Proelium

Viver. Verbo intransitivo: ter vida, estar com vida.
Viver. Transitivo direto e intransitivo: aproveitar (a vida) no que ela tem de melhor”.
É muito errado querer viver?
Pois sinto que, na maioria do tempo, apenas existimos e às vezes, somente existir não é o bastante.
Talvez existam níveis de “viver” em que algumas poucas pessoas vivem o tempo todo, outro grupo viva de vez em quando e uma outra parte apenas exista sem direito a vida.
Talvez apenas existimos por tanto tempo que, quando nos é dada a oportunidade de viver, simplesmente não conseguimos descobrir como fazer para aproveitá-la ao máximo e, nessa busca por desfrutar desses raros momentos de vida, a pressa é tanta que o tempo escorre entre os ponteiros do relógio.
Quem escolhe quem vive e quem existe?
A quem devemos recorrer para trocar de grupo?
O peso dessa herança é tão descomunal para aqueles que percebem o abismo que há entre viver e existir que, frente a impossibilidade de viver plenamente, nem sempre há desejo de se manter existindo.
Talvez viver não seja um privilégio de todos, mas sim um prêmio dado a poucos. Um prêmio que não está ligado à merecimento, mérito ou recompensa, mas apenas a uma divisão aleatória da qual se encarrega o universo.

Raquel Núbia

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Raquel Núbia. Foto: Leandro Oliveira – Barra de São João/RJ

 

 

 

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Choveu

Choveu.
Me encolhi.
E recolhi o que mostrava.
Silenciei palavras,
Guardei sorrisos,
Enquanto a água jorrava.

Choveu.
Me escondi.
E reneguei o que guardava.
Deixei lembranças
Na estrada torta
Por onde eu caminhava.

Choveu.
Me entristeci.
E calei o que se passava.
Nem a água,
Nem a chuva.
Sabiam o que eu pensava.

Choveu.
Permaneci.
E por dentro, atormentava.
Passado, presente, futuro
Na luta interna
Que batalhava.

Me encolhi, me escondendo.
Me entristeci, permanecendo.
Guardando pensamento outro que não só meu.

Da melancolia já conhecida.
Que vem de onde não há saída.
Que ninguém percebe senão eu:

Choveu.

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Foto: Raquel Núbia – Muriaé/MG

Raquel Núbia

Sozinho

Ninguém vence uma batalha sozinho, muito menos consegue vencer assim uma guerra.
Ninguém consegue alcançar aquilo que não quer ser alcançado, não há como dar a mão a alguém que ao ver uma mão estendida não estende a sua de volta, não há como caminhar ao lado de alguém que se esconde nas trincheiras de seu caminho sem ao menos deixar pistas de onde está indo, do porque se afastou.
Fica praticamente impossível acompanhar alguém que tem medo. Não por este alguém ter medo afinal, todos tem, fica difícil quando, com medo o outro alguém se esconde sem deixar nenhuma fresta de luz pra quem o acompanha.
Como conseguir suportar a angústia de saber que a qualquer momento novos medos chegarão e que talvez quando você mais precise de alguém que lhe dê força, que te ajude a caminhar, esse alguém simplesmente pode estar escondido em seus próprios medos sem espaço para cuidar de quem está tentando ficar do seu lado, ficando assim sozinho para sofrer seus problemas.

Sozinho

Raquel Núbia