não sei.
Mas sabe o que sei?
Sei que, se é para sofrer de ansiedade, que seja por motivos reais e não por posts e números.
Mas então entra outra questão: O que é e o que não é real?
Acho que a pergunta correta é “o quão relevante são essas realidades”.
Eu não sei se foi o que pensei antes de dormir ou se foi o que sonhei… Mas hoje eu acordei no dia em que não quero ter a necessidade de ser algo ou alguém, nem ter nada nem ninguém.
Apenas ser alguém que tem a si mesmo.

Raquel Núbia

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Raquel Núbia. Foto: Leandro Oliveira

Reviravolta

black-and-white-delicate-dress-girl-windy-Favim.com-41777 Num dia tudo caminha…
As mesmas alegrias, as mesmas tristezas, as mesmas emoções.
Tudo segue bem, prossegue na normalidade, na calmaria, até que…
Até que o peito dispara.
Até que os olhos saltam.
Até que a mente acelera.
Até que os pensamentos viajam sem controle.
Se perde a fome,
Se perde o sossego,
Se perde o sono,
Se perde,
Perde a si.
A vida tem dessas… Marota que é, fica à espreita aguardando o melhor momento para tirar da rota tudo que estava tão resolvido. Coloca tudo em uma corda bamba que samba pra lá e pra cá… Que exige aquele equilíbrio que não se sabe onde escondeu, que pede aquela calma e aquele jeito faceiro de dar a volta por cima, respirar fundo, ignorar o perigo da queda, se focar no objetivo e seguir em frente sem olhar pra trás, muito menos para os lados.
Por que é tão difícil tomar uma decisão quando já se sabe a resposta antes mesmo de ouvir a pergunta?
O certo sempre será certo. Mas e o errado, se pode consertar?

Raquel Núbia

Ser feliz ou ter dinheiro?

No momento social que vivemos hoje, a questão me parece ser somente essa: ser feliz ou ter dinheiro?
Trabalhamos dia após dia para garantirmos o suprimento de nossas necessidades básicas e trabalhamos mais um pouco buscando suprir outras necessidades nem tão básicas assim… Entretanto, nisso tudo há uma situação contraditória e mais comum do que deveria.
Passamos a maior parte dos nossos dias no trabalho, e quando temos tempo livre para desfrutarmos do que conseguimos com ele, estamos tão exaustos – física e psicologicamente – que não encontramos energia para fazer o que tínhamos planejado enquanto trabalhávamos…
Algumas vezes nos questionamos, outras temos certeza de que o melhor a fazer seria diminuir o ritmo, mudar de área, parar um pouco, mesmo que isso signifique que perderemos o poder de realização de algumas daquelas necessidades supérfulas que falei anteriormente… Mas o medo parece paralisante ao pensarmos nisso:
“E se eu precisar do dinheiro que ganho? E se houver uma emergência? E se eu conseguir um tempinho extra? Daqui uns meses eu tiro férias… Vou tirar uns dias de folga depois que entregar aquele trabalho importante”.
Será que realmente levamos a sério os nossos desejos?
Tudo passa e, por mais que soe clichê, ninguém é insubstituível…
Dessa forma nossos dias estão passando enquanto nos ocupamos cada vez mais hoje, planejando um futuro que não chega nunca. Nos entregamos às rotinas acreditando que somos vitais quando na verdade deixamos de lado coisas e pessoas que jamais nos substituiriam…

Ser feliz ou ter dinheiro
imagem encontrada na internet

Raquel Núbia