DIA #09 – 30 DAY CELEBRATION

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Para responder ao tema do dia de hoje deixo aqui o link para a poesia Ciclotimia e compartilho abaixo mais alguns versos. Ao findar a leitura de ambas, será possível saber qual o momento mais difícil que já experienciei na minha vida.
Mas seguimos! Fortalecidos.

Depressus

Se carrega a tristeza nos olhos,
como pode ninguém perceber?
Toda dor que te cala e queima,
em um fogo que o faz perecer…

Se a falta de vida castiga,
e corrompe qualquer sentimento,
Como pode ninguém resvalar,
No que mostras a cada momento?

Se a anedonia da vida,
lhe retira a gana de viver,
Onde encontras sua volição,
Se em nada mais sentes prazer?

Se a morte de todos os desejos,
lhe rouba a paz do dia a dia,
Onde esperas achar atitude,
sem em nada mais tem alegria?

Na letargia dos dias que nascem,
se prostra cada vez que ouve o peito bater.
E ao pulsar o sangue outrora vivaz,
morres cada vez mais,
e a cada dia mais quer morrer.

Na sonolência daqueles que o cercam,
se despede de toda e qualquer temperança.
E ao sentir que nada vai lhe curar,
morres cada vez mais
e a cada dia mais morre a esperança.

Na cavidade profunda descansa.
E se cansa da profundidade.
E vive quando se quer morrer,
esperando que morra de verdade.

Raquel Núbia

Editada no Nokia Glam Me
Foto: Raquel Núbia

 

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Sobre as incoerências do cotidiano

Engraçado (só que não) como a gente às vezes (quase sempre) cala um tanto de coisas e sai carregando conosco uma bagagem de frases não ditas, discussões não finalizadas, problemas e assuntos não resolvidos.
Já perdi a conta de quantas vezes testemunhei a incoerência acontecendo bem diante de mim e nem sempre pude me expressar, quase engasgando. Veja só:
De pessoas que se martirizavam por não poder amar, ouvi que meus olhos são vazios assim como meu coração.
De quem deixa em branco as páginas do que diz amar, ouvi que meus textos também são vazios (reflexo dos meus olhos e coração? Não sei…).
De pessoas que nem sabem o que faço e quais são meus resultados, ouvi que não sou boa profissional.
De pessoas que me cercavam com comentários e elogios enquanto eu me reservava o silêncio simplesmente por não ter nada de verdade a dizer, ouvi que sou traidora.
De pessoas que propagam o amo próprio, auto aceitação, autoestima e que lutam contra sua própria imagem no espelho por motivos alheios a sua própria vontade, já ouvi que pareço velha, feia e gorda (quão baixo o “ser humano” vai não é?).
De pessoas que se inteiram das minhas produções e não olham ao redor exatamente por se acharem o centro de tudo, ouvi que meus escritos e inspirações se baseiam num único tema/pessoa.
E já ouvi também que minha consciência pesada (a que julgam que eu tenho) um dia me adoecerá e cobrará um preço. Recebi esse comentário vindo de pessoas que são capazes de fazer justamente esse tipo de “acusação” (que está mais para um praga…) que não lhe deve sair da memória.
Dentro da cabeça todas essas conversas, discussões e resoluções existem e enquanto não verbalizamos (pela voz ou papel), pelo menos pra mim, continuam lá. Vamos deixando passar uma coisa ou outra, por um motivo ou outro e vamos seguindo e nos submetemos a esse tipo de experiência.
Sigo no aguardo de quantas incoerências mais ainda vão ser jogadas ao vento que me cerca, jogando malabares com o que tenho recebido equilibrando o meu desejo, a satisfação do outro e a loucura alheia.

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Foto: Raquel Núbia – Rio das Ostras/RJ

Raquel Núbia

Pra hoje

Então me desculpe se eu não sei ser assim, como você.
Aprendi faz um tempo que a felicidade se esconde entre uma tristeza e outra e que os sorrisos verdadeiros costumam aparecer entre lágrimas teimosas. No final das contas só a gente sabe o tamanho dos pesos e das conquistas e às vezes fica complicado enxergar a nós mesmos com os olhos dos outros e tentar entender o que esse outro vê quando, na realidade, nem a gente sabe direito o que é e o que sente.

Então, não preciso pedir desculpas por não ser assim, como você. Não preciso me desculpar por ser como sou, nem preciso que você me desculpe.
Não preciso sequer que me aceite.
São tantos os momentos num só dia em que nem eu mesmo sei me acolher…
Se te faz feliz, faça de mim o que precisar para seguir em frente e, caso não precise, apenas me deixe continuar meu caminho.

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Raquel Núbia. Foto: Leandro Oliveira – Alto Caparaó/MG

Raquel Núbia

Manuscrito

E olha só pra mim… Que sempre precisei de um rascunho pra escrever, vendo a mão redigir a letra e depois a palavra, pra só então tornar público o que o coração sussurra e a mente fala, aqui catalogando de primeira o batucar do meu peito.
E como batuca esse sujeito…

Pensava antes em dizer como estou reaprendendo, reencontrando, recomeçando… mas agora o que pulsa é que no meio desse monte de segundas, terceiras e infinitas chances disfarçadas de novas oportunidades, eu ainda tenho me reservado o direito de sentir.

Sinto diferente pelas mesmas coisas, sinto diferente pelas mesmas pessoas, sinto diferente até pelos mesmos sentimentos e as vezes não sinto nada… não preciso sentir.

Por hoje guardo o caderno dos manuscritos e liberto os pensamentos no improviso, como tenho me permitido fazer, ainda que poucas vezes, nas últimas semanas.

Quem é de letra no papel tem dificuldade com a tela em branco. Quem é de coração cheio tem dificuldade com coisas vazias.

Mas a tela que era branca agora está cheia de significado e o que é vazio ao meu redor não consegue mais me esbarrar, pois estou preenchida demais, não há espaço para o que não importa.

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Raquel Núbia