Divagando

A vida da umas voltas estranhas, não é mesmo? A gente se pega desejando aquilo que nunca desejou, fazendo coisas que disse que nunca iria fazer e sentindo coisas que jamais achou que ia sentir. 

Talvez o tempo seja o grande responsável por isso, como várias vezes eu já escrevi, ou talvez o grande responsável seja a gente mesmo porque, afinal, o que a gente deseja, faz e sente diz respeito a nós mesmos mesmo quando em relação a outras pessoas.

O que a gente sente e pensa dos outros quase não se relaciona com o que tal pessoa realmente é, mas sim com a nossa forma de vê-la. Nossa visão é sempre impregnada de nós mesmos e, como consequência, nós estamos em tudo o que dizemos e sentimos.

Nao sei se estou conseguindo me fazer entender…

Às vezes a gente pensa que o mundo mudou, que as coisas mudaram quando, na verdade, o que mudou foi a gente mesmo e quando a gente muda, todo o resto muda junto.

A gente redefine prioridades, redefine relacionamentos e, quase sempre, essas redefinições trazem um conforto e uma paz muito grande, pelo menos é o que se espera.

Dia desses tive a oportunidade de reparar arestas. Ainda é cedo pra dizer que retomei laços mas posso dizer que consegui polir alguns espinhos e essas oportunidades são raras. Sempre há muito orgulho a ser combatido e baixar a guarda não deve ser visto como fraqueza, nem grandeza, apenas como algo a se fazer.

Fico pensando… Se houvesse outras oportunidades, certamente eu teria algumas coisas a dizer. Mas, ainda assim, não são coisas que me sufocam, mas sim que existem dentro de mim hoje de uma forma diferente do que existia no passado.

Acho que isso vem com a maturidade que costuma nos libertar, em parte, da preocupação com que os outros vão pensar. As pessoas podem pensar tudo o que quiserem mas, acima de tudo, precisam respeitar. Nós precisamos.

A vida já costuma ser problemática demais e não precisa que a gente complique ainda mais com as nossas próprias mãos. Em certos casos, as pessoas esperam que sintamos raiva, que coloquemos a responsabilidade no outro mas nem sempre isso se aplica.

Se em algum momento você perceber que o que você sentia até ontem mudou  e não corresponde mais ao que você sente hoje, mude! Vá atrás do que você sente e do que te diz sua mente e sua verdade. A gente até constrói muros, mas pode construir pontes… Algumas já estão prontas na nossa frente, basta vontade de atravessa-las.

Raquel Núbia 

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Foto: Raquel Núbia. Niterói/RJ
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Das dores que só a gente sente

Em 15 dias tive dois processos inflamatórios na garganta. Em 17 dias foram 13 dias de antibióticos e ainda faltam 7. Tudo isso porque parece que a primeira leva de medicação não foi forte o suficiente para combater a infecção e isso só fez com que a recidiva esteja sendo ainda mais forte do que a primeira vez.
Enfim. Esse resumo todo apenas para chegar no ponto da questão.
Quem convive próximo a mim tem ouvido algumas reclamações e, dependendo do dia, muitas reclamações sobre as dores que tenho sentido devido às febres que vão e vem e devido a própria inflamação que dói o tempo todo.
Algumas escutam, outras não.
Algumas se importam, outras não.
Algumas acreditam, outras não.
E tudo isso simplesmente porque por mais que eu fale e explique a dor que tenho sentido, quem escuta apenas escuta, mas quem sente sou eu.
E não é assim como todas as nossas outras dores?
Por mais que possamos detalhar aonde, porque e o quanto doi, a sensação é exclusiva de quem sente e cabe ao outro somente acolher ou não. Apoiar ou não. Cuidar ou não. Acreditar ou não.
Desejo que sejamos sensíveis as dores alheias pois, chega uma hora que quem sofre se cansa de repetir o motivo e de lembrar ao outro constantemente o motivo de se sentir limitado, desanimado, cansado e até mesmo mal humorado…
Desejo que sejamos sensíveis às dores alheias assim como esperamos que sejam com as nossas.

Raquel Núbia

Editada no Lumia Selfie
Foto: Raquel Núbia