Relembrando: Dia 03

Alguns momentos da vida da gente são mesmo mais cansativos do que outros, não é? Costumam exigir tanto de nós que, por vezes, não sabemos como conseguiremos prosseguir. Nesta crônica, publicada no ano passado, meus pensamentos estavam assim, um pouco sobrecarregados. Mas acho que todos passam por isso. O importante é respirar, descansar, se recuperar e seguir em frente.

Dia 03
Foto: Raquel Núbia – Muriaé/MG

“Dia 03

Depois de tantos dias carregando essa caderneta na bolsa, junto com a minha caneta roxa, enfim senti a urgência de preencher suas páginas. Todo dia olhando pra ela ocupando um espaço na minha bolsa e pensando que deveria liberar um canto deixando-a sobre a mesa do escritório em casa mas, ao mesmo tempo, com aquela vozinha: “deixa ela aí, vai que você precisa”.
E não é que essa vozinha estava mesmo certa?
Hoje falou mais alto a necessidade de dedilhar palavras desenhadas a mão e descarregar o que quer que seja que ajude de alguma forma a aliviar o peito. Ainda é tão cedo e eu já falei com Deus tantas vezes hoje… Chamando em segredo e em silêncio pelo amparo nos assuntos mais guardados que se pode ter.
Vez ou outra vem de dentro um sentimento em ebulição que ás vezes esfria e outrora transborda. São tantos os pensamentos recorrentes que, de repente, eles acorrentam e levam para o fundo de um oceano turvo.
Quando menos se espera o toque do telefone me desperta e me devolve à superfície.
E então, outro problema… O que essa superfície traz? O que guarda e o que proporciona?
Sinto falta de ficar quieta, de não ouvir o telefone tocar, de não ter que escolher tantas coisas, tantas pessoas. Falta de não ter que saber de tudo ou de planejar, ainda no dia 03, o que acontecerá no dia 25.
Tem hora que parece…”

Raquel Núbia

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Vamos falar sobre o amor?

Quando a gente vai falar de amor recorre a vários clichês e, por estar amando, a gente nem se importa de cair nessa armadilha.
Entre tantas formas de amar e tantos tipos de romance, fica difícil acreditar no certo e no errado, pois o sentimento verdadeiro é infinito por si só e na sua imensidão o livro de “regras” pode não ter fim.
E para que ama, pouca coisa importa quando se refere ao sentir. Quando se está preenchido dessa forma, gozando da completude de uma companhia desejada e que também te deseja, tudo mais é alheio.
Seja qual a forma de demonstração, intensidade… Seja qual for o tempo passado… O amor reserva para si o direito de ser enorme mesmo quando pequeno, de ser delicado mesmo quando forte, de ser pra sempre mesmo quando efêmero.
“Que seja eterno enquanto dure”?
Que dure enquanto for amor.

Raquel Núbia

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Foto: Leandro Oliveira – São João da Barra/RJ

 

Relembrando: Promissão

Muito satisfatório olhar para trás e ver que conseguimos cumprir com o que havíamos proposto para nós mesmos. Ás vezes, estamos tão submersos em nossos conflitos, que fica difícil alcançar a superfície para respirar. Mas a tempestade sempre passa, conseguimos nadar no nosso ritmo e, após chegarmos na costa, podemos enfim olhar o que superamos e enxergar no lugar de ondas turbulentas, apenas uma linda paisagem.
Quer firmar esse compromisso com você mesmo hoje?

“Eu proponho uma vida nova.
Uma vida em que nós não sejamos dependentes de uma imagem ou de uma atualização, em que nós não sejamos compelidos a tomar notícia do que prende nosso peito e descompensa nosso coração e em que nós não desejemos ver no outro a justiça que não cabe a nós.
Eu proponho uma vida nova.
Uma vida em que nós… clique aqui para continuar lendo.”

Raquel Núbia

Promissão

Correr

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Correr passos fortes
correr para vida.
Correr pela morte,
Correr perdida.

Correr sozinho,
correr acompanhado.
Correr na frente,
correr lado a lado.

Correr com vontade,
correr sem destino.
Correr sem idade,
correr sem caminho.

Correr no espaço,
espaço tão grande,
tão grande é o laço
e assim mesmo se esconde.

Correr mais depressa,
depressa seguir.
Seguir para frente,
pra frente fluir.

Correr sem saber,
saber não interessa.
Interessa a chegada,
e ao chegar, recomeça.

Rápido,
em frente.
Não pensa,
não sente.
Faça.
Sorria.
É a graça
do dia.

Não olhe nos olhos
ou o profundo se vê.
Se vê o profundo
não há como esconder.

Escolha as perguntas,
perguntas sem ponto.
Sem ponto as pessoas
que aumentam o conto.

O relógio marcando,
apontando a hora.
Não há o que escolher,
a escolha é agora.

Passa o dia
e já nem se vê.
Nem se vê a rotina,
rotina de viver.

Correr de novo.
De novo há direção.
Direção escolhida,
não é opção.

A mente pensa…
E pensa em parar.
Parar já não pode,
pode continuar.

O corpo exclama
e clama a calma.
A calma da mente
que mente pra alma.

Mentira tão clara,
claro que o olho vê.
Olho que finge de bobo
“pro” bobo coração não saber.

E na rapidez
dessa vida diária,
se deixa pra traz
coisas tão necessárias.

A vontade aparece,
parece despertar.
Mas há vozes falando,
falando pra se calar.

Na camisa de força,
da força do pensamento.
Mas não há saída,
não há um alento.

O sol nasce de novo
e de novo espera.
A saída do dia
e de novo uma regra:

Correr.

Raquel Núbia