Relembrando: Sobre ser folhas ao vento

sobre ser folha ao vento

Sobre ser folha ao vento

Tem dia que a gente acorda num lugar querendo estar em outro. Sente falta do sol, do tempo, do vento frio e das outras ruas por onde já caminhamos. Das esquinas diferentes, dos bom dias dos estranhos que nunca mais vimos… É uma saudade de algo que nem se tem certeza de que se viveu. Eu gosto de ter raízes, mas também preciso me sentir como a folha solta que o vento leva… “

Raquel Núbia

Relembrando: Altos e baixos

altos e baixos

Altos e baixos

Às vezes é difícil falar sobre nossas dificuldades, sobre os momentos em que nosso ânimo rebaixa e que a gente se cansa. Quando pensamos em escrever, expor ou compartilhar, pensamos também na reação do outro, de quem vai ouvir/ler nosso relato.
O que vão pensar?
Será que vão se regozijar?
Estranho pensar assim, mas sabemos que existem pessoas que ficam no aguardo, mesmo que todos nós tenhamos altos e baixos, apenas observando.
Ou… Isso é só uma cisma da nossa própria cabeça que, cansada, começa a se perder em devaneios e abrir espaço para aqueles pensamentos que precisam ser controlados, pois são poderosos, tanto os bons quanto os ruins.
A gente pode ficar cansado, pode se sentir desgastado, vez ou outra a gente se abate e tudo bem. É até preciso que tenhamos esse momento para absorver o que nos aflige, penas no que sentimos para podermos elaborar, ressignificar e encontrar alternativas e saídas, formas de voltarmos ao nosso estado normal.
E tem hora que o que a gente precisa é só de um tempo mesmo, um tempo para nos afastarmos, darmos um passo pra trás para respirarmos, tomarmos um fôlego para conseguirmos ter um novo impulso para, aí sim, conseguirmos dar um salto maior e melhor.”

Raquel Núbia

Relembrando: Das convenções do cotidiano

das convenções do cotidiano

Das convenções do cotidiano

Desde que engravidei tenho tido muitos aprendizados sobre coisas que ninguém fala a respeito da gravidez em si. Geralmente o que a gente escuta se refere às maravilhas das experiências de gestante e de como todos os obstáculos valem a pena quando seu bebê nasce.
Mas… Não é bem assim. E algumas situações que tenho vivido demonstram bem como algumas pessoas tem a tendência de romantizar situações que são ruins como se isso enaltecesse o fato de termos conseguido supera-las, como se somente sofrendo fôssemos capazes de ser recompensados, como se não houvesse “final feliz” sem um caminho tortuoso e que esse caminho é justificável, afinal do outro lado nos espera uma grande realização.
Eu discordo totalmente!
Outro dia me disseram que sentirei falta dos enjoos e vômitos diários pelos quais passei nos três meses de gestação. Me desculpe, mas não sentirei não!
Me disseram que as dores nas costas são apenas um sinal de que o bebê está crescendo… Eu sei, mas essas dores doem!
O que é ruim é real e eu não vejo motivos para amenizar o que me incomoda como justificativa para ser feliz ao final dos 9 meses. Tem muita coisa boa nesse processo, muita mesmo! Mas tem muita coisa ruim também…
Essa romantização tende a nos fazer aceitar situações que não precisamos aceitar e esses exemplos que citei acima relacionados a gestação são apenas um recorte.
Nos dizem que aceitar mal humor do chefe é normal, que nos submeter a tradições familiares com as quais não concordamos é normal… mas não é. Não é normal, sofrer pelos desajeitos do namorado, dos pais. Não é normal sentir dores de cabeça, nas costas, tomar remédios para suportar a ansiedade e a pressão do trabalho. Simplesmente não é.
Não podemos crer que seja. Precisamos saber o valor e o custo real das coisas e das situações para não nos subordinarmos ao que é desnecessário e ao que custa nossa saúde física ou mental.
Analise.
Preste atenção.
E não se submeta.”

Raquel Núbia

Relembrando: Indiferença

indiferença

Indiferença

Um dos sentimentos que mais me aborrecem e que menos gosto de ter é aquela sensação de deixar de admirar alguém… Quando algo se quebra, se apaga. Você olha a pessoa e simplesmente não consegue mais sentir aquele encantamento anterior. Ela simplesmente não te diz mais nada. Saiu do patamar e pessoas especiais e caiu naquele de mais uma pessoa do seu cotidiano.
Eu tento respeitar todos ao meu redor, mesmo que sejam pessoas das quais eu não goste pessoalmente, porque não conheço todas as suas lutas mas sei que estas lutas existem, assim como existem pra mim. Mas admirar, são poucas, não é mesmo?
Alumas por sua postura, outras por seu empenho, inteligência… Admiro pessoas nas quais me espelho…
E, de repetente, sentir que aquela ou aquelas pessoas que você admirava não são dignas do seu sentimento deixa a gente um pouco vazio por dentro. Faz a gente repensar em quem devemos colocar nossos esforços e quem realmente vale nossa atenção. É um eterno recomeço e aprendizado. Colocar nossa energia somente onde ela é necessário e não perder nosso tempo e sentimento com pessoas tão voltadas a si mesmo.
Isso é uma coisa que a gente precisa ter em mente. Não se trata de dosar expectativas, se trata de saber que se não te atribuem o valor que você merece, também não são dignos de serem valorizados por você.
Precisamos saber nosso lugar, ao que pertencemos e aí sim dosar o que oferecemos a quem não compartilha disso tudo com a gente.”

Raquel Núbia

Relembrando: Antecipação

Às vezes a gente passa tempo de mais lutando contra o que é inevitável ao invés de buscar novas formas de encarar o que não podemos mudar. Nem sempre temos o poder de alterar o que nos acontece, mas o poder é todo nosso quando se trata de como encaramos as circunstâncias da vida e o que fazemos com elas.

antecipação

Antecipação

Um dos melhores sentimentos que se pode ter é aquele que vem da vontade simples e despretensiosa de aproveitar o dia e tudo o que ele nos trouxer. Aquele desejo de cumprir com o que há para fazer, da melhor forma possível, buscando melhorias e tentando satisfazer plenamente os objetivos que estão traçados, dos menores aos maiores.
E faço questão de frisar a palavra “tentando” para que possamos nos lembrar de que todo esforço é válido na busca das nossas realizações e, mesmo quando não há o sucesso integral, saber que fizemos tudo o que estava ao nosso alcance pode ser reconfortante e uma fonte importante de energia para tentar novamente.
Há de se considerar sempre a intenção com a qual realizamos as coisas e nos comportamos. Mas é preciso ter cautela para não nos escondermos por trás disso, principalmente quando cometemos algum erro ou prejudicamos alguém, pois a intenção das nossas ações tem muito poder.
Sendo assim, vamos tentar fazer sempre o nosso melhor, nos colocarmos em paz conosco e com as decisões que tomamos. Desejar o que os dias nos trazem e nos adaptarmos, lidando prontamente com o que não desejamos, mas temos que lidar.
Vamos cultivar esse sentimento, essa sensação de estar de peito aberto para desfrutar da vida com seus dias de sol e com seus dias de chuva.
Estar bem com e gente mesmo nos permite isso.
Vamos tentar?”

Raquel Núbia

Relembrando: Dejavú

dejavú

Dejavú

Hoje acordei com cara e gosto de ontem…
Sabe quando parece que o dia guarda um monte de coisa, mas na verdade essas coisas todas já aconteceram lá no passado? Uma viagem, um passeio, qualquer atividade… Não sei explicar direito, mas estou com essa sensação desde ontem a tardinha e hoje ela permaneceu.
Não sei se é o fato do sol estar entrando frio pela varanda da sala, com esse ventinho que lembra a gente que apesar do céu azul, o que domina é o tempo frio e tempo frio já sabe, né?
Dias claros me transportam, pequenos momentos me transportam… Conversas…
Realmente creio que não estou sabendo me fazer entender, mas precisava dizer, depois de meses sem escrever por aqui (e em qualquer outro lugar), hoje até essa vontade apareceu latente.
Enfim.
Acho que é comum esse tipo de sentimento. Não chega a ser uma nostalgia, é apenas como se o dia estivesse se repetindo, mas não está. É como se você acordasse em um dia do passado, com as mesmas características de outra época que você viveu, só que ao invés de fazer o que você fazia, você fará novas coisas, bem diferentes do que te trouxe a memória.
A vida passa. Muita coisa muda. As pessoas seguem seus caminhos de acordo com suas prioridades e não é preciso se comparar para saber se está bem ou satisfeito com o que se tem, pois cada um busca aquilo que acredita ser melhor para si e nem sempre esses interesses colidem entre as pessoas. Talvez por isso mudamos nossas companhias e quem queremos do nosso lado, pois buscamos aqueles que compartilham dos nossos desejos e nos ajudam a alcançá-los.
O dia pode ter acordado com sensação de passado, mas é o presente e o futuro que me guarda os maiores e melhores dias.”

Raquel Núbia

Relembrando: Dias de hoje

Publicada há dois anos aqui, infelizmente não creio que depois de tanto tampo essa crônica seja menos atual…

dias de hoje

“Dias de hoje

Parada na porta do meu prédio esperando minha carona quando um rapaz se aproxima. Coloco o telefone na bolsa e dou dois passos pra trás, pois o portão está aberto. Ele continua andando na minha direção e diz: ” A senhora me arruma um pouquinho de arroz e feijão? Não precisa se assustar não que eu não sou ladrão.” Triste.
Se a gente para pra pensar, sente o peito diminuir e inicia um questionamento que parece que não tem fim sobre tudo o que nos cerca. Sobre o por que das coisas estarem como estão, sobre o por que de tudo ter chegado onde chegou e, principalmente o que nós, tão pequenos indivíduos poderíamos ou ainda podemos fazer pra reverter, se é que há alguma coisa a ser feita.
A gente sente medo e nem sabe mais do que.
A gente se compadece mas nem sabe mais por quem.
A gente vive e nem sabe mais por que…”

Raquel Núbia

Relembrando: Atimia

Se tem um sentimento que se repete corriqueiramente dentro de mim e esse sentimento de um passado agarrado no presente ainda que longínquo…

atimia

Atimia

Tem hora que parece que volto no tempo e me voltam interesses de tanto tempo atrás. Eu começo a querer fazer coisas e ter sentimentos velhos, fico saudosa do que já vivi, as alegrias que tive e das coisas que já senti.
Bate uma nostalgia… uma falta de algumas pessoas, das histórias ligadas a elas, das situações, até dos cheiros, sensações, das roupas, dos planos e dos sonhos.
Quando menos espero, percebo que tudo isso está num passado tão distante, que essas pessoas das quais sinto saudade, aliás, mais nostalgia, estão em outro momento, assim como eu também estou, mas sem nem sequer devem se lembrar desse passado.
Eu tenho sempre saudade do céu azul limpinho e das manhãs frias que o acompanhavam… do sol quentinho das 9h30, do perfume e do cheiro das pessoas. De como costumava achar tudo tão importante e da vontade que tínhamos de resolver tudo de pressa.
Nossos maiores problemas estavam sempre no futuro e agora que o futuro chegou, o presente traz problemas tão maiores… nos quais eu não vejo importância, nem urgência, muito menos vontade.
O futuro chegou e eu acho que meu eu do passado não está nada orgulhoso do eu de hoje e assim eu não vivo nem lá, nem cá.
Por que as manhãs não podem ser sempre frias e de céu azul?”

Raquel Núbia

Relembrando: Divagando

divagando

Divagando

A vida da umas voltas estranhas, não é mesmo? A gente se pega desejando aquilo que nunca desejou, fazendo coisas que disse que nunca iria fazer e sentindo coisas que jamais achou que ia sentir. 

Talvez o tempo seja o grande responsável por isso, como várias vezes eu já escrevi, ou talvez o grande responsável seja a gente mesmo porque, afinal, o que a gente deseja, faz e sente diz respeito a nós mesmos mesmo quando em relação a outras pessoas.

O que a gente sente e pensa dos outros quase não se relaciona com o que tal pessoa realmente é, mas sim com a nossa forma de vê-la. Nossa visão é sempre impregnada de nós mesmos e, como consequência, nós estamos em tudo o que dizemos e sentimos.

Nao sei se estou conseguindo me fazer entender…

Às vezes a gente pensa que o mundo mudou, que as coisas mudaram quando, na verdade, o que mudou foi a gente mesmo e quando a gente muda, todo o resto muda junto.

A gente redefine prioridades, redefine relacionamentos e, quase sempre, essas redefinições trazem um conforto e uma paz muito grande, pelo menos é o que se espera.

Dia desses tive a oportunidade de reparar arestas. Ainda é cedo pra dizer que retomei laços mas posso dizer que consegui polir alguns espinhos e essas oportunidades são raras. Sempre há muito orgulho a ser combatido e baixar a guarda não deve ser visto como fraqueza, nem grandeza, apenas como algo a se fazer.

Fico pensando… Se houvesse outras oportunidades, certamente eu teria algumas coisas a dizer. Mas, ainda assim, não são coisas que me sufocam, mas sim que existem dentro de mim hoje de uma forma diferente do que existia no passado.

Acho que isso vem com a maturidade que costuma nos libertar, em parte, da preocupação com que os outros vão pensar. As pessoas podem pensar tudo o que quiserem mas, acima de tudo, precisam respeitar. Nós precisamos.

A vida já costuma ser problemática demais e não precisa que a gente complique ainda mais com as nossas próprias mãos. Em certos casos, as pessoas esperam que sintamos raiva, que coloquemos a responsabilidade no outro mas nem sempre isso se aplica.

Se em algum momento você perceber que o que você sentia até ontem mudou  e não corresponde mais ao que você sente hoje, mude! Vá atrás do que você sente e do que te diz sua mente e sua verdade. A gente até constrói muros, mas pode construir pontes… Algumas já estão prontas na nossa frente, basta vontade de atravessa-las.”

Raquel Núbia 

 

Relembrando: Inconstância x Incoerência

Das coisas que não consigo compreender ainda hoje…

incostância x incoerência

Inconstância x Incoerência

Quantas pessoas cabem dentro da gente?
Quantas versões de nós mesmos podemos ser?
Quantas vezes ainda vamos mudar de ideia?
Quantas vezes ainda vamos nos surpreender?

Que se afaste de mim o desejo de me manter sempre na normalidade, estagnada, sem jamais passar por nenhuma alteração! A cada vez que o novo se apresenta, há uma nova chance de aprendizado, de amadurecimento e de mudança. E a cada vez que a repetição se apresenta, há uma chance de olhar de novo com um outro olhar… Reparar em detalhes que não havíamos percebido antes.
A mudança, às vezes, causa medo, mas até mesmo o enfrentar desse medo nos modifica. Acreditar que somos imutáveis é desacreditar na natureza humana. Jamais hei de pedir, exigir ou crer que as pessoas não mudam. Que sejam mudanças positivas ou negativas, elas acontecem.

Mas, cabe aqui um parêntese ou um parágrafo.

Mudança não implica em incoerência.
Ser incoerente é perder a harmonia entre os fatos e as ideias.
Posso deixar de gostar de lilás e me apaixonar pelo verde! Mas não posso amar o verde e reclamar da cor das florestas!

Mude sempre que quiser!
Mas mantenha a coerência nas suas escolhas, principalmente na relação entre o que você diz e o que faz, ainda que ninguém veja.
Faz bem ser singular e muitas vezes contraditório, mas não se perca no caminho – seja fiel a você mesma.”

Raquel Núbia