Relembrando: O mentiroso

Tantas formas de amar, mas ultimamente a que está mais em uso é amar sem se comprometer. Com inúmeras justificativas, tantos compromissos, afazeres, colocamos até mesmo a responsabilidade do nosso ato de amar sobre o outro…

o mentiroso

“O mentiroso

Me desculpe se sou a portadora de más notícias, se após ler esta crônica escrita as pressas sua visão de mundo ficará menos sonhadora e mais pessimista, mas preciso contar-lhe uma verdade: Michael Jackson mentiu para você.
Você se lembra de uma certa vez que ele te disse:
“Você não está sozinho, eu estou aqui com você. Mesmo que você esteja longe, eu vim para ficar. Você não está sozinho, eu estou aqui com você. Mesmo estando separados, você está sempre no meu coração. Você não está sozinho.”
Pois então: Liar, liar, pants on fire!

“Você não está sozinho, eu estou aqui com você”
Sim. Você e eu e todos os demais estamos sim sozinhos. Os outros que estão aqui para ficar, estão somente até o ponto e vírgula que separa o que nós precisamos e o que eles estão dispostos a dar. Tudo isso junto ao sentimento irrefutável de que se qualquer pessoa fez algo por você, ela cobrará mais tarde, mesmo que seja numa frase solta apenas para “reforçar” que não está esperando nada em troca.

“Mesmo que você esteja longe, eu vim para ficar.”
Não. Elas não estão para ficar. Acredito até que a permanência realmente seja o desejo delas e que, em algum momento, elas realmente tiveram fé de que isso aconteceria. Mas, não se engane, as pessoas sempre vão partir.

“Você não está sozinho, eu estou aqui com você.”
Volte ao segundo parágrafo.

“Mesmo estando separados, você está sempre no meu coração.”
Qual o tamanho da conveniência de quem te ama “separado” mas dentro do coração? Nosso mundo atual criou a melhor forma de amar. Aquela que se limita ao “estou longe mas estou aqui, se precisar de mim, me chame”. Sabe, eu não preciso que me levem nos corações. Seria bem melhor se esse lugar no coração fosse expresso em atitudes e que a distância da separação não fosse encarada como algo definitivo consertado por um espaço fictício dentro de um orgão que bombeia sangue.

“Você não está sozinho.”
Sim. Você está, meu caro.
Por isso ame, se importe, se doe, seja caridoso, faça o bem, lute por alguém… Mas sem jamais se esquecer de que o nosso rei do pop nos pregou uma peça e vem cantando repetidamente uma mentira grotesca em nossos ouvidos carentes e sedentos por um porto seguro.

Ao contrário do que costumamos dizer, essa é uma mentira que não tem perna curta. Mas eu te empresto a minha tesoura para que hoje, após ler minhas palavras azedas, você corte esse mal pela raiz.”

Raquel Núbia

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Luminoso

Sou tão jovem e nada sei,
Mas sei que guardo em mim
um amor imensurável,
um amor sem fim.

Te olho nos olhos e vejo
a imensidão em um ser tão pequeno.
Que é grande no que faz sentir,
que é tormenta e que é sereno.

Um pedaço de mim que vive.
Que respira e bate coração.
A obra perfeita do Pai
que pedi em oração.

De tudo que eu não conheço,
e das coisas que um dia eu vi,
é o amor mais absoluto
que transborda do peito a sorrir.

Sou tão jovem e pouco sei,
mas sei que tenho em você,
um amor inabalável,
um amor que jamais vai morrer.

Raquel Núbia

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Foto: Raquel Núbia

Relembrando: Vamos falar sobre o amor?

vamos falar sobre o amor

Vamos falar sobre o amor?

Quando a gente vai falar de amor recorre a vários clichês e, por estar amando, a gente nem se importa de cair nessa armadilha.
Entre tantas formas de amar e tantos tipos de romance, fica difícil acreditar no certo e no errado, pois o sentimento verdadeiro é infinito por si só e na sua imensidão o livro de “regras” pode não ter fim.
E para que ama, pouca coisa importa quando se refere ao sentir. Quando se está preenchido dessa forma, gozando da completude de uma companhia desejada e que também te deseja, tudo mais é alheio.
Seja qual a forma de demonstração, intensidade… Seja qual for o tempo passado… O amor reserva para si o direito de ser enorme mesmo quando pequeno, de ser delicado mesmo quando forte, de ser pra sempre mesmo quando efêmero.
“Que seja eterno enquanto dure”?
Que dure enquanto for amor.”

Raquel Núbia

Sobre o cultivo dos sentimentos

Definitivamente eu acredito que o pior sentimento que alguém com quem você se importa pode sentir por você é a indiferença. Aquele sentimento morno, do tanto faz, onde se arruma justificativa para a ausência e para todos os erros torpes e onde nunca há um desejo real. A falta da questão da presença, da companhia e o pior, o costume com tudo isso… O costume com a presença, o costume com a companhia e com a falta dela.
Sempre digo que o tempo rouba muita coisa da gente. Rouba o encantamento, a curiosidade pelas coisas e pelas pessoas e é uma escolha, um esforço diário manter tudo isso seja pelo que for, amigos, trabalho, relacionamentos… É sempre uma escolha e quando escolhemos não fazê-la ou quando nos omitimos, abrimos caminho para outras escolhas.
Esse tanto faz adormece o sentimento no outro, pois todo sentimento deve ser cultivado.
Obviamente há tempo e hora pra tudo. Tempo para se estar com amigos, tempo para se estar acompanhado, tempo para se estar sozinho… O que não há é tempo a perder quando se trata de demonstrar ao outro o que ele significa pra gente.
O reconhecimento é importante. Dizer e demonstrar o que se pensa ser óbvio também é. Nunca podemos estar tão certos do que o outro sente pela gente ou do que sentimos pelo outro a ponto de deixar subentendido.
Não são necessárias grandes demonstrações… Valem mais os gestos contínuos que reforçam que estamos ali, que admiramos, sentimos falta. Que mostram que a presença faz diferença e que a ausência é sentida.
Que coisa mais triste se sentir invisível, se sentir o “tanto faz”… Sentimentos não mudam de uma hora pra outra, eles agonizam e se transformam aos poucos. Então se você sente algo, mostre e se não sente mais nada, liberte e deixe ir.

Raquel Núbia 

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Foto: Raquel Núbia. Cataguases/MG

Ao amor da minha vida

Eu nunca fui de pensar muito em você… Sendo sincera, até pouco tempo eu pensava quase nada, nem reservei momentos para te planejar.
Em algumas situações me senti cobrada de forma velada por essa posição e um pouco diferente e sem lugar.
Eu tive certeza de que viveria minha vida sem você.
Certa vez achei que tudo tinha mudado, naquela hora eu falei de você, eu pensei em como seria te ter e por um breve, breve momento eu te quis.
Mas aquilo passou num piscar de olhos e quando olhei pra trás percebi que não te ter foi a melhor coisa que me aconteceu. Não era o tempo. Se tivesse sido, tudo seria diferente.
Novamente achei que não aconteceria mais, que você havia sido uma alternativa momentânea para salvar algo que não podia ser salvo, mas o tempo passou e cá estou eu pensando em você. E hoje penso mais que nunca!
Hoje eu sinto que te quero e desejo da maneira certa, com o sentimento certo.
Hoje eu te planejo como uma realidade, como alguém que eu quero nos meus dias e noites, que eu desejo apesar de tudo.
Você já está nos pequenos detalhes, nas concessões temporárias e talvez definitivas.
Eu penso em você todos os dias. Em alguns dias a todo instante, em outros por um breve segundo, mas sempre.
Eu não te conheço mas, você já existe!
Eu não te conheço mas já consigo sentir até o seu cheiro!
Eu tenho amado a ideia de ter você na minha vida mas sei que, quando você chegar eu vou te amar ainda mais.
Mal posso esperar para ter nos meus braços a pessoa que mais vou amar nessa vida.

Raquel Núbia

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Foto: Leandro Oliveira – (Fiz esse texto quando ainda não estava grávida, hoje são 03 meses e meio, e contando… ❤ )

 

Sobre as canções dos dias de sempre

Os dias continuam passando no mesmo turbilhão de sempre e, ultimamente tenho gostado porque esse turbilhão é o que tem envolvido planejamentos importantes que colocam todo o restante das atividades sob perspectiva e definem o tamanho real do que realmente importa.
E a gente vai vivendo e, como escreveu Mário Quintana: “Tão bom viver dia a dia… A vida assim, jamais cansa… Viver tão só de momentos, como estas nuvens no céu…”, e sentir realmente que estamos priorizando o que tem importância verdadeira pra nós. Você tem feito isso?
Nem sempre é tarefa fácil, porque são tantos estímulos jogados sobre nós o tempo todo, tantos deveres e expectativas que nos rondam a todo momento que nem sempre conseguimos refletir sobre nossas ações e sobre nossos planos. Mas se não somos capazes de pensar sobre nossos desejos e nossos objetivos, jamais seremos senhores do nosso tempo, de nossos resultados e a vida se tornará uma grande engrenagem da qual seremos apenas mais uma peça e não o protagonista da nossa história, seja ela qual for.
O tempo é como a água quente que alcança o corpo cansado no fim do dia. Aos poucos desata os nós, desfaz a tensão carregada nos ombros, alivia a mente pesada e transforma o cansaço e o estresse em renovação e preparo para novos desafios.
A água quente que caiu sobre mim, lavou minhas angústias outrora sentidas, levou a falta de crença na eternidade dos sentimentos e limpou os sentimentos anuviados que habitavam meu coração. O tempo faz milagres quando estamos dispostos a colaborar.
Não é lindo viver assim? Sem dar nomes aos rios justamente por saber que será outro rio a passar? Com a tranquilidade de que nada acaba para sempre e também não continua, pois, o ciclo correto é recomeçar?!
“E sem nenhuma lembrança das outras vezes perdidas”, carrego a rosa dos ventos em minhas mãos distraídas…

Raquel Núbia
(para ler a poesia completa de Mário Quintana, clique aqui)

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Foto: Raquel Núbia – Rio das Ostras/RJ

 

Sobre os dias frios

Eu moro em uma cidade do interior de Minas Gerais e o clima aqui na maior parte do ano é de muito sol e muito, muito, muito calor. A geografia fez com que as montanhas nos cerquem, fazendo parecer que estamos no centro de um vale, o que torna as correntes de vento escassas e isso faz com que a temperatura sempre seja mais alta do que realmente os termômetros apontam.
Costumo brincar que temos 10 meses de sol queimando e 2 meses de frio. Sim, apenas “duas estações”…
Nos últimos anos, pelo menos, o inverno por aqui, apesar de passar num piscar de olhos, tem sido cada vez mais intenso, com muitas noites e manhãs muito frias e aquela chuvinha fininha que derruba a temperatura.
Quando eu era mais nova, amava o verão. Não passava um fim de semana sem piscina, um feriado sem praia. Verão pra mim, significava muita diversão, amigos, bons momentos… Mas de uns anos pra cá isso mudou muito e eu desenvolvi um caso de amor intenso pelo frio.
E o engraçado é que, quando paro pra pensar, percebo que a maioria das memórias que me trazem alguma nostalgia e, às vezes, até angústia, são aquelas congeladas nas manhãs e madrugadas geladas.
Quando me pego suspirando por algum lugar, um refúgio ou um cenário pra viver todas as aventuras e contos de fadas que invento entre uma obrigação e outra, sempre me vem à cabeça as cores desbotadas e nubladas que somente o clima invernal podem ter.
Talvez pela minha personalidade geralmente mais deprimida do que a média, ultimamente tenho me sentido cada vez mais compelida a contemplar esse lugar imaginário de águas frias e céu cinza, que tem se tornado muito mais atraente do que qualquer água salgada de céu azul.
Talvez também, isso seja porque todos esses lugares me transparecem a calma de um café quente e de uma cama macia. De uma janela embaçada com vista para a varanda molhada que emoldura o verde escuro triste das árvores. Tudo muito diferente do correr do relógio que dita as regras dos meus dias.
É verdade, tenho que admitir, que viver dias consecutivos sem a presença do sol e do calor, me leva para um lugar em que me grita o desejo de me recolher, de me encolher e ser apenas para mim. Mas, esse lugar me é tão comum que sinto falta – “always find my place among the ashes*”…
E para os dias em que a realidade grita cores vibrantes e o mormaço vem com seu abraço assim que piso em qualquer ambiente externo, o que resta é coletar inspirações e expirações em forma de suspiro, desejando a próxima oportunidade de estar cercada por esse mundo que guardo dentro de mim.

Raquel Núbia
*Trecho da música Litium/Evanescence

Montagem
Imagens da internet retiradas do site favim.com

Vamos falar sobre o amor?

Quando a gente vai falar de amor recorre a vários clichês e, por estar amando, a gente nem se importa de cair nessa armadilha.
Entre tantas formas de amar e tantos tipos de romance, fica difícil acreditar no certo e no errado, pois o sentimento verdadeiro é infinito por si só e na sua imensidão o livro de “regras” pode não ter fim.
E para que ama, pouca coisa importa quando se refere ao sentir. Quando se está preenchido dessa forma, gozando da completude de uma companhia desejada e que também te deseja, tudo mais é alheio.
Seja qual a forma de demonstração, intensidade… Seja qual for o tempo passado… O amor reserva para si o direito de ser enorme mesmo quando pequeno, de ser delicado mesmo quando forte, de ser pra sempre mesmo quando efêmero.
“Que seja eterno enquanto dure”?
Que dure enquanto for amor.

Raquel Núbia

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Foto: Leandro Oliveira – São João da Barra/RJ

 

Empatia

É incômodo perceber como algumas coisas óbvias não são consideradas no nosso cotidiano, como conseguimos nos esquecer de princípios básicos que facilitam e guiam a convivência com nosso pares sendo amigos próximos ou não.
Já fazem algumas semanas em que eu me peguei pensando nisso e hoje, novamente, isso me veio à cabeça quase como um grito de revolta. Por isso me senti compelida a rascunhar pretensamente as orações que se seguem e espero, de verdade, que elas levem as pessoas, uma que seja, à reflexão:
– Ao abrir uma porta, peça licença.
Seja uma porta física ou simbólica. Não invada o espaço do outro, qualquer que seja, sem antes pedir autorização para entrar.
– Ao se queixar, seja assertivo.
Quando for relatar um problema alguém, vá direto ao ponto, critique a situação em si e busque melhorias. Não procure culpa ou culpados. E, principalmente, não desmereça um histórico de trabalho e ações por um tropeço.
– Ao se colocar, pense no outro.
Defendo sempre a necessidade de nos colocarmos como prioridade, mas isso não implica em desconsiderar o outro, quem nos cerca. Pense! Se você está triste, cansado, estressado, nervoso, angustiado, o outro também pode estar, no mesmo momento. O fato desse outro não falar nada ou não demonstrar, não significa que ele não sente, apenas que sente e demonstra de maneira diferente da sua. E quem disse que há maneira certa?
– Ao pedir atenção, tenha moderação.
Você pode sim deixar claro para quem te importa que gosta e aprecia companhia e que a atenção é importante. Mas tenha cautela para não se tornar um fardo que o outro carrega, uma obrigação a ser cumprida, pois laços forçados não são laços, são nós.
Certamente poderia continuar listando inúmeros outros itens, mas esse não é o intuito, não há necessidade de me prolongar, pois acho que todos já compreenderam aonde quero chegar. A empatia precisa deixar de ser uma palavra vazia ou um conceito utilizado somente com estranhos em situações extremas.
Se coloque sim em primeiro lugar, mas lembre-se que você não está sozinho e sim cercado por uma multidão que não tem a menor obrigação de pensar, ser e sentir como você.

Raquel Núbia

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Foto: Raquel Núbia