Relembrando: Meu coração

Confira a poesia e o post original clicando aqui:

Meu coração
Foto: Raquel Núbia – Alto Caparaó/MG

“Meu coração

Meu coração já bate apertado
Chorando os dias que estão por vir.
Você longe e não do meu lado,
Eu distante e sozinha aqui.

Meu coração bate ciumento
Por saber que há outro alguém
Que vai dividir cada momento,
Enquanto eu fico sem ninguém.

Meu coração bate angustiado
E pulsando o que não quer pulsar.
Por saber que o meu menino amado
Em outros braços vai se aconchegar.

Meu coração bate de teimoso
Porque motivo não há pra bater.
Se quem ele guarda, tão precioso,
Quando mais precisa, não pode ter.”

Raquel Núbia

“Ponto&Vírgula” – Post 07

Sobre aquela que um dia tirou o meu sorriso

Dia desses estava lendo meus textos “antigos”, desde o início do Blog… Não consegui ler todos, mas passei por muitos. Curioso como cada um deles me trouxe uma memória, alguns me levaram exatamente para o momento de sua criação, reacenderam sentimentos, alegrias, perdas mas, acima de tudo me mostraram que consegui sair do lugar. Consegui me mover.
Em algumas passagens me via tão absorvida pelas questões que me cercavam, lutando contra um sentimento ruim que brotava dentro de mim, direcionado a pessoas que eu nem conhecia tão bem, mas que, com seus atos odiosos, despertavam em mim meu pior lado.
Hoje não mais.
Na verdade, hoje penso em como teria sido se eu tivesse tido a oportunidade de tratar todas aquelas coisas de modo mais direto, falando diretamente com quem me direcionava tanta ira, falando abertamente. Mas essa oportunidade me foi negada e nem posso culpá-la por isso, pois quem me pediu cautela na tratativa de tanto alvoroço nem foi ela…
Quantas vezes a odiei sem fim!
E sim, era ódio mesmo! Naquele nível que nos transforma e revela o pior de nós. Quando reflito, nem sem porque senti tanto, com tamanha proporção, pois as ações dela contra mim se resumiram em um amontoado de palavras amargas que projetavam em mim seus próprios medos e suas próprias frustrações, afinal o objeto real de seu ódio lhe foi tirado repentinamente e como, provavelmente odiar quem um dia se amou tanto pode ser muito difícil, inconscientemente ela decidiu odiar o que mais personificava sua dor: alguém melhor e mais feliz.
Não é curioso como personificamos em algumas pessoas os nossos piores sentimentos? E, em algumas vezes, essas pessoas são apenas um estandarte, uma representação que carregam características que nós colocamos nelas e que, nem sempre elas realmente tem.
Claro que ninguém fica satisfeito recebendo ataques, sendo assediada e tendo pessoas queridas sendo assediadas também a troco de nada. Talvez meu advogado tenha ficado satisfeito quando o procurei com provas suficientes para uma causa ganha! Mas logo ficou insatisfeito quando eu desisti de acionar a justiça. Não valeria a pena. Nada que tira a minha paz, vale.
Hoje me sinto melhor por conseguir revisitar esse recorte do meu passado sem sentir tanta coisa ruim. Às vezes sinto, ainda mais quando penso em tudo o que não foi dito, mas nada que me impeça de seguir com coração mais tranquilo.
Não sei se um dia a gente ainda vai se esbarrar por aí… Impressionante como cidades tão pequenas ficam tão grandes quando nossos ciclos se encerram. São as mesmas ruas, pessoas e lugares, mas alguns rostos nunca mais aparecem! E, se um dia chegar esse momento de, novamente estarmos no mesmo lugar ao mesmo tempo, não sei qual será a minha reação.
A única certeza que tenho é que, independente do que aconteça, de qual comportamento e sentimento será despertado, sei que sua origem será o meu lugar seguro de sempre, que me guiou naqueles tempos e que me guia ainda hoje, ao qual recorro sem medo de errar: meu coração.
Um coração que ainda que remendado, empoeirado e tantas vezes descompassado, não deixa de bater pelos meus passos certos.

Raquel Núbia

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Ressentido

Sabe o que machuca mesmo?
Sorrir querendo chorar.
Ouvir querendo falar.
Usar ponto de exclamação quando o coração quer usar o ponto final.
O que machuca mesmo é guardar a tristeza no bolso e ouvir os lamentos do outro quando são esses lamentos que estão machucando…
Machuca mesmo é acordar de madrugada e não conseguir mais dormir pensando em possibilidades que estão fora de controle.
O que machuca é o sentimento de que, não importa o quanto você seja boa, presente, incrível e perfeita, nunca será o suficiente, porque sempre haverá alguém melhor do que você.

Raquel Núbia

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Foto: Raquel Núbia

Antecipação

Um dos melhores sentimentos que se pode ter é aquele que vem da vontade simples e despretensiosa de aproveitar o dia e tudo o que ele nos trouxer. Aquele desejo de cumprir com o que há para fazer, da melhor forma possível, buscando melhorias e tentando satisfazer plenamente os objetivos que estão traçados, dos menores aos maiores.
E faço questão de frisar a palavra “tentando” para que possamos nos lembrar de que todo esforço é válido na busca das nossas realizações e, mesmo quando não há o sucesso integral, saber que fizemos tudo o que estava ao nosso alcance pode ser reconfortante e uma fonte importante de energia para tentar novamente.
Há de se considerar sempre a intenção com a qual realizamos as coisas e nos comportamos. Mas é preciso ter cautela para não nos escondermos por trás disso, principalmente quando cometemos algum erro ou prejudicamos alguém, pois a intenção das nossas ações tem muito poder.
Sendo assim, vamos tentar fazer sempre o nosso melhor, nos colocarmos em paz conosco e com as decisões que tomamos. Desejar o que os dias nos trazem e nos adaptarmos, lidando prontamente com o que não desejamos, mas temos que lidar.
Vamos cultivar esse sentimento, essa sensação de estar de peito aberto para desfrutar da vida com seus dias de sol e com seus dias de chuva.
Estar bem com e gente mesmo nos permite isso.
Vamos tentar?

Raquel Núbia

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Foto: Raquel Núbia – Muriaé/MG

Meu coração

Meu coração já bate apertado
Chorando os dias que estão por vir.
Você longe e não do meu lado,
Eu distante e sozinha aqui.

Meu coração bate ciumento
Por saber que há outro alguém
Que vai dividir cada momento,
Enquanto eu fico sem ninguém.

Meu coração bate angustiado
E pulsando o que não quer pulsar.
Por saber que o meu menino amado
Em outros braços vai se aconchegar.

Meu coração bate de teimoso
Porque motivo não há pra bater.
Se quem ele guarda, tão precioso,
Quando mais precisa, não pode ter.

Alto Caparaó (10)
Foto: Raquel Núbia – Alto Caparaó/MG

Raquel Núbia

Tempo

E quantas vezes mais
ainda vou me sentir calar
quando, por dentro,
um silêncio não demora a me sufocar?

Quantas vezes ainda
vou ficar querendo ir,
sentindo o corpo paralisado,
me sentindo parar de sentir?

Quanto tempo falta
pra poder ir onde e quando quiser?
Pro coração bater aliviado
e não se entristecer com coisa qualquer?

E quanto tempo mais
haverá essa intensa briga,
entre coração e pensamento,
onde a mente teimosa e dura
se sobrepõe ao sentimento?

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Foto: Raquel Núbia

Raquel Núbia

Relembrando: “Sou eu”

“Sou eu quem a vida te deu
embrulhada pra presente.
Sou eu a bebida indigesta
que deixa o seu peito quente.
Sou eu indigesta surpresa
que você precisa engolir.
Sou eu que os seus medos de criança
não permitem deixar ir.”

Na íntegra:  https://raquelnubia.wordpress.com/?s=sou+eu

Sou eu
Foto: favim.com

Raquel Núbia

Destempero

No equilíbrio há um lugar sempre vazio.
Que quem escolhe e consegue faz morada.
Se manter lá é quase sempre um desafio,
Para uma vida que segue descontrolada.

Quem nunca chega a encontrar esse lugar,
Na corda bamba leva os dias se apoiando.
De extremo ao outro vai e se deixa levar,
E quando pensa estar indo, vem voltando.

E tão distante desse lugar tão perfeito,
O meio termo passa longe de existir.
É destempero o nome dado a esse jeito,
De quem não coloca limites ao sentir.

E qualquer ser seguindo na destemperança,
Hora ou outra esbarra em quem está ao redor.
Da explosão, logo volta a bonança,
Mas os estilhaços causam dano maior.

Qual a sorte daquele que vive desesperado,
Por não possuir o controle em sua mão?
Que quando nota já se perdeu descontrolado,
Causa mal ao corpo, alma e coração…

Quem dera houvesse um escudo a proteger,
Do destempero dos aflitos, o feliz.
Pois nem sempre há como se proteger,
De toda explosão que sempre deixa cicatriz.

São Tomé das Letras (8)
Foto: Raquel Núbia – São Tomé das Letras/MG

Raquel Núbia