Relembrando: Os tombos pela estrada da vida

Uma coisa é certa, no caminho que percorremos pela vida, vamos cair. Por isso saber levar esses tombos e tão importante como saber se levantar…

os tombos pela estrada da vida

Os tombos pela estrada da vida

Passa dia, volta dia e vez ou outra o ponteiro cai de novo.
São horas a fio girando os pedais para fazer a roda girar mas depois das descidas à solto e das subidas difíceis as pernas adormecem e pedalar não é mais tão fácil assim.
Os pedais param e a bicicleta cai.
Sabe Deus quantas vezes esfregamos a poeira da roupa, sopramos os joelhos ralados e voltamos a nos equilibrar sabe se lá porque.
Mas em alguns dias os machucados doem mais e as penas simplesmente desobedecem. Não é que o corpo não segue as ordens da mente… É que até a cabeça quer parar.
Nessas horas nos recostamos na calçada e assistimos aos outros passarem, sozinhos, em bandos e imaginamos se vamos encontrar forças para alcança-los.
Assentados ali, num canto de asfalto, não há ninguém que compreenda porque paramos e há aqueles que ao nos verem tombar, optam por não enxergar, por não se envolver.
E então, sem mais nem menos, voltamos a pedalar… Sem vontade, sem esforço, seguindo um caminho que já está traçado. Evitando abrir novas trilhas. Afinal, sem desejo, pouco importa para onde vamos.
Seguimos apenas porque nos disseram que temos que ir”.

Raquel Núbia

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Os tombos pelas estradas da vida

Passa dia, volta dia e vez ou outra o ponteiro cai de novo.
São horas a fio girando os pedais para fazer a roda girar mas depois das descidas à solto e das subidas difíceis as pernas adormecem e pedalar não é mais tão fácil assim.
Os pedais param e a bicicleta cai.
Sabe Deus quantas vezes esfregamos a poeira da roupa, sopramos os joelhos ralados e voltamos a nos equilibrar sabe se lá porque.
Mas em alguns dias os machucados doem mais e as penas simplesmente desobedecem. Não é que o corpo não segue as ordens da mente… É que até a cabeça quer parar.
Nessas horas nos recostamos na calçada e assistimos aos outros passarem, sozinhos, em bandos e imaginamos se vamos encontrar forças para alcança-los.
Assentados ali, num canto de asfalto, não há ninguém que compreenda porque paramos e há aqueles que ao nos verem tombar, optam por não enxergar, por não se envolver.
E então, sem mais nem menos, voltamos a pedalar… Sem vontade, sem esforço, seguindo um caminho que já está traçado. Evitando abrir novas trilhas. Afinal, sem desejo, pouco importa para onde vamos.
Seguimos apenas porque nos disseram que temos que ir.

Raquel Núbia

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Foto: Leandro Oliveira – Tiradentes/MG

 

Livro Verba Volant: Update

Correspondência recebida da Biblioteca Nacional: Manual do editor. Agora sou uma escritora devidamente registrada nesta Instituição que é responsável por controlar e formalizar todos os lançamentos literários do país e o livro Verba Volant já nasceu para eles, pois também já recebeu seu número de registro.

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Foto: Raquel Núbia

Abraços,

Raquel Núbia

Soledade

A maioria das pessoas diz que a vida é feita de ciclos. Eu mesma já escrevi algumas vezes falando isso, afirmando que quando algo termina, outra coisa começa, que quando alguém se vai, alguém ou alguma coisa, chega. E nessa linha a gente vai dando adeus e boas vindas pra tudo o que a vida nos apresenta.
O ponto comum, pra mim, é a solidão.
Solidão em todos os significados que a palavra guarda.
Não importa o que aconteça, quantas pessoas temos por perto, se é voluntário ou não, em algum momento o que resta é a solidão. Que dure dias ou horas.
Não importa quantos ciclos se encerram, nem de que forma estes ciclos terminam. A constante é estar ou se sentir só.
Nessa solidão é possível se reencontrar, encontrar pensamentos, vontades e saudades que já nem se lembrava que existiam, boas ou ruins.
No fim de tudo, estamos mesmo sós.
Somos apenas nós por nós mesmos.
Estar só é como ver a luz se apagar de repente. Nos primeiros minutos é preciso um ajuste dos olhos pra conseguir enxergar o que está a volta. Essa cegueira momentânea pode causar certo medo, mas com o tempo conseguimos discernir, mesmo sem muita clareza, o que nos cerca.
As pessoas sempre nos deixam, mesmo que seja por pouco tempo, ninguém está disposto a ser claridade na estrada do outro o tempo todo.
É necessário se habituar a isso.
Aprender a andar no escuro seguindo a intuição para que a falta da luz não abale mais.
Aprender a iluminar o próprio caminho.

 

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Foto: Raquel Núbia

Raquel Núbia

Auto

Li certa vez que “a comparação é o ladrão da alegria” e, nesses tempos, não poderia concordar mais. Quantas vezes a gente se pega perdendo o sorriso, a motivação, até mesmo a inspiração frente às nossas vontades, felicidades e desejos por, simplesmente trazer a memória os resultados de outra pessoa?

“Sou bom nisso, mas alguém é melhor”, “consegui aquilo, mas alguém conseguiu melhor”, “queria fazer isso, mas não vai ser tão bom quanto daquela pessoa”… Pensamentos assim vão, aos poucos, minando nossos sonhos e nossos movimentos… E quando permanecem, nos paralisam.

Às vezes nos pressionamos tanto no caminho para a superação, que perdemos o prazer no que antes fazíamos com tanto gosto, tudo acaba virando um grande negócio, uma grande obrigação. Mas, nem sempre o pior é isso. O pior é que sempre haverá alguém melhor do que nós, e enquanto permitirmos, esse ladrão continuará roubando nossa alegria.

E como não permitir? O assaltante nos pega desprevenidos e, quando nos damos conta: “mãos ao alto”.

Talvez o que reste seja correr atrás para substituir a alegria roubada…

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Foto: Raquel Núbia – Muriaé/MG

Raquel Núbia

Dezembro

Me desculpem os pessimistas e realistas mas, tenho que confessar que minha vida sempre foi boa. Sempre. Apesar dos pesares, tropeços, dificuldades. Algumas graves, até… Mas a vida foi boa, pois até nesses momentos de perigo eu pude melhorar, nem que fosse pra piorar depois, mas melhorava.
Veja só como essa vida é…
Ano passado, nessa época, a minha vida era outra. Sem exageros, sem utopia, sem apelação nem auto piedade. Vejamos: Dezembro de 2015 foi tempo de:
Elaborar o término do que achei que nunca acabaria. Sim, foi preciso desfazer as ambições da perfeição, sofrer pelas cobranças internas e me submeter ao julgamento alheio, e que julgamento…
Foi tempo de enfrentar a realidade de que algumas pessoas não serão um constante em nossa vida e que, certas vezes elas nos deixarão por não saberem colocar as nossas necessidades acima ou iguais às delas. Mas tudo bem, se elas nos deixam, nós também as deixamos.
Foi tempo de desempenhar papéis diversos, mais diversos do que o habitual. De ser vista de um milhão de formas: corajosa, louca, culpada, mimada, má. E foi até necessário me “deixar” assumir alguns papéis, pois algumas pessoas precisavam me colocar em certas posições para tentar seguir em frente. Precisavam de alguém para culpar e a pessoa escolhida fui eu, e por um tempo, tudo bem, até que deixou de ser.
Foi tempo de encarar também o fato de que boatos, investidas de maldade, ataques de conteúdo pessoais mais dolorosos podem sim vir de quem já dividiu sua casa, sua mesa, suas refeições, seus brindes à vida… e podem vir às escondidas em mensagens às escuras, enquanto às claras o que se propaga é a amizade, o amor próprio. Isso mostra o quanto as coisas podem ser injustas e, geralmente elas são. O que conforta é saber que os poucos que ficam ao nosso redor, o fazem por escolha por que nos amam, acima de tudo, quando não temos nada a oferecer.
Foi tempo de me desesperar e achar que quase nada daria certo, que eu não aprenderia e nem reaprenderia tudo o que ia precisar para seguir caminhando, para fazer dar certo e, dessa vez, sozinha. Mas eu consegui. Consegui o que cabia só a mim e consegui o que cabia a uma solidão nem tão solitária. E nessa hora eu aprendi que são poucas, são raras as pessoas que se dispõem a carregar o peso das nossas decisões mesmo sem ter obrigação nenhuma de fazer isso. E eu tenho a sorte de ter duas dessas raridades ao meu lado. O tempo todo.
Foi tempo de me reorganizar. De enfrentar o amanhecer duvidoso, fins de tarde de melancolia, noites longas e o tão temido retorno ao fim do dia para uma casa vazia, literal e figurativamente. E isso pesou. Doeu. Mas em meio à desesperança, a dúvidas e até mesmo a certa dose de desespero, eu aprendi manhã após manhã, tarde após tarde, noites após noites infinitas, que o mundo não acaba por não termos companhia o tempo todo. E que a companhia dosada só aumenta a importância e o querer bem. Pois refletem o carinho e cuidado de pessoas que não podem nos dar tudo, mas que nos dão tudo o que tem.
Dezembro de 2015 me apresentava um cenário tão desorganizado, que batia de frente com a pessoa metódica e detalhista que sou. Me desafiou de pé, imponente, me olhando de cima e me colocando tão pequena… mas o tempo, tão precioso, passou e passou ligeiro. Agora esse dezembro de 2016 que já corre a passos apressados chegou para testemunhar… E agora, quando me olha, já olha olho no olho e, para esse dezembro de 2016, é tempo de:
Enfrentar que o “pra sempre” é questão etérea, imensurável e pode sim acontecer. O meu “pra sempre” acontece hoje.
Enfrentar que aqueles que partiram, hoje são só lembranças empoeiradas num coração que não sente mais falta.
Enfrentar que todos podem me colocar nos papéis que quiserem, mas quem define o papel que eu ocupo na minha vida, sou eu.
Enfrentar que, se os golpes vieram dos próximos a mim, é porque consigo deixar que as pessoas se aproximem e sigo assim. Hoje um pouco mais atenta e muito mais grata aos que compreendem o tamanho da prova do meu amor por me deixar mostrar tão grande e tão pequena.
Enfrentar que todo desespero e desafios viraram aprendizados e que, tenho certeza, se esses obstáculos aparecerem: eu dou conta.
Enfrentar que, mesmo que exista amor, amizade, diversão, companhia e casa cheia, em algum momento seremos só nós, conosco. E nesse momento de mim comigo, eu tenho poder de decidir se sou sozinha ou livre.
Então, dezembro de 2015, obrigada.
E pra você, dezembro de 2016, boa sorte com o que planeja pra mim.
E pra você que leu tudo até aqui, me responda se essa minha vida é ou não é boa por demais?

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Raquel Núbia. Foto: Leandro Oliveira – Alto Caparaó/MG

Raquel Núbia

Pra hoje

Então me desculpe se eu não sei ser assim, como você.
Aprendi faz um tempo que a felicidade se esconde entre uma tristeza e outra e que os sorrisos verdadeiros costumam aparecer entre lágrimas teimosas. No final das contas só a gente sabe o tamanho dos pesos e das conquistas e às vezes fica complicado enxergar a nós mesmos com os olhos dos outros e tentar entender o que esse outro vê quando, na realidade, nem a gente sabe direito o que é e o que sente.

Então, não preciso pedir desculpas por não ser assim, como você. Não preciso me desculpar por ser como sou, nem preciso que você me desculpe.
Não preciso sequer que me aceite.
São tantos os momentos num só dia em que nem eu mesmo sei me acolher…
Se te faz feliz, faça de mim o que precisar para seguir em frente e, caso não precise, apenas me deixe continuar meu caminho.

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Raquel Núbia. Foto: Leandro Oliveira – Alto Caparaó/MG

Raquel Núbia

Manuscrito

E olha só pra mim… Que sempre precisei de um rascunho pra escrever, vendo a mão redigir a letra e depois a palavra, pra só então tornar público o que o coração sussurra e a mente fala, aqui catalogando de primeira o batucar do meu peito.
E como batuca esse sujeito…

Pensava antes em dizer como estou reaprendendo, reencontrando, recomeçando… mas agora o que pulsa é que no meio desse monte de segundas, terceiras e infinitas chances disfarçadas de novas oportunidades, eu ainda tenho me reservado o direito de sentir.

Sinto diferente pelas mesmas coisas, sinto diferente pelas mesmas pessoas, sinto diferente até pelos mesmos sentimentos e as vezes não sinto nada… não preciso sentir.

Por hoje guardo o caderno dos manuscritos e liberto os pensamentos no improviso, como tenho me permitido fazer, ainda que poucas vezes, nas últimas semanas.

Quem é de letra no papel tem dificuldade com a tela em branco. Quem é de coração cheio tem dificuldade com coisas vazias.

Mas a tela que era branca agora está cheia de significado e o que é vazio ao meu redor não consegue mais me esbarrar, pois estou preenchida demais, não há espaço para o que não importa.

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Raquel Núbia

Aos amigos que não são

aos amigos que não são

Vamos fazer um combinado,
Algo assim como um trato,
Assinando um contrato,
Somente você e eu.

A partir de agora,
Desse minuto, dessa hora
Você se ajeita e vai embora
E leva tudo o que é seu.

E desse jeito,
Você segue com a sua vida,
E dê uma nova partida
Aos seus sonhos de onde parou.

Seja feliz!
Encontre um novo caminho,
Que do meu, cuido sozinho,
Pois, já sei pra onde vou.

Faz assim:
Chora o que tem pra chorar.
Odeie o que tem pra odiar,
Faz tudo de uma vez só.

E depois disso,
Assina a carta imaginária
Essa alforria libertária,
Que me libera desse nó.

E curioso,
Que esse nó nem é meu,
Foi um presente que me deu
Quem vive de expectativa.

E me montaram
Para seu próprio deleite
Num conto em que eu sou só enfeite
E não tenho voz ativa.

Sigo vivendo.
E minha vida é de verdade.
Consciência limpa e integridade
Vão comigo aonde eu for.

Faça o que eu fiz.
Eu não tenho melhor conselho
Do que você se olhar no espelho
Com um pouco mais de amor.

Raquel Núbia