Das convenções do cotidiano

Desde que engravidei tenho tido muitos aprendizados sobre coisas que ninguém fala a respeito da gravidez em si. Geralmente o que a gente escuta se refere às maravilhas das experiências de gestante e de como todos os obstáculos valem a pena quando seu bebê nasce.
Mas… Não é bem assim. E algumas situações que tenho vivido demonstram bem como algumas pessoas tem a tendência de romantizar situações que são ruins como se isso enaltecesse o fato de termos conseguido supera-las, como se somente sofrendo fôssemos capazes de ser recompensados, como se não houvesse “final feliz” sem um caminho tortuoso e que esse caminho é justificável, afinal do outro lado nos espera uma grande realização.
Eu discordo totalmente!
Outro dia me disseram que sentirei falta dos enjoos e vômitos diários pelos quais passei nos três meses de gestação. Me desculpe, mas não sentirei não!
Me disseram que as dores nas costas são apenas um sinal de que o bebê está crescendo… Eu sei, mas essas dores doem!
O que é ruim é real e eu não vejo motivos para amenizar o que me incomoda como justificativa para ser feliz ao final dos 9 meses. Tem muita coisa boa nesse processo, muita mesmo! Mas tem muita coisa ruim também…
Essa romantização tende a nos fazer aceitar situações que não precisamos aceitar e esses exemplos que citei acima relacionados a gestação são apenas um recorte.
Nos dizem que aceitar mal humor do chefe é normal, que nos submeter a tradições familiares com as quais não concordamos é normal… mas não é. Não é normal, sofrer pelos desajeitos do namorado, dos pais. Não é normal sentir dores de cabeça, nas costas, tomar remédios para suportar a ansiedade e a pressão do trabalho. Simplesmente não é.
Não podemos crer que seja. Precisamos saber o valor e o custo real das coisas e das situações para não nos subordinarmos ao que é desnecessário e ao que custa nossa saúde física ou mental.
Analise.
Preste atenção.
E não se submeta.

Raquel Núbia

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Das dores que só a gente sente

Em 15 dias tive dois processos inflamatórios na garganta. Em 17 dias foram 13 dias de antibióticos e ainda faltam 7. Tudo isso porque parece que a primeira leva de medicação não foi forte o suficiente para combater a infecção e isso só fez com que a recidiva esteja sendo ainda mais forte do que a primeira vez.
Enfim. Esse resumo todo apenas para chegar no ponto da questão.
Quem convive próximo a mim tem ouvido algumas reclamações e, dependendo do dia, muitas reclamações sobre as dores que tenho sentido devido às febres que vão e vem e devido a própria inflamação que dói o tempo todo.
Algumas escutam, outras não.
Algumas se importam, outras não.
Algumas acreditam, outras não.
E tudo isso simplesmente porque por mais que eu fale e explique a dor que tenho sentido, quem escuta apenas escuta, mas quem sente sou eu.
E não é assim como todas as nossas outras dores?
Por mais que possamos detalhar aonde, porque e o quanto doi, a sensação é exclusiva de quem sente e cabe ao outro somente acolher ou não. Apoiar ou não. Cuidar ou não. Acreditar ou não.
Desejo que sejamos sensíveis as dores alheias pois, chega uma hora que quem sofre se cansa de repetir o motivo e de lembrar ao outro constantemente o motivo de se sentir limitado, desanimado, cansado e até mesmo mal humorado…
Desejo que sejamos sensíveis às dores alheias assim como esperamos que sejam com as nossas.

Raquel Núbia

Editada no Lumia Selfie
Foto: Raquel Núbia