Relembrando: Eu não choro mais

eu não choro mais

Eu não choro mais

Eu não choro mais.
Desaprendi a chorar.
Hoje recolho dentro do peito
O que os olhos costumavam derramar.

Eu não choro mais.
Aprendi a transformar.
Hoje liberto em palavras
O que costumava me aprisionar.

Eu não choro mais.
Desaprendi a me mostrar.
Hoje transpareço em nitidez
O que costumava me derrotar.

Eu não choro mais.
Mesmo em sentimento intenso,
Nenhuma lágrima me traz,
só porque:
eu não choro mais.”

Raquel Núbia

Relembrando: Os tombos pela estrada da vida

Uma coisa é certa, no caminho que percorremos pela vida, vamos cair. Por isso saber levar esses tombos e tão importante como saber se levantar…

os tombos pela estrada da vida

Os tombos pela estrada da vida

Passa dia, volta dia e vez ou outra o ponteiro cai de novo.
São horas a fio girando os pedais para fazer a roda girar mas depois das descidas à solto e das subidas difíceis as pernas adormecem e pedalar não é mais tão fácil assim.
Os pedais param e a bicicleta cai.
Sabe Deus quantas vezes esfregamos a poeira da roupa, sopramos os joelhos ralados e voltamos a nos equilibrar sabe se lá porque.
Mas em alguns dias os machucados doem mais e as penas simplesmente desobedecem. Não é que o corpo não segue as ordens da mente… É que até a cabeça quer parar.
Nessas horas nos recostamos na calçada e assistimos aos outros passarem, sozinhos, em bandos e imaginamos se vamos encontrar forças para alcança-los.
Assentados ali, num canto de asfalto, não há ninguém que compreenda porque paramos e há aqueles que ao nos verem tombar, optam por não enxergar, por não se envolver.
E então, sem mais nem menos, voltamos a pedalar… Sem vontade, sem esforço, seguindo um caminho que já está traçado. Evitando abrir novas trilhas. Afinal, sem desejo, pouco importa para onde vamos.
Seguimos apenas porque nos disseram que temos que ir”.

Raquel Núbia

Casulo

Em dados momentos na nossa vida, passamos por algumas situações que fazem com que nos reinventemos, repensemos, nos transformemos e isso pode exigir muito esforço. Algumas fases, ainda que boas, demandam muito empenho para que não nos percamos em meio às dificuldades, às novas rotinas, ao que precisamos aprender e desenvolver que tira de nós toda nossa força, drenando a energia que precisamos para focar no que é bom e superar o que é ruim e passageiro.
Para manter esse foco no positivo é preciso força, por incrível que pareça, manter a mente bem parece ser algo natural, mas existe sempre aquela tendência de voltarmos nossa atenção para o que é ruim, para às dificuldades e para o que não temos e tudo isso pode ser alimentado pela culpa que sentimos quando não sabemos ser feliz.
Acredito sempre que existe momento pra tudo, inclusive para o cansaço, para o desânimo e para a tristeza. Mas também acredito que, em certa hora nessa tormenta, precisamos ser capazes de nos olharmos e nos reconhecermos. Encontrarmos em nós o que pensávamos ter perdido, ter esquecido.
Por mais que estejamos fadigados, nossa essência se mantém. Temos apenas que lembrar que tudo passa e que, em algum lugar dentro da gente, se encontra quem realmente somos, esperando para se libertar quando a hora chegar.

Raquel Núbia

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Foto: Raquel Núbia – Tiradentes/MG

“Ponto&Vírgula” – Post 07

Sobre aquela que um dia tirou o meu sorriso

Dia desses estava lendo meus textos “antigos”, desde o início do Blog… Não consegui ler todos, mas passei por muitos. Curioso como cada um deles me trouxe uma memória, alguns me levaram exatamente para o momento de sua criação, reacenderam sentimentos, alegrias, perdas mas, acima de tudo me mostraram que consegui sair do lugar. Consegui me mover.
Em algumas passagens me via tão absorvida pelas questões que me cercavam, lutando contra um sentimento ruim que brotava dentro de mim, direcionado a pessoas que eu nem conhecia tão bem, mas que, com seus atos odiosos, despertavam em mim meu pior lado.
Hoje não mais.
Na verdade, hoje penso em como teria sido se eu tivesse tido a oportunidade de tratar todas aquelas coisas de modo mais direto, falando diretamente com quem me direcionava tanta ira, falando abertamente. Mas essa oportunidade me foi negada e nem posso culpá-la por isso, pois quem me pediu cautela na tratativa de tanto alvoroço nem foi ela…
Quantas vezes a odiei sem fim!
E sim, era ódio mesmo! Naquele nível que nos transforma e revela o pior de nós. Quando reflito, nem sem porque senti tanto, com tamanha proporção, pois as ações dela contra mim se resumiram em um amontoado de palavras amargas que projetavam em mim seus próprios medos e suas próprias frustrações, afinal o objeto real de seu ódio lhe foi tirado repentinamente e como, provavelmente odiar quem um dia se amou tanto pode ser muito difícil, inconscientemente ela decidiu odiar o que mais personificava sua dor: alguém melhor e mais feliz.
Não é curioso como personificamos em algumas pessoas os nossos piores sentimentos? E, em algumas vezes, essas pessoas são apenas um estandarte, uma representação que carregam características que nós colocamos nelas e que, nem sempre elas realmente tem.
Claro que ninguém fica satisfeito recebendo ataques, sendo assediada e tendo pessoas queridas sendo assediadas também a troco de nada. Talvez meu advogado tenha ficado satisfeito quando o procurei com provas suficientes para uma causa ganha! Mas logo ficou insatisfeito quando eu desisti de acionar a justiça. Não valeria a pena. Nada que tira a minha paz, vale.
Hoje me sinto melhor por conseguir revisitar esse recorte do meu passado sem sentir tanta coisa ruim. Às vezes sinto, ainda mais quando penso em tudo o que não foi dito, mas nada que me impeça de seguir com coração mais tranquilo.
Não sei se um dia a gente ainda vai se esbarrar por aí… Impressionante como cidades tão pequenas ficam tão grandes quando nossos ciclos se encerram. São as mesmas ruas, pessoas e lugares, mas alguns rostos nunca mais aparecem! E, se um dia chegar esse momento de, novamente estarmos no mesmo lugar ao mesmo tempo, não sei qual será a minha reação.
A única certeza que tenho é que, independente do que aconteça, de qual comportamento e sentimento será despertado, sei que sua origem será o meu lugar seguro de sempre, que me guiou naqueles tempos e que me guia ainda hoje, ao qual recorro sem medo de errar: meu coração.
Um coração que ainda que remendado, empoeirado e tantas vezes descompassado, não deixa de bater pelos meus passos certos.

Raquel Núbia

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Sobre a liberdade de não se importar

“A gente sabe que superou quando lembra e não sente mais dor”.
Já li e ouvi isso algumas vezes… Tenho certeza de que vocês, leitores, também já devem conhecer essas palavras e hoje elas vieram soprar nos meus ouvidos.
Eu faria uma pequena modificação:
“A gente sabe que superou quando lembra e não sente mais”.
Sim, porque às vezes o que sentimos antes da superação não é dor. Pode ser muito mais e muito menos do que isso. Pode ser pena, raiva, decepção, remorso, ódio, saudade… E, ao meu ver, quando não sentimos mais nada, aí sim está a conclusão.
Isso se aplica a qualquer coisa e não somente a relacionamentos amorosos. Acho curioso como algumas pessoas tendem a reduzir tudo ao amor romântico em detrimento de tantas outras formas de relação, profundas ou não.
Minhas superações mais significantes nos últimos tempos em nada tem a ver com romance, mas sim com amizades e projeções de terceiros sobre mim.
Quantas vezes já cuspi palavras na folha de papel por não poder cuspir em quem me despertava tanta ira! E hoje, depois do tempo passado, me sinto confortável e em paz por não me deixar provocar mais esse tipo de reação.
Isso não significa que retomei laços, fiz as pazes ou esqueci o que me fizeram. De forma alguma.
Isso significa que hoje não me importo mais. Significa que as ações dessas pessoas no passado e no presente não me dizem mais nenhum respeito e não me despertam nem mais curiosidade.
Então você pode se questionar “mas porque ainda fala sobre isso?” e eu respondo: Porque sou livre. E essa liberdade vem justamente de não me sentir dominar por nenhuma dessas experiências que citei acima. Sendo livre, eu domino e escolho como reagir. Livre, verbalizo o que quiser sem ser influenciada por isso. Essa liberdade me trouxe a irrelevância dos fatos e meu tamanho frente a eles.
Sendo assim, não há porque evitar, esconder, silenciar, pois guardo meu silêncio para o que ainda tem espaço dentro de mim e que me requer reflexão e elaboração.
Sim… Ainda existem itens não superados e tudo bem!
O que aprendi com as vivências passadas já me auxilia muito nos dias de hoje.
Eu não visto mais a carapuça que fizeram pra mim e não caio mais nas armadilhas daqueles que conheceram minhas fraquezas para tentarem ser mais fortes do que eu.
Sinto muito em dizer, vocês fracassaram.
E hoje não preciso mais afundar a caneta nas linhas brancas do caderno para liberar a poluição de sentimentos que me fizeram experimentar.
Não.
Hoje são palavras pensadas, palavras calmas… Daquela calma que somente a falta do sentimento pode nos dar.

Raquel Núbia

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Raquel Núbia. Foto: Leandro Oliveira – Muriaé/MG

Relembrando: Distraído

Vamos fechar o mês de novembro #relembrando uma das minhas crônicas favoritas já postadas aqui no Verba Volant. Com ela deixo um convite para repensarmos como temos encarado os acontecimentos da nossa vida. Será que estamos tomando responsabilidade pelo que nos acontece ou estamos delegando isso à quem nos cerca?
Precisamos refletir, pois enquanto não tomarmos nossa parte e agirmos sobre ela, não conseguiremos efetivar as mudanças que desejamos para nós:

“Quando foi que nos tornamos assim, tão especiais?
Quando foi que o mundo passou a girar ao nosso redor?
Quando foi que todas as pessoas que conhecemos começaram a agir em nosso favor ou contra nós?
Em algum intervalo de tempo, eu perdi esse momento e, de repente, quando voltei à “realidade” pude ver somente o caminhar das coisas, o reclamar, a busca incessante pela responsabilidade e culpa alheia. De 8 ou 80 o que ouço são pessoas adultas se denominando meninos e meninas, fazendo das paredes, espelhos que só refletem sua própria imagem e assim, tudo o que os cerca, tudo o que acontece está voltado para eles mesmos.
Não, eu não falo de selfies, bons ângulos, filtros, likes…
Eu falo de pessoas se eximindo de suas vidas, colocando no colo do outro as causas para suas mazelas e belezas… Se estou triste, a culpa é do outro que me magoou… Se me olharam, é porque sou demais e irresistível… Se me traíram, é porque outra pessoa roubou meu amor… Se revidei a alguma agressão é porque fui provocada ao máximo por outra pessoa.
Nunca me sinto triste por problemas meus… As pessoas nunca me olham por olhar… Se fui traída, não foi por falta de qualidade minha… Se revidei não é porque perdi o controle… clique aqui para continuar lendo.”

Raquel Núbia

Distraído

 

 

Relembrando: Carta para ela

Conviver com um transtorno mental não é tarefa das mais fáceis, mas aprender a lidar com isso, da melhor forma possível, é um dos caminhos que podemos trilhar para uma vida mais saudável e mais feliz. Nem sempre conseguimos mudar as circunstâncias do que acontece conosco, mas podemos transformar a forma com que reagimos a elas.
Escrever sempre foi um caminho para mim, como na crônica “Carta para ela” publicada em Novembro de 2016 e que relembro aqui.

Carta para ela
Foto: Leandro Oliveira

Abraço,

Raquel Núbia

DIA #29 – 30 DAY CELEBRATION

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Não costumo me arrepender das coisas que faço, até porque para que eu efetivamente faça alguma coisa muita reflexão é necessária e se eu cheguei ao ponto de tomar alguma ação, tudo o que precisava ser pensado para evitar problemas futuros, já foi.
Entretanto, se for para me arrepender de algo, que seja do que eu fiz, sempre!
Jamais conseguiria lidar com o assombroso “e se”… E se tivesse feito isso, e se tivesse dito aquilo… Prefiro lidar com as consequências das minhas ações concretas, ainda que me exijam esforço e grande responsabilidade do que ter que lidar com hipóteses e situações sobre as quais não tenho domínio.

E vocês? O que preferem?

Abraços,
Raquel Núbia

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Raquel Núbia. Foto: Leandro Oliveira – Tiradentes/MG

DIA #26 – 30 DAY CELEBRATION

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“Oi,

Engraçado me perceber tão cautelosa na escolha das palavras quando a falta de filtro entre nós foi justamente o que nos aproximou logo de cara. Quantas vezes a gente se perdeu em conversas infinitas sobre o tudo e sobre o nada? Eu nem consigo contar…
Pra mim nossa amizade seria pra sempre. Mesmo sabendo que você não faria mais parte de todos os meus dias, eu sentia em mim a disposição de um esforço para que você continuasse a fazer parte da minha vida, tanto que traçamos planos e envolvemos outras pessoas neles. Eu tinha “certeza” de que daria certo, mas não deu.
Quando eu saí de perto de você nosso vínculo era forte, cheio de carinho e cumplicidade. Quando eu voltei já nem consegui mais chegar perto porque você escolheu jogar tudo o que tínhamos numa gaveta velha junto com as outras coisas que você iria deixar pra trás.
Que golpe…
Não pela escolha em si. Tudo bem você se questionar e ter dúvidas, isso acontece com todo mundo. O golpe doloroso foi pela sua postura, pelo tratamento gélido que me deu sem eu nem saber porque… E até hoje tudo o que tenho são especulações advindas de outras pessoas já que eu nem estava aqui quando “tudo aconteceu”.
Naquele dia eu chorei de tristeza. E levei essa tristeza comigo por mais um tempo até que dentro de mim gritou mais alto a minha voz, me dizendo que se aquela era a forma que você decidiu lidar com tudo, realmente não fazia nenhum sentido continuar investindo na nossa amizade, pois o meu valor é muito maior do que o que você estava disposta a me dar.
Hoje te lembro com pena… Pena de uma amizade tão intensa ter ficado pra trás. Uma amizade que me rendeu um tanto de dor de cabeça, mais um tanto de boas memórias e alguns versos que deixo aqui pra você.”

Raquel Núbia

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Foto: Raquel Núbia

DIA #17 – 30 DAY CELEBRATION

17Aprendi e tenho aprendido algumas lições com meus pais e irmãos, então fica difícil saber qual a maior e mais importante delas, visto que são complementares. Acredito que o que uma das coisas que aprendi ainda na infância é ser honesta com os outros e comigo mesmo. Honesta em todos os sentidos… No sentido de não levar pra mim o que é o dos outros, não tirar vantagem das pessoas, não me favorecer ou aceitar favorecimentos que venham por motivos duvidosos.
Eles me ensinaram pelo exemplo que a vida é difícil, mas que devemos ser lutadores e não esmorecer frente aos muitos obstáculos que encontramos. Me ensinaram que um passado com dificuldades não determina um futuro turbulento e que o nosso esforço nos leva para frente. Me ensinaram que, por mais que tenhamos com quem contar e que por algumas vezes seja preciso recorrer a outros, precisamos sempre contar primeiro com a gente mesmo, pois a dependência do outro nos limita, nos ameaça e nos mantém reféns. Sendo assim, se desejarmos algo, precisamos ir atrás, pois ninguém irá por nós e muitas vezes, as pessoas nem compreenderão os motivos dos nossos sonhos e metas.
Tenho pais guerreiros e batalhadores que criaram filhos guerreiros e batalhadores também. Jamais serei capaz de agradecer tudo o que fizeram por mim e a imensa sorte que tenho por tê-los comigo.

Abraço,
Raquel Núbia

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Raquel Núbia – Foto: Leandro Oliveira-Petrópolis/RJ