Lacuna

Há dias, como esse,
em que as horas vão vazias.
E uma hora, vale dias,
Num tempo arrastado,
Sem propósito ou por que.

A mente inquieta,
Se enche de possibilidade,
Que roubam a felicidade,
Que os dias comuns
Conseguem esconder.

Na demora do ponteiro,
Vão chegando uma a uma,
Sem fazer força alguma,
Todas as peripécias
Que a cabeça apronta.

A solidão que não ajuda,
Que na ausência traz, em suma,
E sem culpa nenhuma
O que suprime diariamente
Sem nenhuma afronta.

Sobram ideias e vontades,
Só fazem desorganizar
O que já está fora do lugar,
E que não tenta, nem de longe
Ser bonito.

O céu laranja traz a noite,
com ponteiros pra mostrar,
o relógio só faz marcar,
horas e dias arrastados
e infinitos…

death-depressed-hands-hurry-Favim.com-845611

Raquel Núbiaa

Anúncios