Sem razão ou por que

Será que as pessoas já pararam para pensar na quantidade de esforço que é necessário para manter o foco, a energia e o estado de espírito elevado? Quando paro pra pensar, mas pensar de verdade, numa análise quase absurda, em detalhes dos motivos pelos quais fazemos o que fazemos, a conclusão inevitável é de que nada faz sentido e nada importa.
O que tem valor hoje, no mundo que vivemos, só tem porque um dia alguém disse que tinha. O que é considerado importante, também segue o mesmo padrão de definição. Então quando paramos e nos perguntamos o porque das coisas, vemos que estamos como hasmters correndo em uma roda que gira e gira sem chegar a lugar nenhum.
O mundo tem sido um lugar estranho (independente da pandemia), um lugar em que as coisas, por vezes, parecem invertidas. Em que pessoas boas sofrem e pessoas de caráter duvidoso tem êxito… Por isso, no início eu disse que é necessário muito esforço para se manter positivo e persistente, porque todas as indicações e avisos nos dizem para fazer o contrário.
A gente usa muita energia pra manter o olhar voltado pro que é bom e isso nem sempre é fácil, ainda mais quando a gente perde um pouco o significado do que porque manter esse olhar…

Raquel Núbia

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Foto: @raquel__nubia – Muriaé/MG

Aqueles que não são plural

Nós somos tão raros e  nem percebemos… Não damos conta de como guardamos um universo inteiro dentro da gente, de como somos feitos de sonhos, esperanças, emoções.
Nós não nos percebemos valiosos, pois a todo tempo existe algo ou alguém nos apontando o contrário. Alguém que por vezes também tem tanto valor e ainda assim se limita no prazer de provocar no outro o que ele mesmo sente de ruim, de pequeno. Instiga no outro o que lhe tira o próprio brilho e que lhe corrói por dentro por não saber o que fazer com tudo aquilo.
E quem cultiva em si o campo germinado do amor, costuma se entregar e compartilhar de suas sementes sem nem mesmo conseguir pensar que quem pede o alimento e a beleza tão prestes a brotar, não é capaz de sentir satisfeito ou contemplar a flor que nascerá de suas mãos.
Nós somos raros e cada vez mais escassos. Nós somos raros e cada vez mais amedrontados ainda que permaneçamos com o peito repleto do que que falta no mundo.
Nós somos o que sabemos ser e vivemos do que nosso coração está cheio. Somos insistentes por teimar em sermos bons quando ao redor o mundo está em ruínas…
Nós somos o que resta da chance de um novo começo. Nós somos literalmente a pedra que resiste e por isso incomoda os que vivem de apontar nos outros o que falta em si mesmo.
Nós somos almas boas. Nós somos amor. E por isso, somos raros.

Raquel Núbia

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Foto: @tamara.loures

 

Relembrando: Proelium

proelium

“Proelium

Viver. Verbo intransitivo: ter vida, estar com vida.
Viver. Transitivo direto e intransitivo: aproveitar (a vida) no que ela tem de melhor”.
É muito errado querer viver?
Pois sinto que, na maioria do tempo, apenas existimos e às vezes, somente existir não é o bastante.
Talvez existam níveis de “viver” em que algumas poucas pessoas vivem o tempo todo, outro grupo viva de vez em quando e uma outra parte apenas exista sem direito a vida.
Talvez apenas existimos por tanto tempo que, quando nos é dada a oportunidade de viver, simplesmente não conseguimos descobrir como fazer para aproveitá-la ao máximo e, nessa busca por desfrutar desses raros momentos de vida, a pressa é tanta que o tempo escorre entre os ponteiros do relógio.
Quem escolhe quem vive e quem existe?
A quem devemos recorrer para trocar de grupo?
O peso dessa herança é tão descomunal para aqueles que percebem o abismo que há entre viver e existir que, frente a impossibilidade de viver plenamente, nem sempre há desejo de se manter existindo.
Talvez viver não seja um privilégio de todos, mas sim um prêmio dado a poucos. Um prêmio que não está ligado à merecimento, mérito ou recompensa, mas apenas a uma divisão aleatória da qual se encarrega o universo.”

Raquel Núbia

Relembrando: Sobre o cultivo dos sentimentos

sobre o cultivo dos sentimentos

Sobre o cultivo dos sentimentos

Definitivamente eu acredito que o pior sentimento que alguém com quem você se importa pode sentir por você é a indiferença. Aquele sentimento morno, do tanto faz, onde se arruma justificativa para a ausência e para todos os erros torpes e onde nunca há um desejo real. A falta da questão da presença, da companhia e o pior, o costume com tudo isso… O costume com a presença, o costume com a companhia e com a falta dela.
Sempre digo que o tempo rouba muita coisa da gente. Rouba o encantamento, a curiosidade pelas coisas e pelas pessoas e é uma escolha, um esforço diário manter tudo isso seja pelo que for, amigos, trabalho, relacionamentos… É sempre uma escolha e quando escolhemos não fazê-la ou quando nos omitimos, abrimos caminho para outras escolhas.
Esse tanto faz adormece o sentimento no outro, pois todo sentimento deve ser cultivado.
Obviamente há tempo e hora pra tudo. Tempo para se estar com amigos, tempo para se estar acompanhado, tempo para se estar sozinho… O que não há é tempo a perder quando se trata de demonstrar ao outro o que ele significa pra gente.
O reconhecimento é importante. Dizer e demonstrar o que se pensa ser óbvio também é. Nunca podemos estar tão certos do que o outro sente pela gente ou do que sentimos pelo outro a ponto de deixar subentendido.
Não são necessárias grandes demonstrações… Valem mais os gestos contínuos que reforçam que estamos ali, que admiramos, sentimos falta. Que mostram que a presença faz diferença e que a ausência é sentida.
Que coisa mais triste se sentir invisível, se sentir o “tanto faz”… Sentimentos não mudam de uma hora pra outra, eles agonizam e se transformam aos poucos. Então se você sente algo, mostre e se não sente mais nada, liberte e deixe ir.”

Raquel Núbia 

Relembrando: Palavras soltas

palavras soltas

Palavras soltas

Desde ontem com vontade de escrever.
Muitos pensamentos, mas nenhuma ação de pegar a caneta e efetivamente produzir algo.
Agora já nem sei direito sobre o que queria falar.
Algo sobre não ser mais inocente e saber que quase sempre um ato esconde um interesse oculto, tem algo por trás.
Mesmo assim o coração vai sendo levado porque, por mais que a cabeça não seja uma criança deslumbrada, o coração insiste em ser aquele adolescente destemido que acredita que pode tudo e que, com ele, tudo vai ser diferente sempre.
É quase um super herói só que sem poderes mágicos ou super poderes, acaba mesmo caindo com tudo antes mesmo de tentar voar.”

Raquel Núbia
(08/07/2015)

Relembrando: Sobre ser folhas ao vento

sobre ser folha ao vento

Sobre ser folha ao vento

Tem dia que a gente acorda num lugar querendo estar em outro. Sente falta do sol, do tempo, do vento frio e das outras ruas por onde já caminhamos. Das esquinas diferentes, dos bom dias dos estranhos que nunca mais vimos… É uma saudade de algo que nem se tem certeza de que se viveu. Eu gosto de ter raízes, mas também preciso me sentir como a folha solta que o vento leva… “

Raquel Núbia

Relembrando: Altos e baixos

altos e baixos

Altos e baixos

Às vezes é difícil falar sobre nossas dificuldades, sobre os momentos em que nosso ânimo rebaixa e que a gente se cansa. Quando pensamos em escrever, expor ou compartilhar, pensamos também na reação do outro, de quem vai ouvir/ler nosso relato.
O que vão pensar?
Será que vão se regozijar?
Estranho pensar assim, mas sabemos que existem pessoas que ficam no aguardo, mesmo que todos nós tenhamos altos e baixos, apenas observando.
Ou… Isso é só uma cisma da nossa própria cabeça que, cansada, começa a se perder em devaneios e abrir espaço para aqueles pensamentos que precisam ser controlados, pois são poderosos, tanto os bons quanto os ruins.
A gente pode ficar cansado, pode se sentir desgastado, vez ou outra a gente se abate e tudo bem. É até preciso que tenhamos esse momento para absorver o que nos aflige, penas no que sentimos para podermos elaborar, ressignificar e encontrar alternativas e saídas, formas de voltarmos ao nosso estado normal.
E tem hora que o que a gente precisa é só de um tempo mesmo, um tempo para nos afastarmos, darmos um passo pra trás para respirarmos, tomarmos um fôlego para conseguirmos ter um novo impulso para, aí sim, conseguirmos dar um salto maior e melhor.”

Raquel Núbia

Relembrando: Das convenções do cotidiano

das convenções do cotidiano

Das convenções do cotidiano

Desde que engravidei tenho tido muitos aprendizados sobre coisas que ninguém fala a respeito da gravidez em si. Geralmente o que a gente escuta se refere às maravilhas das experiências de gestante e de como todos os obstáculos valem a pena quando seu bebê nasce.
Mas… Não é bem assim. E algumas situações que tenho vivido demonstram bem como algumas pessoas tem a tendência de romantizar situações que são ruins como se isso enaltecesse o fato de termos conseguido supera-las, como se somente sofrendo fôssemos capazes de ser recompensados, como se não houvesse “final feliz” sem um caminho tortuoso e que esse caminho é justificável, afinal do outro lado nos espera uma grande realização.
Eu discordo totalmente!
Outro dia me disseram que sentirei falta dos enjoos e vômitos diários pelos quais passei nos três meses de gestação. Me desculpe, mas não sentirei não!
Me disseram que as dores nas costas são apenas um sinal de que o bebê está crescendo… Eu sei, mas essas dores doem!
O que é ruim é real e eu não vejo motivos para amenizar o que me incomoda como justificativa para ser feliz ao final dos 9 meses. Tem muita coisa boa nesse processo, muita mesmo! Mas tem muita coisa ruim também…
Essa romantização tende a nos fazer aceitar situações que não precisamos aceitar e esses exemplos que citei acima relacionados a gestação são apenas um recorte.
Nos dizem que aceitar mal humor do chefe é normal, que nos submeter a tradições familiares com as quais não concordamos é normal… mas não é. Não é normal, sofrer pelos desajeitos do namorado, dos pais. Não é normal sentir dores de cabeça, nas costas, tomar remédios para suportar a ansiedade e a pressão do trabalho. Simplesmente não é.
Não podemos crer que seja. Precisamos saber o valor e o custo real das coisas e das situações para não nos subordinarmos ao que é desnecessário e ao que custa nossa saúde física ou mental.
Analise.
Preste atenção.
E não se submeta.”

Raquel Núbia

Relembrando: Indiferença

indiferença

Indiferença

Um dos sentimentos que mais me aborrecem e que menos gosto de ter é aquela sensação de deixar de admirar alguém… Quando algo se quebra, se apaga. Você olha a pessoa e simplesmente não consegue mais sentir aquele encantamento anterior. Ela simplesmente não te diz mais nada. Saiu do patamar e pessoas especiais e caiu naquele de mais uma pessoa do seu cotidiano.
Eu tento respeitar todos ao meu redor, mesmo que sejam pessoas das quais eu não goste pessoalmente, porque não conheço todas as suas lutas mas sei que estas lutas existem, assim como existem pra mim. Mas admirar, são poucas, não é mesmo?
Alumas por sua postura, outras por seu empenho, inteligência… Admiro pessoas nas quais me espelho…
E, de repetente, sentir que aquela ou aquelas pessoas que você admirava não são dignas do seu sentimento deixa a gente um pouco vazio por dentro. Faz a gente repensar em quem devemos colocar nossos esforços e quem realmente vale nossa atenção. É um eterno recomeço e aprendizado. Colocar nossa energia somente onde ela é necessário e não perder nosso tempo e sentimento com pessoas tão voltadas a si mesmo.
Isso é uma coisa que a gente precisa ter em mente. Não se trata de dosar expectativas, se trata de saber que se não te atribuem o valor que você merece, também não são dignos de serem valorizados por você.
Precisamos saber nosso lugar, ao que pertencemos e aí sim dosar o que oferecemos a quem não compartilha disso tudo com a gente.”

Raquel Núbia

Relembrando: Antecipação

Às vezes a gente passa tempo de mais lutando contra o que é inevitável ao invés de buscar novas formas de encarar o que não podemos mudar. Nem sempre temos o poder de alterar o que nos acontece, mas o poder é todo nosso quando se trata de como encaramos as circunstâncias da vida e o que fazemos com elas.

antecipação

Antecipação

Um dos melhores sentimentos que se pode ter é aquele que vem da vontade simples e despretensiosa de aproveitar o dia e tudo o que ele nos trouxer. Aquele desejo de cumprir com o que há para fazer, da melhor forma possível, buscando melhorias e tentando satisfazer plenamente os objetivos que estão traçados, dos menores aos maiores.
E faço questão de frisar a palavra “tentando” para que possamos nos lembrar de que todo esforço é válido na busca das nossas realizações e, mesmo quando não há o sucesso integral, saber que fizemos tudo o que estava ao nosso alcance pode ser reconfortante e uma fonte importante de energia para tentar novamente.
Há de se considerar sempre a intenção com a qual realizamos as coisas e nos comportamos. Mas é preciso ter cautela para não nos escondermos por trás disso, principalmente quando cometemos algum erro ou prejudicamos alguém, pois a intenção das nossas ações tem muito poder.
Sendo assim, vamos tentar fazer sempre o nosso melhor, nos colocarmos em paz conosco e com as decisões que tomamos. Desejar o que os dias nos trazem e nos adaptarmos, lidando prontamente com o que não desejamos, mas temos que lidar.
Vamos cultivar esse sentimento, essa sensação de estar de peito aberto para desfrutar da vida com seus dias de sol e com seus dias de chuva.
Estar bem com e gente mesmo nos permite isso.
Vamos tentar?”

Raquel Núbia