Sobre ser limite

Quantas vezes você já pensou em não ser você mesmo? Já pensou em tudo o que sente vontade e desejo de fazer e que por um motivo ou outro não consegue, não é capaz? Coisas simples, do dia a dia, comuns a tantas pessoas, em tantos lugares, mas que parece sempre tão custoso, tão difícil?
Venho aprendendo e reaprendendo contínuas vezes que a gente só deve depositar nossas expectativas, sentimentos e emoções na gente mesmo. É triste mas necessário lembrar que grande parte das pessoas nos enxergam somente como uma parte de seus jogos e seus interesses, que nos solicitam quando essa conveniência acaba, tudo o que se passou é jogado num limbo até que sejamos necessários novamente.
Às vezes temos sido depósito para que as pessoas despejem sobre nós suas frustrações, preocupações e tristezas se reenergizando para prosseguir com suas vidas junto às pessoas de seu cotidiano, após transferirem suas bagagens.
Mas como culpá-los se as pessoas só depositam em nós aquilo que permitimos?

Raquel Núbia

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Foto: @eubrunolopez

Das mesmices do dia a dia

Sentindo aquela desconfiança que a gente sente quando as coisas estão dando certo, quando a gente pode dizer que está satisfeito, talvez até mesmo chamas de felicidade. Se a felicidade não precisa ser uma ausência de problemas, uma ausência de tristezas, então talvez, apenas talvez, seja isso, talvez seja felicidade. Se deixarmos de lado o que nos atribula, a falta de vontade para coisas do cotidiano, os esforços difíceis demais mas que são necessários apenas para sobreviver, então o que vivemos entre uma coisa e outra, seja realmente felicidade. Felicidade que mascara a procrastinação, a energia insuficiente para reagir ao decorrer do dia, ao senso de responsabilidade até mesmo pelo que não podemos controlar, enquanto vamos vivendo, atravessando os dias como se o anoitecer fosse capaz de expurgar os acontecimentos e presságios sendo que o novo dia trará apenas mais do mesmo.

Raquel Núbia

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Foto: @raquel__nubia – Muriaé/MG

 

Dos males da alma

Quantas pessoas cabem na sua solidão? Quantas pessoas preenchem o seu vazio? Quantas pessoas escutam o seu silêncio?
Talvez a pior parte de ser consumido pela tristeza não seja a tristeza em si, mas a falta. A falta de vontade, a falta de interesse, a falta da confiança e a falta da esperança.
A falta da vontade de se preencher daquilo que costumava te tornar completo. A falta de interesse em se dedicar aquilo que te estimulava. A falta de confiança nas pessoas que te cercam e que são sempre, via de regra, incapazes de compreender o que se passa, nem sempre por não quererem, mas por vezes por não terem o olhar voltado para o outro. A falta de esperança de que, no final, as coisas melhoram, se recuperam, se fortalecem, afinal o que é a esperança e qual seu lugar frente a uma vida inteira?
O que consome não é a tristeza é a dúvida do que ela nos diz, de onde vem, do seu porque. O que consome é saber que o ciclo continua e continuará e que nada de novo cairá no seu caminho.
São gritos mudos que quando fomos capazes de vocalizar chegam em ouvidos surdos então de que adianta gritar?

Raquel Núbia

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Foto: @eubrunolopez

Sem razão ou por que

Será que as pessoas já pararam para pensar na quantidade de esforço que é necessário para manter o foco, a energia e o estado de espírito elevado? Quando paro pra pensar, mas pensar de verdade, numa análise quase absurda, em detalhes dos motivos pelos quais fazemos o que fazemos, a conclusão inevitável é de que nada faz sentido e nada importa.
O que tem valor hoje, no mundo que vivemos, só tem porque um dia alguém disse que tinha. O que é considerado importante, também segue o mesmo padrão de definição. Então quando paramos e nos perguntamos o porque das coisas, vemos que estamos como hasmters correndo em uma roda que gira e gira sem chegar a lugar nenhum.
O mundo tem sido um lugar estranho (independente da pandemia), um lugar em que as coisas, por vezes, parecem invertidas. Em que pessoas boas sofrem e pessoas de caráter duvidoso tem êxito… Por isso, no início eu disse que é necessário muito esforço para se manter positivo e persistente, porque todas as indicações e avisos nos dizem para fazer o contrário.
A gente usa muita energia pra manter o olhar voltado pro que é bom e isso nem sempre é fácil, ainda mais quando a gente perde um pouco o significado do que porque manter esse olhar…

Raquel Núbia

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Foto: @raquel__nubia – Muriaé/MG

Aqueles que não são plural

Nós somos tão raros e  nem percebemos… Não damos conta de como guardamos um universo inteiro dentro da gente, de como somos feitos de sonhos, esperanças, emoções.
Nós não nos percebemos valiosos, pois a todo tempo existe algo ou alguém nos apontando o contrário. Alguém que por vezes também tem tanto valor e ainda assim se limita no prazer de provocar no outro o que ele mesmo sente de ruim, de pequeno. Instiga no outro o que lhe tira o próprio brilho e que lhe corrói por dentro por não saber o que fazer com tudo aquilo.
E quem cultiva em si o campo germinado do amor, costuma se entregar e compartilhar de suas sementes sem nem mesmo conseguir pensar que quem pede o alimento e a beleza tão prestes a brotar, não é capaz de sentir satisfeito ou contemplar a flor que nascerá de suas mãos.
Nós somos raros e cada vez mais escassos. Nós somos raros e cada vez mais amedrontados ainda que permaneçamos com o peito repleto do que que falta no mundo.
Nós somos o que sabemos ser e vivemos do que nosso coração está cheio. Somos insistentes por teimar em sermos bons quando ao redor o mundo está em ruínas…
Nós somos o que resta da chance de um novo começo. Nós somos literalmente a pedra que resiste e por isso incomoda os que vivem de apontar nos outros o que falta em si mesmo.
Nós somos almas boas. Nós somos amor. E por isso, somos raros.

Raquel Núbia

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Foto: @tamara.loures

 

Relembrando: Proelium

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“Proelium

Viver. Verbo intransitivo: ter vida, estar com vida.
Viver. Transitivo direto e intransitivo: aproveitar (a vida) no que ela tem de melhor”.
É muito errado querer viver?
Pois sinto que, na maioria do tempo, apenas existimos e às vezes, somente existir não é o bastante.
Talvez existam níveis de “viver” em que algumas poucas pessoas vivem o tempo todo, outro grupo viva de vez em quando e uma outra parte apenas exista sem direito a vida.
Talvez apenas existimos por tanto tempo que, quando nos é dada a oportunidade de viver, simplesmente não conseguimos descobrir como fazer para aproveitá-la ao máximo e, nessa busca por desfrutar desses raros momentos de vida, a pressa é tanta que o tempo escorre entre os ponteiros do relógio.
Quem escolhe quem vive e quem existe?
A quem devemos recorrer para trocar de grupo?
O peso dessa herança é tão descomunal para aqueles que percebem o abismo que há entre viver e existir que, frente a impossibilidade de viver plenamente, nem sempre há desejo de se manter existindo.
Talvez viver não seja um privilégio de todos, mas sim um prêmio dado a poucos. Um prêmio que não está ligado à merecimento, mérito ou recompensa, mas apenas a uma divisão aleatória da qual se encarrega o universo.”

Raquel Núbia

Relembrando: Sobre o cultivo dos sentimentos

sobre o cultivo dos sentimentos

Sobre o cultivo dos sentimentos

Definitivamente eu acredito que o pior sentimento que alguém com quem você se importa pode sentir por você é a indiferença. Aquele sentimento morno, do tanto faz, onde se arruma justificativa para a ausência e para todos os erros torpes e onde nunca há um desejo real. A falta da questão da presença, da companhia e o pior, o costume com tudo isso… O costume com a presença, o costume com a companhia e com a falta dela.
Sempre digo que o tempo rouba muita coisa da gente. Rouba o encantamento, a curiosidade pelas coisas e pelas pessoas e é uma escolha, um esforço diário manter tudo isso seja pelo que for, amigos, trabalho, relacionamentos… É sempre uma escolha e quando escolhemos não fazê-la ou quando nos omitimos, abrimos caminho para outras escolhas.
Esse tanto faz adormece o sentimento no outro, pois todo sentimento deve ser cultivado.
Obviamente há tempo e hora pra tudo. Tempo para se estar com amigos, tempo para se estar acompanhado, tempo para se estar sozinho… O que não há é tempo a perder quando se trata de demonstrar ao outro o que ele significa pra gente.
O reconhecimento é importante. Dizer e demonstrar o que se pensa ser óbvio também é. Nunca podemos estar tão certos do que o outro sente pela gente ou do que sentimos pelo outro a ponto de deixar subentendido.
Não são necessárias grandes demonstrações… Valem mais os gestos contínuos que reforçam que estamos ali, que admiramos, sentimos falta. Que mostram que a presença faz diferença e que a ausência é sentida.
Que coisa mais triste se sentir invisível, se sentir o “tanto faz”… Sentimentos não mudam de uma hora pra outra, eles agonizam e se transformam aos poucos. Então se você sente algo, mostre e se não sente mais nada, liberte e deixe ir.”

Raquel Núbia 

Relembrando: Palavras soltas

palavras soltas

Palavras soltas

Desde ontem com vontade de escrever.
Muitos pensamentos, mas nenhuma ação de pegar a caneta e efetivamente produzir algo.
Agora já nem sei direito sobre o que queria falar.
Algo sobre não ser mais inocente e saber que quase sempre um ato esconde um interesse oculto, tem algo por trás.
Mesmo assim o coração vai sendo levado porque, por mais que a cabeça não seja uma criança deslumbrada, o coração insiste em ser aquele adolescente destemido que acredita que pode tudo e que, com ele, tudo vai ser diferente sempre.
É quase um super herói só que sem poderes mágicos ou super poderes, acaba mesmo caindo com tudo antes mesmo de tentar voar.”

Raquel Núbia
(08/07/2015)

Relembrando: Sobre ser folhas ao vento

sobre ser folha ao vento

Sobre ser folha ao vento

Tem dia que a gente acorda num lugar querendo estar em outro. Sente falta do sol, do tempo, do vento frio e das outras ruas por onde já caminhamos. Das esquinas diferentes, dos bom dias dos estranhos que nunca mais vimos… É uma saudade de algo que nem se tem certeza de que se viveu. Eu gosto de ter raízes, mas também preciso me sentir como a folha solta que o vento leva… “

Raquel Núbia

Relembrando: Altos e baixos

altos e baixos

Altos e baixos

Às vezes é difícil falar sobre nossas dificuldades, sobre os momentos em que nosso ânimo rebaixa e que a gente se cansa. Quando pensamos em escrever, expor ou compartilhar, pensamos também na reação do outro, de quem vai ouvir/ler nosso relato.
O que vão pensar?
Será que vão se regozijar?
Estranho pensar assim, mas sabemos que existem pessoas que ficam no aguardo, mesmo que todos nós tenhamos altos e baixos, apenas observando.
Ou… Isso é só uma cisma da nossa própria cabeça que, cansada, começa a se perder em devaneios e abrir espaço para aqueles pensamentos que precisam ser controlados, pois são poderosos, tanto os bons quanto os ruins.
A gente pode ficar cansado, pode se sentir desgastado, vez ou outra a gente se abate e tudo bem. É até preciso que tenhamos esse momento para absorver o que nos aflige, penas no que sentimos para podermos elaborar, ressignificar e encontrar alternativas e saídas, formas de voltarmos ao nosso estado normal.
E tem hora que o que a gente precisa é só de um tempo mesmo, um tempo para nos afastarmos, darmos um passo pra trás para respirarmos, tomarmos um fôlego para conseguirmos ter um novo impulso para, aí sim, conseguirmos dar um salto maior e melhor.”

Raquel Núbia