Aspiração

Quem me dera ser aquela que, com barulho, fecha a porta.
Ser ajuda que não sabe o que importa.
Quem me dera ficar fora e voltar pra uma parcela,
fracionar a vida e viver só parte dela.
Quem me dera levantar e sair por onde entrei,
me deitar e nem lembrar se eu sonhei.
Quem me dera ter o luxo de ser tantos e um só.
Ver a dor e no meu peito não ter dó.
Quem me dera a segurança de achar que estou certa,
e ter, após tantas coisas, mente aberta.
Quem me dera a chance de ser colo temporário,
ter caminhos que não são tão solitários.
Quem me dera ter vontade pra outras coisas e energia,
ter noite inteira de descanso ao fim do dia.
Quem me dera eu tivesse tanta facilidade…
e em coisas fúteis encontrar felicidade.
Quem me dera a esperança de dias melhores a espera,
De esquecer palavras duras,
curar feridas,
quem me dera…

Raquel Núbia

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Raquel Núbia. Foto: Leandro Oliveira – Alto Caparaó/MG
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Aquele que pertence à luz

De todos os anjos do céu,
De todas as pessoas do mundo,
Dos sentimentos mais puros,
Do sentimento profundo.
De toda jovialidade,
Da falta de sabedoria,
Do amor que brota e cresce,
Da imensidão de cada dia.
Dos olhos que me buscam,
Do toque tão pequeno,
Do rosto angelical,
Do olhar sereno.
Da miudez de uma vida,
Da grandeza do sentimento,
Do amor incondicional,
Do vínculo de cada momento.
Da preocupação com bem estar,
Do desejo de plenitude,
Da vontade de ser tudo,
Do medo da juventude.
Do laço inquebrável,
Do dar-se sem perceber,
Do coração mais puro e terno,
Da nova vida a crescer.
De todos os erros e acertos,
Dos medos que se sente,
Do esforço diário e contínuo,
Da relação que brota da gente.
De tudo o que se aprende,
Do tanto que ainda não se sabe,
Do pouco que dá pra fazer,
Do mundo que me cabe.
Da sinceridade da insegurança,
De não ser o que é necessário,
Da vida que cabe nas mãos,
Do compromisso diário.
De todos os anjo do céu,
De um Deus que me dá guarida,
De um amor que é inexplicável,
De sempre, pra sempre, minha vida.

Raquel Núbia

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Foto: Raquel Núbia

Avelhantado

De tempo em tempo eu me reconheço como uma alma velha presa num corpo ainda a envelhecer. Às vezes experimento um cansaço das coisas, fatos e pessoas que somente almas velhas poderiam sentir… Ao mesmo tempo cultivo sentimentos velhos, empoeirados, que ficam guardados lá no fundo de uma gaveta tão velha quanto que de vez em quando o inconsciente deixa abrir, trazendo à consciência aquele cheiro de naftalina que conserva o que senti há tanto tempo e que insisto em manter guardado, mesmo sabendo que mantendo-os chegará o momento em que eles serão lembrados, ainda que não por vontade própria.
Tais sentimentos velhos são acordados por cheiros, pelo clima, por palavras, pelos meses que se repetem ano a ano e devolvem as lembranças do passado.
Tem dia que a gente acorda com gosto de ontem, do mês passado, dos anos anteriores, do que vivemos e nos marcou, do que ficou inacabado, do que não foi dito, do que foi pensado e repensado, do que nos disseram e do que nos fizeram silenciar.
Sentimentos velhos não me acrescentam em nada… Acredito que não acrescentam nada a ninguém, mas nem sempre disponho da energia de uma alma jovem para lembrar de esquecer.

Raquel Núbia

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Foto: Raquel Núbia

Casulo

Em dados momentos na nossa vida, passamos por algumas situações que fazem com que nos reinventemos, repensemos, nos transformemos e isso pode exigir muito esforço. Algumas fases, ainda que boas, demandam muito empenho para que não nos percamos em meio às dificuldades, às novas rotinas, ao que precisamos aprender e desenvolver que tira de nós toda nossa força, drenando a energia que precisamos para focar no que é bom e superar o que é ruim e passageiro.
Para manter esse foco no positivo é preciso força, por incrível que pareça, manter a mente bem parece ser algo natural, mas existe sempre aquela tendência de voltarmos nossa atenção para o que é ruim, para às dificuldades e para o que não temos e tudo isso pode ser alimentado pela culpa que sentimos quando não sabemos ser feliz.
Acredito sempre que existe momento pra tudo, inclusive para o cansaço, para o desânimo e para a tristeza. Mas também acredito que, em certa hora nessa tormenta, precisamos ser capazes de nos olharmos e nos reconhecermos. Encontrarmos em nós o que pensávamos ter perdido, ter esquecido.
Por mais que estejamos fadigados, nossa essência se mantém. Temos apenas que lembrar que tudo passa e que, em algum lugar dentro da gente, se encontra quem realmente somos, esperando para se libertar quando a hora chegar.

Raquel Núbia

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Foto: Raquel Núbia – Tiradentes/MG

Da janela

Tenho visto a vida
Passar pela janela.
Tenho visto a manhã clarear
E tudo o que vem com ela.

Da janela eu vejo gente,
Vejo carros e vida a passar.
Cada um com seu destino,
Na pressa de seu caminhar.

Minhas horas, que hoje eu conto,
Passam de forma diferente.
É da janela que os ponteiros somam,
Ao passar de tanta gente.

Da janela eu vejo a tarde,
Que vira noite, impiedosa.
E depois são madrugadas
Que são sempre melindrosas.

Da janela eu observo,
Pois o que me cabe é solidão.
De acompanhada estar só
E ver bater fora de mim, meu coração.

Raquel Núbia

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Foto: Raquel Núbia

“Ponto&Vírgula” – Post 07

Sobre aquela que um dia tirou o meu sorriso

Dia desses estava lendo meus textos “antigos”, desde o início do Blog… Não consegui ler todos, mas passei por muitos. Curioso como cada um deles me trouxe uma memória, alguns me levaram exatamente para o momento de sua criação, reacenderam sentimentos, alegrias, perdas mas, acima de tudo me mostraram que consegui sair do lugar. Consegui me mover.
Em algumas passagens me via tão absorvida pelas questões que me cercavam, lutando contra um sentimento ruim que brotava dentro de mim, direcionado a pessoas que eu nem conhecia tão bem, mas que, com seus atos odiosos, despertavam em mim meu pior lado.
Hoje não mais.
Na verdade, hoje penso em como teria sido se eu tivesse tido a oportunidade de tratar todas aquelas coisas de modo mais direto, falando diretamente com quem me direcionava tanta ira, falando abertamente. Mas essa oportunidade me foi negada e nem posso culpá-la por isso, pois quem me pediu cautela na tratativa de tanto alvoroço nem foi ela…
Quantas vezes a odiei sem fim!
E sim, era ódio mesmo! Naquele nível que nos transforma e revela o pior de nós. Quando reflito, nem sem porque senti tanto, com tamanha proporção, pois as ações dela contra mim se resumiram em um amontoado de palavras amargas que projetavam em mim seus próprios medos e suas próprias frustrações, afinal o objeto real de seu ódio lhe foi tirado repentinamente e como, provavelmente odiar quem um dia se amou tanto pode ser muito difícil, inconscientemente ela decidiu odiar o que mais personificava sua dor: alguém melhor e mais feliz.
Não é curioso como personificamos em algumas pessoas os nossos piores sentimentos? E, em algumas vezes, essas pessoas são apenas um estandarte, uma representação que carregam características que nós colocamos nelas e que, nem sempre elas realmente tem.
Claro que ninguém fica satisfeito recebendo ataques, sendo assediada e tendo pessoas queridas sendo assediadas também a troco de nada. Talvez meu advogado tenha ficado satisfeito quando o procurei com provas suficientes para uma causa ganha! Mas logo ficou insatisfeito quando eu desisti de acionar a justiça. Não valeria a pena. Nada que tira a minha paz, vale.
Hoje me sinto melhor por conseguir revisitar esse recorte do meu passado sem sentir tanta coisa ruim. Às vezes sinto, ainda mais quando penso em tudo o que não foi dito, mas nada que me impeça de seguir com coração mais tranquilo.
Não sei se um dia a gente ainda vai se esbarrar por aí… Impressionante como cidades tão pequenas ficam tão grandes quando nossos ciclos se encerram. São as mesmas ruas, pessoas e lugares, mas alguns rostos nunca mais aparecem! E, se um dia chegar esse momento de, novamente estarmos no mesmo lugar ao mesmo tempo, não sei qual será a minha reação.
A única certeza que tenho é que, independente do que aconteça, de qual comportamento e sentimento será despertado, sei que sua origem será o meu lugar seguro de sempre, que me guiou naqueles tempos e que me guia ainda hoje, ao qual recorro sem medo de errar: meu coração.
Um coração que ainda que remendado, empoeirado e tantas vezes descompassado, não deixa de bater pelos meus passos certos.

Raquel Núbia

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Renovação!

Aproveito o clima de renovação do fim de ano para apresentar o novo layout do meu blog literário, Verba Volant.
Para o próximo ano planejo manter as postagens literárias, que é o foco principal do site, mas penso em ampliar um pouco o conteúdo com a inserção de uma #coluna sobre saúde mental onde quero compartilhar um pouco das minhas experiências como profissional e como paciente, utilizando os recursos literários para abordar o tema com leveza e propriedade.
O que acham?
A mudança do layout deste meu espaço era um desejo de meses… E fico imensamente feliz em ver sua concretização.
Caso tenham alguma sugestão, deixem nos comentários ou entrem em contato comigo.
Deixo ainda o link para a fanpage do Blog no facebook e no menu ao lado, está o link para o meu perfil no Instagram, onde também compartilho meu conteúdo além de vários outros.

Boas festas a todos vocês que tem me acompanhado! Seguiremos juntos!

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Raquel Núbia. Foto: Leandro Olvieira – Barra de São João/RJ

Sobre a realidade

Tem dia em que a gente acorda querendo ser e fazer tudo… E num mesmo instante se questiona o quanto mais deveria seguir.
Porque também há momentos em que a gente não quer ser nem fazer nada, apenas viver toda a realidade que há pra se viver, sem se ater a todas essas realidades fantasiadas que criaram pra nós e que nós, de bom grado, aceitamos.
Eu não sei mais se quero continuar com essas minhas realidades virtuais… Às vezes parece que elas me absorvem tanto que perco um pouco da motivação.
Na verdade esse é um quesitonamento recorrente pra mim e toda vez que ela aparece o que me segura são os resultados que conquistei até aqui: Será que consigo mesmo deixar tudo pra trás? Tudo o que me levou tanto tempo e dedicação para conseguir?
E deixar pra trás justamente quando está dando tudo tão certo?
Será essa a sensação de chegar ao final do arco íris e não saber o que fazer com o pote de outro?
E será que esse é mesmo o final do arco íris?
Eu não sei.
Mas sabe o que sei?
Sei que, se é para sofrer de ansiedade, que seja por motivos reais e não por posts e números.
Mas então entra outra questão: O que é e o que não é real?
Acho que a pergunta correta é “o quão relevante são essas realidades”.
Eu não sei se foi o que pensei antes de dormir ou se foi o que sonhei… Mas hoje eu acordei no dia em que não quero ter a necessidade de ser algo ou alguém, nem ter nada nem ninguém.
Apenas ser alguém que tem a si mesmo.

Raquel Núbia

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Raquel Núbia. Foto: Leandro Oliveira

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Queridos leitores, para facilitar nossa interação e levar ainda mais palavras ao vento, criei um perfil no Instagram onde vou compartilhar também produções do blog. Então, não perca a oportunidade de ter acesso a mais conteúdo do Verba Volant… Me procure por lá e me segue, basta clicar aqui!

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