Relembrando: Os tombos pela estrada da vida

Uma coisa é certa, no caminho que percorremos pela vida, vamos cair. Por isso saber levar esses tombos e tão importante como saber se levantar…

os tombos pela estrada da vida

Os tombos pela estrada da vida

Passa dia, volta dia e vez ou outra o ponteiro cai de novo.
São horas a fio girando os pedais para fazer a roda girar mas depois das descidas à solto e das subidas difíceis as pernas adormecem e pedalar não é mais tão fácil assim.
Os pedais param e a bicicleta cai.
Sabe Deus quantas vezes esfregamos a poeira da roupa, sopramos os joelhos ralados e voltamos a nos equilibrar sabe se lá porque.
Mas em alguns dias os machucados doem mais e as penas simplesmente desobedecem. Não é que o corpo não segue as ordens da mente… É que até a cabeça quer parar.
Nessas horas nos recostamos na calçada e assistimos aos outros passarem, sozinhos, em bandos e imaginamos se vamos encontrar forças para alcança-los.
Assentados ali, num canto de asfalto, não há ninguém que compreenda porque paramos e há aqueles que ao nos verem tombar, optam por não enxergar, por não se envolver.
E então, sem mais nem menos, voltamos a pedalar… Sem vontade, sem esforço, seguindo um caminho que já está traçado. Evitando abrir novas trilhas. Afinal, sem desejo, pouco importa para onde vamos.
Seguimos apenas porque nos disseram que temos que ir”.

Raquel Núbia

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“Ponto&Vírgula” – Post 07

Sobre aquela que um dia tirou o meu sorriso

Dia desses estava lendo meus textos “antigos”, desde o início do Blog… Não consegui ler todos, mas passei por muitos. Curioso como cada um deles me trouxe uma memória, alguns me levaram exatamente para o momento de sua criação, reacenderam sentimentos, alegrias, perdas mas, acima de tudo me mostraram que consegui sair do lugar. Consegui me mover.
Em algumas passagens me via tão absorvida pelas questões que me cercavam, lutando contra um sentimento ruim que brotava dentro de mim, direcionado a pessoas que eu nem conhecia tão bem, mas que, com seus atos odiosos, despertavam em mim meu pior lado.
Hoje não mais.
Na verdade, hoje penso em como teria sido se eu tivesse tido a oportunidade de tratar todas aquelas coisas de modo mais direto, falando diretamente com quem me direcionava tanta ira, falando abertamente. Mas essa oportunidade me foi negada e nem posso culpá-la por isso, pois quem me pediu cautela na tratativa de tanto alvoroço nem foi ela…
Quantas vezes a odiei sem fim!
E sim, era ódio mesmo! Naquele nível que nos transforma e revela o pior de nós. Quando reflito, nem sem porque senti tanto, com tamanha proporção, pois as ações dela contra mim se resumiram em um amontoado de palavras amargas que projetavam em mim seus próprios medos e suas próprias frustrações, afinal o objeto real de seu ódio lhe foi tirado repentinamente e como, provavelmente odiar quem um dia se amou tanto pode ser muito difícil, inconscientemente ela decidiu odiar o que mais personificava sua dor: alguém melhor e mais feliz.
Não é curioso como personificamos em algumas pessoas os nossos piores sentimentos? E, em algumas vezes, essas pessoas são apenas um estandarte, uma representação que carregam características que nós colocamos nelas e que, nem sempre elas realmente tem.
Claro que ninguém fica satisfeito recebendo ataques, sendo assediada e tendo pessoas queridas sendo assediadas também a troco de nada. Talvez meu advogado tenha ficado satisfeito quando o procurei com provas suficientes para uma causa ganha! Mas logo ficou insatisfeito quando eu desisti de acionar a justiça. Não valeria a pena. Nada que tira a minha paz, vale.
Hoje me sinto melhor por conseguir revisitar esse recorte do meu passado sem sentir tanta coisa ruim. Às vezes sinto, ainda mais quando penso em tudo o que não foi dito, mas nada que me impeça de seguir com coração mais tranquilo.
Não sei se um dia a gente ainda vai se esbarrar por aí… Impressionante como cidades tão pequenas ficam tão grandes quando nossos ciclos se encerram. São as mesmas ruas, pessoas e lugares, mas alguns rostos nunca mais aparecem! E, se um dia chegar esse momento de, novamente estarmos no mesmo lugar ao mesmo tempo, não sei qual será a minha reação.
A única certeza que tenho é que, independente do que aconteça, de qual comportamento e sentimento será despertado, sei que sua origem será o meu lugar seguro de sempre, que me guiou naqueles tempos e que me guia ainda hoje, ao qual recorro sem medo de errar: meu coração.
Um coração que ainda que remendado, empoeirado e tantas vezes descompassado, não deixa de bater pelos meus passos certos.

Raquel Núbia

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Indizível

Velha e boa amiga angústia
Que insiste em não me deixar.
Tristeza companheira
Que gosta de me abraçar.

Esse é o caminho
Que eu não consigo aprender.
Essa vida que eu não quero,
É a única pra viver.

Vendo as pessoas e suas personas
Subindo cada degrau.
Me olhando lá de cima
Enquanto eu aqui me sinto tão mal.

Me importando com coisas e gente
Que não queria me importar.
Mas essa é minha essência,
Não posso simplesmente ignorar.

Eu já aprendi quem é bem me quer,
E quem não me quer de jeito nenhum.
Aprendi quem vale a pena
E quem não vale tostão algum.

Mas mesmo frente a tudo isso
Sinto impossível não questionar.
O que faz os outros se moverem
Mas me mantem no mesmo lugar?

Em alguns momentos
Tudo volta ao antigo normal.
Mas basta um olhar em volta
Pra realidade habitual.

O normal agora é passado
E de passado não se vive mais.
O que resta é o presente
Porque o passado ficou pra trás.

E pra trás também fica a memória,
Fica o sentimento e toda lembrança.
E pra frente é a resistência,
Caminhando lado a lado com a esperança.

Esperança, sentimento bobo,
Inútil, sem serventia.
Aliás, serve pra uma coisa,
Serve pro banho de água fria.

Aquele que aparece
Todas as vezes que os olhos brilham.
Por ouvir palavras que encobrem a verdade
Do que sentiam.

Indizível

Uma coisa é dita
Mas outra coisa se quer dizer.
A mão que afaga
É a mesma que quer bater.

O “bom dia” vem do mesmo lugar
Do sussurro contido.
O sorriso vem da mesma boca
Que fala escondido.

Olhos e ouvidos
Já não sabem como ver e ouvir.
E decifrar mentiras que vem
De onde não deveriam vir.

É infinito o poder
De paralisar.
Quando, na verdade,
O certo seria ensinar a andar.

Vejo com pesar que existem coisas
Que valem a pena a insistência.
Com tristeza, à conclusão
Chega à minha consciência.

O que uma vez foi forte
Hoje está quebrado.
Os pedaços se espalharam
por todo lado.

De tanto remendo
Ficou tudo cheio de marcas.
E agora é tarde,
Muito tarde para apaga-las.

Existem coisas que realmente
Não se recupera.
Por mais que seja o que
O coração espera.

O jeito agora é lamber as feridas
E seguir em frente.
Até porque pra ocupar o lugar,
Tá cheio de gente.

Fica a mágoa do que
Poderia ter sido.
Fica o suspense de tudo
O que foi vivido.

Fecha o ciclo, fecha os olhos
E segue o caminho.
O caminho segue, parado ou andando,
Com gente ou sozinho.

Raquel Núbia

Aprendiz

Quantas vezes é preciso cair antes de aprender a permanecer de pé?
Quantas vezes é preciso chorar antes de aprender a manter o sorriso?
Quantas vezes é preciso prender o nó na garganta antes de aprender a falar?
Quantas vezes é preciso perder o momento antes de aprender…
São tantas incertezas escondidas no meio de tanta monotonia. É muita falta de ação aprisionando uma mente tão inquieta.
Que coração é esse que deposita cada batida no pulsar de outro?
Se coloca assim, tão aberto, se deixando tão exposto para se machucar. Não aprende a bater sozinho porque se coloca cada vez mais dependente de um sopro que vem de fora.
Por que faz assim?
Quantas vezes mais…

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Foto: Raquel Núbia

 

Raquel Núbia