“Ponto&Vírgula” – Post 04

Dos dois lados da mesa

Como profissional da área de saúde mental, é tão comum falar sobre ansiedade… Perco a conta de quantas pessoas me falam que estão se sentindo ansiosas, que seu maior defeito é a ansiedade, etc, etc, etc…
Sendo Psicóloga e conhecendo algumas das teorias que podem explicar essa desordem, é muito claro suas possíveis origens, como se desenvolve, seus sintomas, como pode afetar a vida do sujeito e quais os caminhos para ser superada.
Entretanto, antes da Psicóloga, já existia uma pessoa. E ainda que eu já tenha aprendido a lidar com minhas mazelas, elas não deixaram de existir, apenas se apresentam de maneira mais amena (algumas vezes) e, quando aparecem, fica menos difícil agir sobre elas.
Estando dos dois lados dessa mesa, como Psicóloga e cliente, o que posso dizer é que não é fácil, não é mesmo?
Não é impossível, mas pode ser difícil.
Nossa mente pode ser tão traiçoeira que espanta o que ela pode nos aprontar. Criando teorias, possibilidades, relembrando coisas de um passado distante que nem mesmo conseguimos saber se o que lembramos é realmente algo real ou algo que só existe em nossas memórias.
Mas, como já disse um velho bruxo “Claro que está acontecendo em sua mente (…) mas por que isso significa que não é real?”… Pode ser real sim, e muito.
Essa ansiedade tão insistente pode nos apontar nossos principais defeitos, fraquezas, nos lembrar nossos erros, das pessoas que nos magoaram, as coisas que queríamos dizer mas, de alguma forma, não conseguimos. E isso tudo acontece em forma de avalanche!
Como e possível que exista alguém que possa dizer que essas coisas não existem se eu as sinto latente quando meu coração dispara, mesmo que eu esteja sã e salva no frescor da minha sala com ar condicionado?
E falar em coração acelerando não é uma metáfora… É real, com ausculta médica, com laudo, pedido de exames pra investigar o porque de tal taquicardia. É real, com eletrocardiogramas, com médicos interrogando qual tem sido meu estresse atual em busca de uma razão já que nada fisiológico é capaz de explicar.
E a gente acaba ficando com raiva da gente mesmo, por ser capaz de racionalizar tudo e ainda assim não ser capaz de manter o controle. Por ser capaz de saber a insignificância dos fatos e pessoas e ainda assim se deixar afetar por eles, ainda que momentaneamente. Tantos gatilhos…
Como eu disse anteriormente, não é fácil e em alguns momentos pode ser quase insuportável, mas não é impossível. A gente consegue.
Só precisamos nos lembrar de que nada dura pra sempre. Por pior que seja o momento de ansiedade, ele passa. Por mais que demore, que seja intenso e sufocante, ele passa.
Sempre passa.
Basta aprender a esperar e nos fortalecermos para enfrentá-lo na próxima vez que resolver das as caras.
Seguimos em frente.

Raquel Núbia

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“Ponto&Vírgula” – Post 03

A difícil arte da “escolha”

As pessoas que sofrem de ansiedade, depressão, ciclotimia entre outros transtornos do humor sabem muito bem como é viver com esse sintoma.
O que, para uns, é uma tarefa comum, feita e repetida inúmeras vezes por dia, para aqueles acometidos por estas doenças é um trabalho hercúleo: escolher algo.
E aqui eu não me refiro á escolhas que realmente necessitam de grandes reflexões e análises como por exemplo, mudar de emprego, terminar um relacionamento, fazer uma viagem cara. Aqui eu me refiro a decisões corriqueiras como a roupa que se vai vestir, o que comer e aonde ir com os amigos entre tantos outros exemplos que poderia citar.
Eventualmente todos sentimos essa indecisão, não se preocupe, se você não consegue decidir se vai comer churrasco ou comida japonesa, porque á um grande diferencial entre a dificuldade de escolha considerada “normal” e a considerada sintoma.
Sabe qual é?
O sofrimento.
Na vida de um ansioso, depressivo, a dificuldade de escolher não vem somente da dúvida entre as opções, mas sim de uma infinidade de variáveis que são analisadas na velocidade da luz dentro de uma cabeça que parece que não vai conter tantos pensamentos.
Não se trata apenas de escolher um restaurante para sair em uma sexta a noite, mas sim de percorrer a possibilidade de:
“Será que eu consigo encontrar uma roupa que fique legal, talvez não consiga arrumar meu cabelo, e se chegar no restaurante marcado e não tiver mesa? Para onde poderemos ir? Se for, o que vou comer, afinal estou tentando me alimentar melhor e estar em um local com tantas tentações pode não ser fácil. E se eu tomar uma cervejinha hoje e quiser tomar outra amanhã? Vai prejudicar meu plano alimentar. Será que vai dar tempo de fazer meus exercícios antes de sair? E se não for legal lá e eu quiser vir embora, o pessoal vai ficar chateado… Eu trabalho tanto, quase não fico em casa, mas também quase não saio justamente porque trabalho muito. E tem a questão do dinheiro… Será que esse jantar não vai estourar meu orçamento? Vai que acontece um imprevisto no mês e eu fico sem dinheiro! Melhor ficar em casa. Mas meus amigos querem tanto ir… Como faço pra não ir sem chatear as pessoas? Etc, etc, etc…”

“Simples” assim.
Esse fluxo constante pode impedir que a escolha seja feita e não apenas porque a pessoa é indecisa, mas sim porque ela está realmente incapaz de decidir. E quanto mais ciente ele está deste incapacidade, mais angustiante é a situação, como num ciclo crescente.

Sendo assim, paciência.
Se você é a pessoa que vive esta situação, tente pensar racionalmente sobre todas as dúvidas que passam pela sua cabeça. Tente encontrar soluções racionais para seus questionamentos. Por exemplo: “Se estou com receio de estourar meu orçamento, posso separar a quantia que poderei gastar e, ao chegar no restaurante, garantir que ficarei dentro desse limite. Se eu não conseguir fazer todos os meus exercícios antes de sair, posso compensar na próxima vez em que me exercitar e etc.”
A princípio não será fácil.
Mas isso é uma questão de treino, tentativa, erro e acerto.
O importante e não desistir, apenas descansar quando for preciso.
Agora, se você percebe esse comportamento em alguém próximo, tente estimular aos poucos para que a pessoa consiga tomar pequenas decisões e fazer pequenas escolhas.
Caso perceba que esta pessoa está se sentindo sobrecarregada, tente fazer alguns ajuste para ela.
E saiba que pressionar uma decisão jamais será o melhor caminho.

Abraços,
Raquel Núbia

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“Ponto&Vírgula” – Post 02

Postei essa reflexão ontem no meu stories no Instagram e como tive muita resposta lá, achei que seria válido publicar aqui também:

É preciso ter sabedoria para filtrar tudo o que ouvimos.
O que as pessoas nos dizem e a forma como falam dos outros nos diz muito sobre elas mesmas, pois o discurso de uma pessoa geralmente vem carregado daquilo que a pessoa traz dentro de si. Por isso é preciso ficar atento.
Aqueles que somente julgam, falam mal de outras pessoas e apontam defeitos sem intenção de melhoria, estão sinalizando sua essência na forma de se comunicar.
Se elas não tem pudor de falar dessa forma com você sobre outras pessoas, certamente não terão pudor de falar DE você para os outros.
Então, preserve sua saúde mental e fique SEMPRE atento ao QUE você diz e a COMO diz e mantenha atenção ao que você escuta e permite entrar na sua vida.

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Abraços,
Raquel Núbia

 

 

“Ponto&Vírgula” – Post 01

Conforme postei aqui, pretendo inserir alguns conteúdos sobre saúde mental no Verba Volant. Quem já me acompanha sabe que sou Psicóloga mas, devido a vivências particulares, tenho também uma visão de paciente e é isso que gostaria de compartilhar com vocês, leitores. Algo entre explicações conceituais, aconselhamento e também meus relatos pessoais que podem ser comuns a tantas outras pessoas.

Entretanto, visando agrupar todas as propostas do blog, sem descaracterizar o propósito principal que é literário, proponho uma diferenciação dos posts.
Para isso, criei um menu lateral chamado “Ponto&Vírgula” onde todos os posts sobre o tema serão agrupados por meio de uma categoria/tag, facilitando as pesquisas. Dessa forma, basta clicar na categoria/tag do menu para visualizar somente as postagens deste projeto.
Outra diferenciação será o modelo adotado para as postagens, já que estas serão formatadas de maneira específica e não serão ilustradas com fotos próprias e outras nem mesmo serão ilustradas.

Além disso, o título virá sempre sinalizado com “Ponto&Vírgula” e o número da postagem, conforme este post.

Por que “Ponto&Vírgula”?

Essa simbologia é referente ao “Project Semicolon” (Projeto ponto e vírgula) iniciado em 2013 por Amy Bleuel e se trata de uma organização sem fins lucrativos que funciona como uma iniciativa “anti-suicídio”.
O projeto visa apresentar esperança para aqueles que estão lutando com depressão, suicídio e auto-mutilação. Esta iniciativa utiliza a tatuagem do símbolo de ponto e vírgula como uma forma de solidariedade entre pessoas que estão lidando com doenças mentais ou com a morte de alguém por suicídio, incluindo pessoas de diferentes crenças e religiões.
O símbolo é utilizado pois, na literatura, ele é empregado quando o autor podeira escolher terminar sua sentença com o ponto final, mas escolheu não o fazer. O autor é você e a sentença é a sua vida.

Deixei suas oportunidades de melhoria e sugestões nos comentários ou entre em contato comigo por e-mail!

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Novo menu!

Abraços,

Raque Núbia