Das dores que só a gente sente

Em 15 dias tive dois processos inflamatórios na garganta. Em 17 dias foram 13 dias de antibióticos e ainda faltam 7. Tudo isso porque parece que a primeira leva de medicação não foi forte o suficiente para combater a infecção e isso só fez com que a recidiva esteja sendo ainda mais forte do que a primeira vez.
Enfim. Esse resumo todo apenas para chegar no ponto da questão.
Quem convive próximo a mim tem ouvido algumas reclamações e, dependendo do dia, muitas reclamações sobre as dores que tenho sentido devido às febres que vão e vem e devido a própria inflamação que dói o tempo todo.
Algumas escutam, outras não.
Algumas se importam, outras não.
Algumas acreditam, outras não.
E tudo isso simplesmente porque por mais que eu fale e explique a dor que tenho sentido, quem escuta apenas escuta, mas quem sente sou eu.
E não é assim como todas as nossas outras dores?
Por mais que possamos detalhar aonde, porque e o quanto doi, a sensação é exclusiva de quem sente e cabe ao outro somente acolher ou não. Apoiar ou não. Cuidar ou não. Acreditar ou não.
Desejo que sejamos sensíveis as dores alheias pois, chega uma hora que quem sofre se cansa de repetir o motivo e de lembrar ao outro constantemente o motivo de se sentir limitado, desanimado, cansado e até mesmo mal humorado…
Desejo que sejamos sensíveis às dores alheias assim como esperamos que sejam com as nossas.

Raquel Núbia

Editada no Lumia Selfie
Foto: Raquel Núbia
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A falta

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Imagem: favim.com

Tenho mil poesias prontas guardadas num gaveta.
Tenho mil boas ideias, guardadas na minha cabeça.
Tenho mil planos feitos, aguardando para realizar.
Tenho destinos marcados num mapa, prontos para explorar.

Tenho arte e criatividade ao alcance das mãos.
Tenho voz e melodia para qualquer canção.
Tenho caminhos abertos para ir e vir.
Tenho uma estrada pronta para poder seguir.

Guardo fotos de momentos que nunca vivi.
Guardo sentimentos que nunca senti.
Guardo ideias e destinos quem sabe para outro dia.
Faço o mesmo com os planos caminhos e poesias.

Mas me falta uma coisa que há um tempo perdi.
Por ser acostumada sequer percebi.
Essa falta que vem do passado do presente.
E que causa um desamor que só sabe quem sente.

Raquel Núbia