Sobre as canções dos dias de sempre

Os dias continuam passando no mesmo turbilhão de sempre e, ultimamente tenho gostado porque esse turbilhão é o que tem envolvido planejamentos importantes que colocam todo o restante das atividades sob perspectiva e definem o tamanho real do que realmente importa.
E a gente vai vivendo e, como escreveu Mário Quintana: “Tão bom viver dia a dia… A vida assim, jamais cansa… Viver tão só de momentos, como estas nuvens no céu…”, e sentir realmente que estamos priorizando o que tem importância verdadeira pra nós. Você tem feito isso?
Nem sempre é tarefa fácil, porque são tantos estímulos jogados sobre nós o tempo todo, tantos deveres e expectativas que nos rondam a todo momento que nem sempre conseguimos refletir sobre nossas ações e sobre nossos planos. Mas se não somos capazes de pensar sobre nossos desejos e nossos objetivos, jamais seremos senhores do nosso tempo, de nossos resultados e a vida se tornará uma grande engrenagem da qual seremos apenas mais uma peça e não o protagonista da nossa história, seja ela qual for.
O tempo é como a água quente que alcança o corpo cansado no fim do dia. Aos poucos desata os nós, desfaz a tensão carregada nos ombros, alivia a mente pesada e transforma o cansaço e o estresse em renovação e preparo para novos desafios.
A água quente que caiu sobre mim, lavou minhas angústias outrora sentidas, levou a falta de crença na eternidade dos sentimentos e limpou os sentimentos anuviados que habitavam meu coração. O tempo faz milagres quando estamos dispostos a colaborar.
Não é lindo viver assim? Sem dar nomes aos rios justamente por saber que será outro rio a passar? Com a tranquilidade de que nada acaba para sempre e também não continua, pois, o ciclo correto é recomeçar?!
“E sem nenhuma lembrança das outras vezes perdidas”, carrego a rosa dos ventos em minhas mãos distraídas…

Raquel Núbia
(para ler a poesia completa de Mário Quintana, clique aqui)

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Foto: Raquel Núbia – Rio das Ostras/RJ

 

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“Ponto&Vírgula” – Post 05

Em um mundo com tantas inspirações, respirar é preciso

Todo esse discurso de auto aceitação é muito lindo, muito necessário e tem sido muito discutido e divulgado, entretanto há uma grande diferença entre um discurso e sua ação prática.
Existem tantas histórias inspiradoras, de pessoas que lideram mudanças e atuam como multiplicadores de uma nova ideologia. Mas o que é “inspiração”?
Não sei quanto a vocês, mas eu acredito sim no poder do estímulo, entretanto a decisão do quanto esse estímulo ou “inspiração” vai modificar o comportamento ou pensamento do sujeito, está unicamente nas mãos desse indivíduo.
Claro que, quanto mais exposição a fatores de inspiração positiva, maior a probabilidade de que esse fator atue efetivamente para uma mudança positiva, porém se a mudança não ocorrer internamente, não já inspiração que baste e seja suficiente.
Eu, particularmente, tenho um pouco (leia-se muita) dificuldade de “comprar” esse discurso, esse lifestyle.
Geralmente as pessoas recorrem muito a argumentos ligados a “mantras” do tipo: “basta se dedicar”, “quem quer, consegue” e coisas do tipo.
Eu não poderia discordar mais!
Às vezes não basta querer. Às vezes não basta dedicação. Às vezes a vida exige muito mais do que isso! E esse discurso que coloca tanta responsabilidade e poder sobre o sujeito pode ser uma fonte inesgotável de frustração!
A gente costuma aprender muito cedo que a vida não é justa e quase nunca divide as coisas boas que distribui em partes iguais (eu, pelo menos, aprendi isso faz um tempo). Essa divisão nem sempre depende de nós. Algumas sim, mas nem todas.
A gente pode oscilar muito entre os desejos, objetivos e a quantidade de esforço que estamos dispostos a fazer e essa variação está atrelada a uma infinidade de motivos.
As pessoas se motivam de diferentes formas e dispõem de diferentes recursos.
Nem sempre uma foto ou uma história emocionante bastam para causar uma mudança interior. Aliás, “uma história” ou a história de uma minoria (minoria aqui como grupo em menor quantidade, no geral) não deve ser tomada 100% como exemplo, como regra geral.
Se aquela minoria/pessoa conseguiu algo, seja lá o que foi, isso pode significar que, sim, você também pode conseguir ou que talvez você não consiga, ou ainda pode não significar nada! E tudo bem!
T-u-d-o B-e-m!
Eu não tenho que conseguir apenas porque alguém conseguiu, fazer porque alguém fez, buscar superação porque alguém se superou e, principalmente, eu não preciso querer apenas porque o outro quis.
E falo tudo isso na primeira pessoa porque é algo que eu preciso aprender e, talvez, você também.

Vamos parar só um momento para analisar:

De tudo o que nos dedicamos, das nossas metas, do quanto buscamos, quantas coisas condizem com a nossa verdade? O que é real?
De todas as nossas frustrações, chateações, dos desânimos que sentimos, quantos são advindos dessas coisas que não são nossas?
São muitos imperativos usados hoje em dia.
São muitas frases de efeito.
São muitas exceções se tornando regra.
A gente não “tem que” nada!
Você não “tem que” inclusive ler esse texto até o final ou concordar com o que eu escrevo.
A gente deveria mesmo era se comprometer com os nossos desejos originais, estabelecer nossos limites e lembrar sempre que somos nós que fazemos essas definições. E que possamos fazer da melhor forma possível e de maneira responsável.
Mas, voltando no primeiro parágrafo desse texto:

Todo esse discurso de auto aceitação é muito lindo, muito necessário e tem sido muito discutido e divulgado, entretanto há uma grande diferença entre um discurso e sua ação prática.

Sendo assim:
Faça o que você quiser, do jeito que quiser.
No final, a gente é cobrado de qualquer forma e às vezes somos julgados também.
Que, frente a isso, sejamos justos com os outros e com a gente mesmo.
O meu querer não é o seu.
A minha motivação não é a sua.
As minhas dificuldades não são as suas.
A minha vida não é a sua e a sua vida não é de mais ninguém.
Recorrendo ao mesmo imperativo que critiquei ainda agora: Escolha quem VOCÊ quer ser e seja.

Raquel Núbia

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Palavras soltas

Desde ontem com vontade de escrever.
Muitos pensamentos, mas nenhuma ação de pegar a caneta e efetivamente produzir algo.
Agora já nem sei direito sobre o que queria falar.
Algo sobre não ser mais inocente e saber que quase sempre um ato esconde um interesse oculto, tem algo por trás.
Mesmo assim o coração vai sendo levado porque, por mais que a cabeça não seja uma criança deslumbrada, o coração insiste em ser aquele adolescente destemido que acredita que pode tudo e que, com ele, tudo vai ser diferente sempre.
É quase um super herói só que sem poderes mágicos ou super poderes, acaba mesmo caindo com tudo antes mesmo de tentar voar.

Raquel Núbia
(08/07/2015)

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Foto: Leandro Oliveira. Arraial do Cabo/RJ

Vida que segue

Sabe o que é mais lindo nessa vida?
Ela continua…
Independente da nossa vontade, alheio aos nossos desejos, ela continua.
Ela é autossuficiente para tomar as próprias decisões, seguir o próprio curso e, por mais que que a gente se veja encurralado em algum momento, quase ninguém fica encurralado pra sempre, porque a vida segue o rumo e o que antes era rua sem saída, vira recomeço num piscar de olhos.
Nesse exato momento eu estou sorrindo por dentro, simplesmente por conseguir compreender isso tudo. Simplesmente por ter provas a cada momento de que não importa como termine o dia, outro dia virá, para o bem ou para o mal, a vida continuará.
Com ou sem as pessoas que nos cercaram um dia, felizes ou tristes, aqui ou não, ela continuará.
E presenciar essa renovação de ciclos é um acalento, um sinal de que não precisamos mesmo provar nada pra ninguém, a vida se encarrega disso naturalmente.

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Raquel Núbia. Foto: Leandro Oliveira – Alto Caparaó/MG

Raquel Núbia

Palavras da noite

Terminado mais um dia me sinto incapaz de banir os pensamentos que chegam a essa hora da noite… Novo dia nos aguarda amanhã trazendo um pouco mais do mesmo e um pouco menos do que queremos.
Cada dia livre reflete um pouco da prisão que nos contém o correr do tempo e todas as exigências que ele faz… Ao mesmo tempo que olho a volta buscando tantos caminhos, peço ao universo que não me condene pelo crime da ingratidão de não me satisfazer jamais…
Seguimos… Pedindo que os dias corram rápidos mas que, ao mesmo tempo, o tempo passe devagar. Deus, lá de cima, deve estar confuso… Talvez, não mais que eu.
O céu agora escuro em poucas horas vai clarear. Se ao menos também clareasse minhas ideias! Aliás, talvez seja essa a origem do desconforto… Ideias claras demais para um cotidiano tão nublado.

Raquel Núbia

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Foto: Raquel Núbia – Muriaé/MG