Relembrando: Sobre o cultivo dos sentimentos

sobre o cultivo dos sentimentos

Sobre o cultivo dos sentimentos

Definitivamente eu acredito que o pior sentimento que alguém com quem você se importa pode sentir por você é a indiferença. Aquele sentimento morno, do tanto faz, onde se arruma justificativa para a ausência e para todos os erros torpes e onde nunca há um desejo real. A falta da questão da presença, da companhia e o pior, o costume com tudo isso… O costume com a presença, o costume com a companhia e com a falta dela.
Sempre digo que o tempo rouba muita coisa da gente. Rouba o encantamento, a curiosidade pelas coisas e pelas pessoas e é uma escolha, um esforço diário manter tudo isso seja pelo que for, amigos, trabalho, relacionamentos… É sempre uma escolha e quando escolhemos não fazê-la ou quando nos omitimos, abrimos caminho para outras escolhas.
Esse tanto faz adormece o sentimento no outro, pois todo sentimento deve ser cultivado.
Obviamente há tempo e hora pra tudo. Tempo para se estar com amigos, tempo para se estar acompanhado, tempo para se estar sozinho… O que não há é tempo a perder quando se trata de demonstrar ao outro o que ele significa pra gente.
O reconhecimento é importante. Dizer e demonstrar o que se pensa ser óbvio também é. Nunca podemos estar tão certos do que o outro sente pela gente ou do que sentimos pelo outro a ponto de deixar subentendido.
Não são necessárias grandes demonstrações… Valem mais os gestos contínuos que reforçam que estamos ali, que admiramos, sentimos falta. Que mostram que a presença faz diferença e que a ausência é sentida.
Que coisa mais triste se sentir invisível, se sentir o “tanto faz”… Sentimentos não mudam de uma hora pra outra, eles agonizam e se transformam aos poucos. Então se você sente algo, mostre e se não sente mais nada, liberte e deixe ir.”

Raquel Núbia 

Estimação

Temos medos maiores do que nós mesmos;
E nem sempre sabemos o que fazer com eles.
Guardamos fantasmas embaixo do travesseiro e vez ou outra eles saem de lá e vem para o mundo dar uma volta conosco. Nos acompanham, por vezes o dia todo, por vezes só parte do dia. Os cultivamos, alimentamos, os fortalecemos.
Quando eles se vão, vamos atrás e os trazemos de volta.
Por que nem sempre conseguimos deixá-los ir?
Você consegue saber o motivo de manter os seus fantasmas por perto?
Pois há uma guerra interna na minha cabeça, me fazendo refletir sobre os motivos de trazer os meus fantasmas amarrados aos meus pés.

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Foto: Raquel Núbia – Lagoa FCV, Muriaé/MG

Raquel Núbia