Aqueles que são por nós

Gostamos de algumas pessoas que não conhecemos bem e com elas nos preocupamos… nos importamos com o que vão pensar, o que vão falar, se estão satisfeitas, se podemos fazer algo para ajudá-las… Algumas pessoas que não nos conhecem tão bem também costumam se preocupar da mesma forma, mas só algumas.

Enquanto isso, o que fazemos com aqueles que nos conhecem bem e se importam por saberem verdadeiramente quais as nossas necessidades, nossos medos e nossos sonhos?

Quantas vezes descontamos toda a nossa ira e nossa frustração justamente nos que estão mais próximos?

Isso é até comum, mas não pode ser considerado normal… os que estão mais perto certamente sofrerão mais as consequências quando nossa bombas explodirem e os maiores estilhaços os atingirão primeiro, sobrando para os demais somente o vendo forte da explosão.

Acredito que se gostam realmente, saberão nos ajudar a limpar a bagunça e começar novamente, entretanto se nós gostamos realmente também vamos aprender…

Aprender que uma hora as pessoas se cansam de fazer o trabalho dos outros e pelos outros… se cansam de aparar as arestas, de ser o ponto forte e o porto seguro, não porque deixaram de nos gostar, mas porque também precisam de referências como estas.

Não podemos deixar de reconhecer aqueles que nos dão a chance e o motivo para tentar de novo, que compreendem nosso lado mais sombrio e, para ele, tentam trazer um pouco de luz afinal.

aqueles que são

Raquel Núbia

Penso, logo…

Às vezes nos preenchemos de um vazio tão grande que nos faltam os movimentos…

Isso nos paralisa… E apenas pensamos…

Afinal, o que mais resta senão o pensamento? Único capaz de libertar nossos sonhos, realizar nossos planos… Pensamentos que são confidentes, são o segredo e o que os fazem secretos. Por meio deles realizamos os desejos mais impossíveis: amamos, odiamos, conquistamos, derrotamos… São esses pensamentos que nos trazem o cheiro que tanto queremos sentir… eles nos trazem o arrepio, o calor e o frio.

Que outra opção escolher a não ser deixar que nossos pensamentos nos levem para onde a realidade não nos deixa estar?

Penso, logo

Raquel Núbia

Mau humor x Tristeza

Há uma considerável diferença entre mau humor e tristeza, tanto aos olhos de quem vê quanto ao coração de quem sente… Como poderia alguém confundir um com o outro?

Talvez, para um observador externo, seja mais fácil aceitar que uma pessoa esteja mau humorada porque dessa forma, de quem mais seria a responsabilidade senão dela mesma? Afinal, de quem é a culpa por uma pessoa sentir raiva do mundo e não encontrar motivos nem para devolver um cordial ‘bom dia’?

Já para esse mesmo observador, se a pessoa está triste, aí vem um incômodo… Relacionado diretamente ao não saber o que fazer. Entretanto, até mesmo esse não saber pode estar embutido atrás de uma desculpa para não tocar no desconhecido e não se envolver, pois uma vez que você não olha, não vê. E se não vê, não é verdade.

Mau Humor

Será que alguma vez, nós observadores, já nos perguntamos como essas pessoas tristes se sentem quando rotuladas de outra forma? Quando tem sua tristeza negada?

A dor que sentimos é só nossa não cabe a mais ninguém tomá-la para si, mas será que devemos mesmo fechar nossos olhos e esperar que passe e preencher o vazio dos outros com outras coisas vazias?

O que mais seria uma prova de amor do que escutar e acolher a tristeza do outro, seja lá por qual motivo for e se essa pessoa não nos der motivo, não significa que este é inexistente e sim que a dor é tão profunda que não permite aos olhos da alma enxergar o problema.

Que fiquemos atentos!

Raquel Núbia

Prato do dia

Olha esse gosto de felicidade
Que adentrou com tudo o meu paladar,
Desceu pela garganta
E se espalhou pelo corpo todo…
Nutrição melhor não há
Sustenta qualquer ser humano
Que saiba ser humano.
Felicidade de um
Motivo do amor do outro
Que se derrama no sorriso bobo
Que vem sem motivo
E qual motivo se precisa para ser feliz?
A felicidade é o motivo!
Ela me alimenta
É o prato principal
Do qual compartilho com quem mais estiver sentado à mesa.
E para aqueles que se levantaram… Ah, não tem problema… Outro dia vai chegar…
Enquanto eu vou servindo ao outro o que me mantém de pé… Tudo bem, não é por obrigação…
Tenho um estoque de felicidade… Que nunca vai faltar. E coloco à disposição de quem quiser, está servido!
Felicidade a vontade.
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Raquel Núbia

Pedras no caminho

Pedras no caminho

A decepção só nos acerta quando nos deixamos enganar. Quando em algum momento, fechamos os olhos para o óbvio, fingindo não ver uma realidade que se apresenta nua e crua a nossa frente.
A decepção só nos acerta quando nos recusamos a encarar os fatos e mascaramos a verdade insistente com ações e razões de desespero, tentando recuperar algo ou alguém que já não nos pertence mais.
A decepção só nos acerta quando não percebemos a nossa responsabilidade diante daquilo ou de quem nos decepcionou, culpando o outro que não nós, por uma situação impossível de criar sozinho.
De que adianta atribuir a razão da dor ao outro e agradecer a vida pelo aprendizado se ainda não aprendemos que temos parte nas decepções que encontramos por aí…
Tire a bagagem das costas do outro.
Pare de se lamentar pelo que foi e não deveria ter sido.
Seja grande.
A decepção só nos acerta quando nós não acertamos.
A decepção só te acertou porque quem não acertou foi você.

Raquel Núbia
13/12/2015

Outra face

Quão imenso é o sentimento de pena por aqueles que desconhecem o amor. Por aqueles que não conseguem suportar a felicidade do outro. Quão vazio é preciso ser um coração e quão amargurado para procurar e plantar a discórdia entre aqueles que só buscam o amor?
Quão pequena é a alma daqueles que ao ver seu próximo sorrir, não sentem o peito se alegrar? Por que não apenas compartilhar da felicidade que cerca ao invés de procurar motivos e razões, ao invés de se apegar aos detalhes insignificantes da vida?
Então a felicidade do outro só é legítima e merecida se você faz parte dela? Se você é o motivo? Quem pode se achar assim tão importante?
Quão imensa a surpresa ao perceber tamanha dificuldade de compartilhar um novo momento…
São tantos os olhares julgadores que acusam, condenam e sentenciam, quando deveriam, senão aceitar a vida, apenas no mínimo, respeitar as escolhas diferentes que se pode tomar.
Que sejam muitos os espantos e que a pena seja substituída por esperança, pois eu seria tão igualmente fria e vazia se aceitasse a pena que me foi dada.
Respondo à inveja e ao caráter duvidoso que encontrar pelo caminho, com a mais genuína felicidade e com o amor que divido com aqueles que não se importam em receber o bem, vindo ele seja porque e de onde for.

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Imagem: favim.com

Raquel Núbia
13/12/2015

Prioridades

Claro.
Prioridade, cada um tem a sua.
Mas me questiono quase sempre se não estamos nos focando muito em nossas prioridades e nos esquecendo de olhar em volta.
Será que nos lembramos de que fazemos parte das prioridades dos outros?
Será que nos lembramos de que nossas prioridades refletem nas prioridades dos outros?
Será que nos lembramos de que não podemos forçar os outros a compreender nossas prioridades e a participarem delas?
Estamos ficando cegos quando se trata de olharmos o outro. Como somos capazes de não percebermos coisas tão claras à nossa frente?
Estamos priorizando os cabelos ao invés da cabeça.
Estamos priorizando as unhas ao invés das mãos.
Estamos priorizando os sapatos ao invés dos pés.
Estamos priorizando o corpo ao invés da alma.

Prioridades

Raquel Núbia

Sonhos

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Corremos tanto atrás dos nossos sonhos… Mesmo os mais bobos, mesmo os mais impossíveis … Se sabemos que não podemos alcança-los porque são simplesmente sonhos… então apenas sonhamos…
Dizem que “sonhar não custa nada”…Será?
Sonhar às vezes pode custar caro, principalmente quando sonhamos o sonho dos outros ou quando não sabemos ou temos certeza dos nossos… Eu não sei ao certo o que sonho, mas sei que a minha realidade não é exatamente a que eu queria.
Às vezes perseguir sonhos é como correr atrás do vento que carrega uma bolha de sabão, quando você chega perto e toca, ela estoura…
Algumas vezes nos sentimos assim, como se os sonhos que achávamos estar sonhando juntos fossem só nossos… Ou nem fossem sonhos… Apenas a realidade que alguém nos disse pra viver…

Raquel Núbia

Vivo na terra, mas às vezes…

Nunca fui de ter muitos amigos, nem nunca fui de ser o centro das atenções. Nunca fiz questão de reconhecimento público ou demonstrações públicas de afeto. Não gosto de muita “invenção de moda”, nem gosto de gente que faz muito rodeio. Não gosto de pessoas medrosas e muito menos das que colocam medo nos outros. Nunca fui daquelas que usam o amigo para aparecer. Nem conheço as pessoas pelo sobrenome, por sua filiação ou conta bancária. Nunca fui de tirar fotos para mostrar como sou feliz, nem faço questão de ser convidada para ir onde todos estão. Nunca me endividei para poder vestir grife e nem “pendurei” a conta no salão. Nunca viajei para fora do país, e foram poucas as vezes que saí do estado. Mas…
Os poucos amigos que conto em uma mão são aqueles para todas as horas e para a vida toda, para eles sou o mundo assim como eles são para mim. Os carinhos que recebo não precisam de testemunhas porque sinto sua verdade nos gestos do dia a dia. Quando falo é porque tenho certeza e principalmente quando a pessoa que pergunta vale o esforço de verbalizar… e se não quer me ouvir falar, não pergunte minha opinião. Minha presença não é imposta, meu sobrenome é apenas herança da minha família e não um marca que tento impor. Minhas memórias são guardadas no coração e nas palavras que escrevo. Minhas roupas são as que gosto e meu cabelo está ótimo de coque com grampo. Minhas viagens são para os destinos mais maravilhosos do mundo porque não me importa o lugar e sim as pessoas.
Vivo na terra, mas às vezes parece que sou de outro planeta.
Porque para suportar algumas coisas que nos cercam, só mesmo apelando para nosso próprio mundo.

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Raquel Núbia

O cansaço e o costume

Como é fácil se acostumar com algumas coisas… e como é fácil se cansar de outras…
Nos acostumamos até com o que não devemos. Com o mau humor do outros, com a falta de educação, com os problemas no trabalho, com a falta de amor…
Nos cansamos de acordar cedo, de ir ao trabalho, da rotina de casa, dos problemas dos amigos e dos problemas que nos causam os inimigos…
Às vezes nos acostumamos fácil demais com muito menos do que merecemos, apenas por estarmos cansados de seguir em frente, por estarmos cansados de lutar contra.
Quando isso acontece, parece que caímos em um sono profundo em que não conseguimos reagir às atitudes dos outros nem mudar as nossas próprias… eu não quero mais dormir desse jeito…
Não podemos basear o comportamento dos outros pelo nosso porque somos indivíduos e diferentes por natureza. Entretanto, também não podemos nos acostumar a nos submeter aos prazeres dos outros sem questionar… Até que ponto podemos suportar a bagagem que outras pessoas nos dão para carregar?
Até que ponto devemos suportar?
Devemos suportar?
Posso ser até que o me bata o cansaço, mas vou correr para que o costume não me alcance.

O cansaço e o costume
Imagem: explorelifestyle.com

Raquel Núbia