Aspiração

Quem me dera ser aquela que, com barulho, fecha a porta.
Ser ajuda que não sabe o que importa.
Quem me dera ficar fora e voltar pra uma parcela,
fracionar a vida e viver só parte dela.
Quem me dera levantar e sair por onde entrei,
me deitar e nem lembrar se eu sonhei.
Quem me dera ter o luxo de ser tantos e um só.
Ver a dor e no meu peito não ter dó.
Quem me dera a segurança de achar que estou certa,
e ter, após tantas coisas, mente aberta.
Quem me dera a chance de ser colo temporário,
ter caminhos que não são tão solitários.
Quem me dera ter vontade pra outras coisas e energia,
ter noite inteira de descanso ao fim do dia.
Quem me dera eu tivesse tanta facilidade…
e em coisas fúteis encontrar felicidade.
Quem me dera a esperança de dias melhores a espera,
De esquecer palavras duras,
curar feridas,
quem me dera…

Raquel Núbia

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Raquel Núbia. Foto: Leandro Oliveira – Alto Caparaó/MG
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