Relembrando: Suspiro

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Suspiro

Tem coisas que marcam a gente de um jeito que impressiona…
Às vezes é um cheiro, uma cor, uma música, um dia frio ou nublado… Pode ser tudo e nada, qualquer coisa.
Algumas coisas funcionam como um portal na vida da gente e assim que chegamos perto deles, entramos num caminho que nos leva direto pra muito longe ou até mesmo pra perto, não importa. O que importa é que esse portal nos transporta pra onde mora uma lembrança.
Uma lembrança viva ou guardada mas que se recupera assim que temos contato com esse estímulo.
Vez ou outra eu me pego vagando fora de mim quando me deparo com essas saudades que a gente desconhece. Em alguns momentos, nem mesmo se pode nomear como saudade, pois existem sentimentos e sensações que a gente não sabe definir.
Repentinamente a gente se preenche de um vazio, uma falta sem identificação, advinda de uma necessidade sem justificativa, sem necessariamente ser uma queixa do presente ou uma insatisfação sentida plenamente.
Se angústia é aquele sentimento que não pode ser nomeado, talvez então seja isso.
Apenas a percepção da sensação de estarmos perdidos dentro da própria vida, num mundo tão grande e num tempo tão extenso em que não conseguimos enxergar a finitude do que já vivemos e, ao mesmo tempo, sentimos latente a certeza de que sermos findos é a única e total certeza.”

Raquel Núbia

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Pensamento positivo

Em alguns momentos fica difícil manter o espírito elevado, o pensamento positivo e a energia pulsando. O cansaço físico invade a mente e as dores do corpo fazem companhia. Tantos dias seguidos e percebe-se que o que era fácil se tornou um pouco mais complicado, o que antes era comum e orgânico, hoje exige um esforço maior e às vezes nem o esforço permite a conclusão.
Tem sido necessário o costume aos novos limites do corpo, ainda que temporário, pois o impacto no cotidiano é grande, principalmente quando a lentidão dos movimentos não acompanha a pressa dos pensamentos.
O corpo, num desgaste acumulado, implica no estado e no fluxo de pensamentos. É algo biológico, as conexões ficam mais lentas… Esse impedimento imposto, demanda um reajuste que não é fácil. Quando a gente se condiciona a não esperar o outro e tomar a ação das coisas por nossas próprias mãos, qualquer forma de dependência é sofrida, acima de tudo quando precisamos pedir pelo auxílio e esperar que ele venha no tempo no outro e não no nosso.
O ato de pedir ajuda já é custoso. Será que as pessoas não conseguem ver?
A forma de contar o tempo muda e de repente esse tempo se torna uma contagem regressiva que traz um monte de outros pensamentos e desafios, mas também trazem a esperança de que no final a gente volte a ser mais como nós mesmos e, principalmente, que as dores desapareçam.
Saber que há um prazo facilita a lidar com elas, mas não as tornam menos piores. Acho que lidar com dor é assim, seja ela de que tipo for.
Cada um sabe da sua e cada um sabe o que lhe causa.
Ainda assim é preciso manter a clareza na mente e saber separar a gravidade do que se sente e o quanto a situação é permanente: Não é um momento ruim, são apenas dias difíceis e esses dias também são feitos para serem vividos.

Raquel Núbia

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Raquel Nubia. Foto: Leandro Oliveira

 

Sobre os cárceres do dia a dia

A verdade é que muita coisa que se passa na cabeça da gente não chega a sair dela, não verbalizamos ou contamos para alguém. Apenas pensamos, repensamos e pensamos mais uma vez… Vez ou outra esses pensamentos não compartilhados saem em forma de somatização, ansiedade, tristeza, essas coisas que vão sufocando a gente aos poucos.
Às vezes nos sentimos infantis por nos apegar envoltos em sentimentos tão velhos, como se não pudéssemos ser capazes de admitir que algo que já deveria estar enterrado e esquecido ainda nos aborrece. Na prática não faz a menor diferença em nossas vidas, mas penso que essas coisas acabam nos movimentando de uma forma ou de outra.
Por que nos importamos?
Não sei.
Mas quem somos nós afinal, para acharmos que temos tanto valor e que merecemos um lugar constante na memória de terceiros?
Cada um escolhe como compartilha o que sente e todos temos que lidar com as consequências… Vivemos esperando mudanças drásticas e grandiosas acontecerem quando, na verdade, a vida anda empurrada pelas pequenas coisas, pelos sentimentos bons, nem sempre absurdos, apenas estáveis e não fantasiosos.
A vida é tão simples e tudo o que a gente precisa é viver o dia a dia, mas algumas coisas nesse cotidiano nem sempre são justas e fáceis. Às vezes é preciso quebrar a cabeça e o cansaço transcende o corpo. Mas, no geral, a vida é mesmo simples, basta nos ocuparmos de nós mesmos, sem olhar tanto para fora, para o outro.

Raquel Núbia

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Foto: Raquel Núbia – Tiradentes/MG

Alvorecer

A manhã, em suas primeiras horas, quando o céu ainda se colore com os primeiros raios de sol, com aquele vento fresco e com o silêncio que domina as ruas, antes de ser invadido por carros, motos, pessoas perambulando e tantos compromissos, guarda em sua quietude uma infinidade de momentos dentro de poucos instantes.
Observar toda a calma e sincronia do que nos cerca, nos minutos que temos antes de embarcar em mais uma aventura que é viver o dia a dia, pode nos permitir um breve momento de paz, onde podemos nos reconectar com o que deixamos pra trás na noite anterior ou, num relance, podemos nos reconectar com o que deixamos pra trás dentro de nós mesmos, há tanto tempo.
Há tanta beleza nesse breve momento, onde podemos ver o novo dia se iluminando em frente aos nossos olhos e, mesmo que tenhamos uma agenda cheia, muitas vezes com coisas que não gostaríamos de fazer e pessoas que gostaríamos de não encontrar, ainda assim, esse simples colorir amarelo alaranjado do céu nos promete tanto e coloca em nossas mãos a sagrada chance de recomeçar.
Nada é garantido. Nunca sabemos se teremos a nova oportunidade de presenciar esse renascimento. Então, por esse breve instante, ao olhar para as ruas vazias, o céu desbotado e sentir a brisa fresca do raiar do dia, somente por esse momento, serei feliz.

Raquel Núbia

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Foto: Raquel Núbia – Cabo Frio/RJ

Relembrando: Vamos falar sobre o amor?

vamos falar sobre o amor

Vamos falar sobre o amor?

Quando a gente vai falar de amor recorre a vários clichês e, por estar amando, a gente nem se importa de cair nessa armadilha.
Entre tantas formas de amar e tantos tipos de romance, fica difícil acreditar no certo e no errado, pois o sentimento verdadeiro é infinito por si só e na sua imensidão o livro de “regras” pode não ter fim.
E para que ama, pouca coisa importa quando se refere ao sentir. Quando se está preenchido dessa forma, gozando da completude de uma companhia desejada e que também te deseja, tudo mais é alheio.
Seja qual a forma de demonstração, intensidade… Seja qual for o tempo passado… O amor reserva para si o direito de ser enorme mesmo quando pequeno, de ser delicado mesmo quando forte, de ser pra sempre mesmo quando efêmero.
“Que seja eterno enquanto dure”?
Que dure enquanto for amor.”

Raquel Núbia

“Ponto&Vírgula” – Post 10

Do clichê: Todo excesso esconde uma falta

Quanto mais a gente se conhece, mais consegue identificar situações, prever reações e saber o que vamos sentir e o que estamos sentindo. Mas nem sempre isso é suficiente para evitar algumas coisas, apenas podemos nos preparar para enfrentar as coisas da melhor forma que for possível.
Todo mundo tem uns momentos em que fica meio desanimado, cansado das coisas, chateado até mesmo “sem motivo” e tudo bem. Apesar do mundo e das pessoas cobrarem uma felicidade constante, interminável, tá tudo bem ter um tempo para não se sentir feliz.
Mas, como eu escrevi acima, quanto mais a gente se conhece, mais consegue saber se o tempo que estamos “pra baixo” está ou não dentro da normalidade. Com as ferramentas certas dentro da gente não é difícil diferenciar aquele cansaço e aquela tristeza comum daquela que faz mal.
Quem já sofreu ou sofre com depressão/sintomas depressivos, sabe que há uma luta constante para não voltar para esse buraco depois que já se saiu dele. Tem hora que essa luta é árdua e demanda muito esforço, em outras a gente nem lembra. A tendência é ficar sempre mais fácil e mais orgânico a medida que vamos nos fortalecendo.
Falar sobre isso é um tabu, pois existe todo um estereótipo por trás disso. Grande parte das pessoas ainda acha que quem é deprimido está trancado num quarto escuro, vestindo preto, com olheiras e ouvindo Radiohead.
Grande parte das pessoas ignora o fato de que quem é deprimido pode não se encaixar nessa forma, que existe, mas que não é a única.
Quem é deprimido também trabalha, sai com amigos, viaja, namora, vai a festas, posta memes e fotos bonitas, sorri, é sociável… Uma coisa não exclui a outra e, novamente, tudo bem. Uma pessoa pode sim fazer tudo isso e, ainda assim, se encaixar no diagnóstico depressivo, afinal são tantas as suas formas de manifestação que fogem se der somente a tristeza:

Cansaço, desânimo, dificuldade em sentir prazer com situações que antes eram prazerosas, irritação, dificuldade de tomar decisões, alteração nos padrões do sono e/ou apetite (dormir demais ou de menos, comer demais ou de menos), sensação de culpa, insegurança, isolamento social ou muita necessidade de contato, choro fácil, tristeza “sem motivo”… Veja só quantas possibilidades… Tudo isso manifestado por um período maior de tempo, indica sim um sinal de alerta. Entretanto, nem sempre isso significa que a pessoa não tem condições de continuar realizando suas atividades. Às vezes sim, às vezes não.

Os sintomas podem afetar o indivíduo em diversos graus e de diferentes maneiras, mas uma coisa é certa: todos precisam de cuidado, atenção e tratamento profissional.
No geral, todo nós lutamos nossas batalhas internas e externas e nunca sabemos totalmente pelo que o outro está passando. Ser/estar feliz ou triste não é algo exclusivo a nós, todos sentem, por isso é preciso ter cuidado: temos o poder de despertar o pior e o melhor nos outros.
Já parou pra pensar em como é ter todos os motivos para se sentir feliz e simplesmente não se sentir? Como é ter todos os motivos para se sentir animada, estimulada e ainda assim não se sentir?
Não é fácil…
Mas isso não significa que a pessoa seja fraca, incapaz, ingrata, etc. Isso significa apenas que se trata de uma pessoa que está doente e, portanto, precisa ser levada a sério em suas queixas na busca da recuperação/cura.
Simples. Mas muita gente tem dificuldade de compreender.
Nós temos a tendência de sentir medo daquilo que não conhecemos e de não acreditar naquilo que não vemos, ou naquilo que nunca experimentamos. Mas isso não nos dá o direito de questionar, julgar ou diminuir o outro.
Se você nunca sofreu com depressão, desconhece o peso que tem essa doença e seus sintomas: Sorte sua! Aproveite para exercitar sua empatia:
Capacidade psicológica para sentir o que sentiria uma outra pessoa caso estivesse na mesma situação vivenciada por ela.

A empatia pressupõe uma comunicação afetiva com a outra pessoa, logo se você é incapaz de ser empático, isso diz muito mais da sua habilidade ou inabilidade de sentir afeto por outras pessoas e, se isso te impede de enxergar a dor alheia, acredite, a responsabilidade é sua e não de quem sofre com uma doença da qual você desacredita.

Esse estereótipo da pessoa depressiva isolada e catatônica complica ainda mais uma situação que já é delicada, pois qualquer atividade “normal” realizada é encarada como sinal de melhora ou como evidência de que tudo era frescura e “basta a pessoa querer” que tudo vai ficar bem, quando na verdade, não é nada disso. Se trata apenas de alguém vivendo o que a vida dá nos intervalos de manifestação de um sintoma e outro.
Assim como qualquer pessoa doente, esse quadro exige dedicação e isso. É difícil para as pessoas ao redor, eu sei… Conviver com alguém instável, “baixo astral”, não é tarefa fácil, mas é preciso se lembrar de que a pessoa não está assim porque quer e que já se sente culpada por afetar quem a cerca de maneira tão negativa e por não ser capaz de realizar suas tarefas triviais.
Se é a falta que mantém o indivíduo desejoso, seria então a falta do desejo de viver causada pela falta da falta?
São muitas as causas e muitas as formas de manifestação, o que é comum em tudo isso é a dor e ela existe, o vazio e ele existe. Só quem sente sabe, mas isso não impede que, quem não sente (que sorte!) se importe com quem sofre.
Outro dia me disseram: “Pessoas boas não deveriam se sentir pra baixo”, mas se sentem. Cada um tem um fardo diferente para carregar e, aos nossos olhos, o nosso é sempre maior, mas nunca saberemos como é para o outro. O que podemos fazer é imaginar.

É preciso ficar atento: Todo excesso esconde uma falta (amém Psicanálise), não julgue, não condene, não menospreze, afinal se você pensar um pouco ao olhar para dentro de si, qual será o seu excesso? Qual será a sua falta? Qual será o seu vazio? Como você manifesta tudo isso?

Não se engane. O que vemos do outro é apenas a ponta de um iceberg que mantém sua maior parte dentro do oceano e em águas turvas e revoltas são poucos os que se atrevem a mergulhar.

Raquel Núbia

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Altos e baixos

Às vezes é difícil falar sobre nossas dificuldades, sobre os momentos em que nosso ânimo rebaixa e que a gente se cansa. Quando pensamos em escrever, expor ou compartilhar, pensamos também na reação do outro, de quem vai ouvir/ler nosso relato.
O que vão pensar?
Será que vão se regozijar?
Estranho pensar assim, mas sabemos que existem pessoas que ficam no aguardo, mesmo que todos nós tenhamos altos e baixos, apenas observando.
Ou… Isso é só uma cisma da nossa própria cabeça que, cansada, começa a se perder em devaneios e abrir espaço para aqueles pensamentos que precisam ser controlados, pois são poderosos, tanto os bons quanto os ruins.
A gente pode ficar cansado, pode se sentir desgastado, vez ou outra a gente se abate e tudo bem. É até preciso que tenhamos esse momento para absorver o que nos aflige, penas no que sentimos para podermos elaborar, ressignificar e encontrar alternativas e saídas, formas de voltarmos ao nosso estado normal.
E tem hora que o que a gente precisa é só de um tempo mesmo, um tempo para nos afastarmos, darmos um passo pra trás para respirarmos, tomarmos um fôlego para conseguirmos ter um novo impulso para, aí sim, conseguirmos dar um salto maior e melhor.

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Foto: Raquel Núbia. Muriaé/MG

Ao amor da minha vida

Eu nunca fui de pensar muito em você… Sendo sincera, até pouco tempo eu pensava quase nada, nem reservei momentos para te planejar.
Em algumas situações me senti cobrada de forma velada por essa posição e um pouco diferente e sem lugar.
Eu tive certeza de que viveria minha vida sem você.
Certa vez achei que tudo tinha mudado, naquela hora eu falei de você, eu pensei em como seria te ter e por um breve, breve momento eu te quis.
Mas aquilo passou num piscar de olhos e quando olhei pra trás percebi que não te ter foi a melhor coisa que me aconteceu. Não era o tempo. Se tivesse sido, tudo seria diferente.
Novamente achei que não aconteceria mais, que você havia sido uma alternativa momentânea para salvar algo que não podia ser salvo, mas o tempo passou e cá estou eu pensando em você. E hoje penso mais que nunca!
Hoje eu sinto que te quero e desejo da maneira certa, com o sentimento certo.
Hoje eu te planejo como uma realidade, como alguém que eu quero nos meus dias e noites, que eu desejo apesar de tudo.
Você já está nos pequenos detalhes, nas concessões temporárias e talvez definitivas.
Eu penso em você todos os dias. Em alguns dias a todo instante, em outros por um breve segundo, mas sempre.
Eu não te conheço mas, você já existe!
Eu não te conheço mas já consigo sentir até o seu cheiro!
Eu tenho amado a ideia de ter você na minha vida mas sei que, quando você chegar eu vou te amar ainda mais.
Mal posso esperar para ter nos meus braços a pessoa que mais vou amar nessa vida.

Raquel Núbia

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Foto: Leandro Oliveira – (Fiz esse texto quando ainda não estava grávida, hoje são 03 meses e meio, e contando… ❤ )

 

Dejavu

Hoje acordei com cara e gosto de ontem…
Sabe quando parece que o dia guarda um monte de coisa, mas na verdade essas coisas todas já aconteceram lá no passado? Uma viagem, um passeio, qualquer atividade… Não sei explicar direito, mas estou com essa sensação desde ontem a tardinha e hoje ela permaneceu.
Não sei se é o fato do sol estar entrando frio pela varanda da sala, com esse ventinho que lembra a gente que apesar do céu azul, o que domina é o tempo frio e tempo frio já sabe, né?
Dias claros me transportam, pequenos momentos me transportam… Conversas…
Realmente creio que não estou sabendo me fazer entender, mas precisava dizer, depois de meses sem escrever por aqui (e em qualquer outro lugar), hoje até essa vontade apareceu latente.
Enfim.
Acho que é comum esse tipo de sentimento. Não chega a ser uma nostalgia, é apenas como se o dia estivesse se repetindo, mas não está. É como se você acordasse em um dia do passado, com as mesmas características de outra época que você viveu, só que ao invés de fazer o que você fazia, você fará novas coisas, bem diferentes do que te trouxe a memória.
A vida passa. Muita coisa muda. As pessoas seguem seus caminhos de acordo com suas prioridades e não é preciso se comparar para saber se está bem ou satisfeito com o que se tem, pois cada um busca aquilo que acredita ser melhor para si e nem sempre esses interesses colidem entre as pessoas. Talvez por isso mudamos nossas companhias e quem queremos do nosso lado, pois buscamos aqueles que compartilham dos nossos desejos e nos ajudam a alcançá-los.
O dia pode ter acordado com sensação de passado, mas é o presente e o futuro que me guarda os maiores e melhores dias.

Raquel Núbia

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Foto. Raquel Núbia. Tiradentes/MG

Sobre as canções dos dias de sempre

Os dias continuam passando no mesmo turbilhão de sempre e, ultimamente tenho gostado porque esse turbilhão é o que tem envolvido planejamentos importantes que colocam todo o restante das atividades sob perspectiva e definem o tamanho real do que realmente importa.
E a gente vai vivendo e, como escreveu Mário Quintana: “Tão bom viver dia a dia… A vida assim, jamais cansa… Viver tão só de momentos, como estas nuvens no céu…”, e sentir realmente que estamos priorizando o que tem importância verdadeira pra nós. Você tem feito isso?
Nem sempre é tarefa fácil, porque são tantos estímulos jogados sobre nós o tempo todo, tantos deveres e expectativas que nos rondam a todo momento que nem sempre conseguimos refletir sobre nossas ações e sobre nossos planos. Mas se não somos capazes de pensar sobre nossos desejos e nossos objetivos, jamais seremos senhores do nosso tempo, de nossos resultados e a vida se tornará uma grande engrenagem da qual seremos apenas mais uma peça e não o protagonista da nossa história, seja ela qual for.
O tempo é como a água quente que alcança o corpo cansado no fim do dia. Aos poucos desata os nós, desfaz a tensão carregada nos ombros, alivia a mente pesada e transforma o cansaço e o estresse em renovação e preparo para novos desafios.
A água quente que caiu sobre mim, lavou minhas angústias outrora sentidas, levou a falta de crença na eternidade dos sentimentos e limpou os sentimentos anuviados que habitavam meu coração. O tempo faz milagres quando estamos dispostos a colaborar.
Não é lindo viver assim? Sem dar nomes aos rios justamente por saber que será outro rio a passar? Com a tranquilidade de que nada acaba para sempre e também não continua, pois, o ciclo correto é recomeçar?!
“E sem nenhuma lembrança das outras vezes perdidas”, carrego a rosa dos ventos em minhas mãos distraídas…

Raquel Núbia
(para ler a poesia completa de Mário Quintana, clique aqui)

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Foto: Raquel Núbia – Rio das Ostras/RJ