Noites de domingo

Ninguém gosta de noites de domingo…
Pergunte a quem quer que seja todos responderão o mesmo.
Sendo o início de uma nova semana, não era para pensarmos em recomeço? Em novas oportunidades de fazer o que ainda não fizemos e, quem sabe, concertar o que fizemos de errado?
Mas não é assim.
Porque junto com a noite aparecem também as angústias das obrigações do dia a dia, dos afazeres que por vezes procrastinamos por motivos vários… junto com a noite vem a sensação de estarmos reiniciando um ciclo que parece não acabar nunca, onde corremos, corremos mas não saímos do lugar… onde não chegamos a lugar algum.
Talvez, as noites de domingo apenas deixem aflorar o que repreendemos durante todos os dias e noites do restante da semana, simplesmente por estarmos ocupados demais com tudo o que nos é exigido, com tudo o que exigimos de nós mesmos.
A correria da semana, muitas vezes nos impede de pensar claramente, e até mesmo de reavaliar o que temos feito dos nossos dias e qual a importância das nossas “realizações”, acredito até que culpar a correria é um dos artifícios que usamos para não olharmos para nós mesmos afinal, quem gosta de enfrentar a realidade daqueles pensamentos que aparecem sorrateiramente nas noites de domingo?
Fazer essa leitura de quem somos não é uma obrigação, se olharmos a nossa volta, veremos que muitas pessoas vivem seus dias em paz, gozando de um ignorância que os protege desses questionamentos e por consequência, da necessidade de se repensar. Não é difícil reconhecer essas pessoas, geralmente são elas que se ocupam dos detalhes mais fúteis e triviais de nossas rotinas, são aquelas que quando cruzam nosso caminho não tem muito que acrescentar, e por vezes deslocam suas angústias, direcionando suas frustrações nos outros…
Já as pessoas que não gostam das noites de domingo, não são tão fáceis de identificar… Por serem diferentes, e por isso conscientes do que não satisfaz em suas vidas, sabem que esses medos e essas angústias não são bem aceitas na sociedade em que vivemos. Dessa maneira se escondem sob uma de suas máscaras sociais mostrando ao mundo somente o que ele quer ver e deixam para “encarar” a outra face de si mesmo, em uma outra noite de domingo.

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Raquel Núbia

 

Ser feliz ou ter dinheiro?

No momento social que vivemos hoje, a questão me parece ser somente essa: ser feliz ou ter dinheiro?
Trabalhamos dia após dia para garantirmos o suprimento de nossas necessidades básicas e trabalhamos mais um pouco buscando suprir outras necessidades nem tão básicas assim… Entretanto, nisso tudo há uma situação contraditória e mais comum do que deveria.
Passamos a maior parte dos nossos dias no trabalho, e quando temos tempo livre para desfrutarmos do que conseguimos com ele, estamos tão exaustos – física e psicologicamente – que não encontramos energia para fazer o que tínhamos planejado enquanto trabalhávamos…
Algumas vezes nos questionamos, outras temos certeza de que o melhor a fazer seria diminuir o ritmo, mudar de área, parar um pouco, mesmo que isso signifique que perderemos o poder de realização de algumas daquelas necessidades supérfulas que falei anteriormente… Mas o medo parece paralisante ao pensarmos nisso:
“E se eu precisar do dinheiro que ganho? E se houver uma emergência? E se eu conseguir um tempinho extra? Daqui uns meses eu tiro férias… Vou tirar uns dias de folga depois que entregar aquele trabalho importante”.
Será que realmente levamos a sério os nossos desejos?
Tudo passa e, por mais que soe clichê, ninguém é insubstituível…
Dessa forma nossos dias estão passando enquanto nos ocupamos cada vez mais hoje, planejando um futuro que não chega nunca. Nos entregamos às rotinas acreditando que somos vitais quando na verdade deixamos de lado coisas e pessoas que jamais nos substituiriam…

Ser feliz ou ter dinheiro
imagem encontrada na internet

Raquel Núbia