Simples (?)

E quem é que tem a habilidade de amolecer meu coração…
E as pessoas sempre pensam que são muitos os amigos, mas a verdade é que não são. O que existe em grande número são pessoas com as quais me relaciono bem e posso me divertir sem ficar me vigiando. Amigos mesmo são exceções, daquelas poucas que já me viram nas melhores e nas piores situações que poderiam, quando não permiti que ninguém mais se aproximasse… e sempre foi assim.
Sou daquelas mineiras de raiz… Desconfiada… E não permito que quase ninguém tenha acesso ao que se passa nos meus pensamentos mais profundos ainda menos no meu coração.
Por isso que todo mundo acha que eu sou um tipo de pessoa mas na verdade, não sabem de nada…
Desconfiada que sou, sempre pulo fora antes que me convidem a me retirar (às vezes até de forma precipitada), mas isso (na minha cabeça maluca) funciona como uma forma de prevenir aborrecimentos e decepções…
Eu sou dois pés atrás, o tempo todo.
A não ser quando me deparo com amolecedores de corações inamolecíveis… Que são exceções das exceções.
Aí não tem jeito… Eu mergulho de cabeça sem nem ver se a profundidade vai me aceitar…
Aí eu gosto mesmo e de repente fica tarde demais pra voltar, repensar e mudar tudo.
Aí sinto falta, fico com saudades, perco a graça se não tô junto, fico perdida se não converso, me preocupo…
Na minha cabeça extra pensante e no meu coração extra sensitivo cultivo um desejo de guardar essas super exceções numa caixinha com um laço de fita, carregar pra todo canto e não deixar ninguém mais “usar”, só eu.
Bom seria se pudesse.

Simples

Raquel Núbia

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Falando sobre “medo”

Estava eu me preparando para escrever um texto/poesia/qualquer coisa falando sobre os medos que temos quando, sem querer, me lembrei de um livro que li quando ainda era criança e que falava desse tema.
Pesquisando, encontrei o texto e até a imagem da capa do livro, que hoje já mudou e está mais elaborado (pausa para nostalgia).

Então, dando devidamente os créditos à autora e reforçando que o conteúdo abaixo NÃO É de minha autoria compartilho:

“Tantos Medos e Outras Coragens
(Autora: Roseana Murray)

Muitos medos a gente tem e outros a gente não tem. Os medos são como olhos de gato brilhando no escuro.

Há por exemplo, o medo de escuro e tudo o que o escuro tem: lobo mau, floresta virgem, alma do outro mundo, portas fechadas, cavernas, porões, ai que pavor!
O escuro tem mãos de veludo que fazem o coração rolar pela escada, pela rua, pela noite afora como um cavalo sem freio.

Só que tem gente que não tem medo de escuro, tem gente que gosta de andar sentindo o vento da noite, o silêncio grosso da noite.

E tem o medo de bicho, rato, cobra, barata, morcego, aranha e lagartixa. Tem gente que nem liga, pega o chinelo e vai esmigalhando, ou simplesmente de um jeito mui digno, passa por cima.

E tem medo de conhecer outras pessoas, medo de ir a festa, medo de dançar errado, o medo terrível de qualquer primeiro dia.

E tem medo de mudar de casa, de mudar de rua, de cidade, de país. Mas tem gente que adora ir e dançar e conhecer amigo novo. Tem gente que adora se mudar, que adora primeiro dia de aula.

E o medo de roupa nova tão sem cara da gente. Medo de comprar sapato, medo de falar no telefone com quem nunca se falou. Mas tem quem escolhe fácil, entra na loja e já vai sabendo o que é bonito sem nem duvidar.

E o medo daqueles lugares imensos que vão se entupindo de gente e a gente vai diminuindo, quase que vira formiga. Tem gente que adora quanto mais cheio melhor.
E o medo de que não gostem mais da gente, depois de tanto tempo sem se ver, ou que tenham esquecido o nosso nome. Tem gente que nem pensa nisso. Acha que é inesquecível e gostável sempre.

E o medo de não conseguir não importa o que: fazer um desenho bonito, tirar nota boa, aprender violão. Tem gente, mesmo sem saber, já sai tocando a bola pra frente.
E o medo de não achar um amor na vida, de ficar só no mundo a vida inteira. Tem gente que nunca pensou nesse assunto, acha que tem um amor sempre esperando na próxima esquina.

Os medos são como flores secretas, cores secretas, invisíveis vaga-lumes marcando o caminho. Isso a gente faz, isso a gente não faz. Como um relógio oculto. Isso a gente não faz. Que a vida é um jogo assim, de tantos medos e outras coragens.

(MURRAY, Rosena. Tantos Medos e outras Coragens.São Paulo: FTD, 1994)”

ROSEANA

Raquel Núbia