Relembrando: Dezembro

Comumente no último mês do ano nos sentimos compelidos à uma reflexão sobre nossas realizações e sobre nossos desafios. Ano passado, nesse momento, eu me encontrava em um lugar totalmente diferente do que estou hoje, muitas coisas mudaram, o que não mudou foram os aprendizados que adquiri naquela época. Quem sabe você também já passou por algo parecido?

“Me desculpem os pessimistas e realistas mas, tenho que confessar que minha vida sempre foi boa. Sempre. Apesar dos pesares, tropeços, dificuldades. Algumas graves, até… Mas a vida foi boa, pois até nesses momentos de perigo eu pude melhorar, nem que fosse pra piorar depois, mas melhorava.
Veja só como essa vida é…
Ano passado, nessa época, a minha vida era outra. Sem exageros, sem utopia, sem apelação nem auto piedade. Vejamos (…) clique aqui para continuar lendo.”

Raquel Núbia

Dezembro

Anúncios

Dezembro

Me desculpem os pessimistas e realistas mas, tenho que confessar que minha vida sempre foi boa. Sempre. Apesar dos pesares, tropeços, dificuldades. Algumas graves, até… Mas a vida foi boa, pois até nesses momentos de perigo eu pude melhorar, nem que fosse pra piorar depois, mas melhorava.
Veja só como essa vida é…
Ano passado, nessa época, a minha vida era outra. Sem exageros, sem utopia, sem apelação nem auto piedade. Vejamos: Dezembro de 2015 foi tempo de:
Elaborar o término do que achei que nunca acabaria. Sim, foi preciso desfazer as ambições da perfeição, sofrer pelas cobranças internas e me submeter ao julgamento alheio, e que julgamento…
Foi tempo de enfrentar a realidade de que algumas pessoas não serão um constante em nossa vida e que, certas vezes elas nos deixarão por não saberem colocar as nossas necessidades acima ou iguais às delas. Mas tudo bem, se elas nos deixam, nós também as deixamos.
Foi tempo de desempenhar papéis diversos, mais diversos do que o habitual. De ser vista de um milhão de formas: corajosa, louca, culpada, mimada, má. E foi até necessário me “deixar” assumir alguns papéis, pois algumas pessoas precisavam me colocar em certas posições para tentar seguir em frente. Precisavam de alguém para culpar e a pessoa escolhida fui eu, e por um tempo, tudo bem, até que deixou de ser.
Foi tempo de encarar também o fato de que boatos, investidas de maldade, ataques de conteúdo pessoais mais dolorosos podem sim vir de quem já dividiu sua casa, sua mesa, suas refeições, seus brindes à vida… e podem vir às escondidas em mensagens às escuras, enquanto às claras o que se propaga é a amizade, o amor próprio. Isso mostra o quanto as coisas podem ser injustas e, geralmente elas são. O que conforta é saber que os poucos que ficam ao nosso redor, o fazem por escolha por que nos amam, acima de tudo, quando não temos nada a oferecer.
Foi tempo de me desesperar e achar que quase nada daria certo, que eu não aprenderia e nem reaprenderia tudo o que ia precisar para seguir caminhando, para fazer dar certo e, dessa vez, sozinha. Mas eu consegui. Consegui o que cabia só a mim e consegui o que cabia a uma solidão nem tão solitária. E nessa hora eu aprendi que são poucas, são raras as pessoas que se dispõem a carregar o peso das nossas decisões mesmo sem ter obrigação nenhuma de fazer isso. E eu tenho a sorte de ter duas dessas raridades ao meu lado. O tempo todo.
Foi tempo de me reorganizar. De enfrentar o amanhecer duvidoso, fins de tarde de melancolia, noites longas e o tão temido retorno ao fim do dia para uma casa vazia, literal e figurativamente. E isso pesou. Doeu. Mas em meio à desesperança, a dúvidas e até mesmo a certa dose de desespero, eu aprendi manhã após manhã, tarde após tarde, noites após noites infinitas, que o mundo não acaba por não termos companhia o tempo todo. E que a companhia dosada só aumenta a importância e o querer bem. Pois refletem o carinho e cuidado de pessoas que não podem nos dar tudo, mas que nos dão tudo o que tem.
Dezembro de 2015 me apresentava um cenário tão desorganizado, que batia de frente com a pessoa metódica e detalhista que sou. Me desafiou de pé, imponente, me olhando de cima e me colocando tão pequena… mas o tempo, tão precioso, passou e passou ligeiro. Agora esse dezembro de 2016 que já corre a passos apressados chegou para testemunhar… E agora, quando me olha, já olha olho no olho e, para esse dezembro de 2016, é tempo de:
Enfrentar que o “pra sempre” é questão etérea, imensurável e pode sim acontecer. O meu “pra sempre” acontece hoje.
Enfrentar que aqueles que partiram, hoje são só lembranças empoeiradas num coração que não sente mais falta.
Enfrentar que todos podem me colocar nos papéis que quiserem, mas quem define o papel que eu ocupo na minha vida, sou eu.
Enfrentar que, se os golpes vieram dos próximos a mim, é porque consigo deixar que as pessoas se aproximem e sigo assim. Hoje um pouco mais atenta e muito mais grata aos que compreendem o tamanho da prova do meu amor por me deixar mostrar tão grande e tão pequena.
Enfrentar que todo desespero e desafios viraram aprendizados e que, tenho certeza, se esses obstáculos aparecerem: eu dou conta.
Enfrentar que, mesmo que exista amor, amizade, diversão, companhia e casa cheia, em algum momento seremos só nós, conosco. E nesse momento de mim comigo, eu tenho poder de decidir se sou sozinha ou livre.
Então, dezembro de 2015, obrigada.
E pra você, dezembro de 2016, boa sorte com o que planeja pra mim.
E pra você que leu tudo até aqui, me responda se essa minha vida é ou não é boa por demais?

alto-caparao-7
Raquel Núbia. Foto: Leandro Oliveira – Alto Caparaó/MG

Raquel Núbia