Buscando

Hoje cedo fui dar uma volta em busca de novas imagens para ilustrar os futuros posts do Verba Volant. Como vocês já devem ter percebido, há alguns meses todas as fotos são tiradas por mim ou pelo Leandro Oliveira, são fotos autorais. Mais um carinho e cuidado como o conteúdo disponibilizado para todos o seguidores.

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Abraços,

Raquel Núbia

+ 1.000

No dia de hoje o blog alcançou, já cedo, a marca de 1000 visualizações e eu preciso compartilhar com todos vocês que tem interagido neste espaço, criado e mantido com tanto carinho. E não somente compartilhar, mas agradecer a cada visitante que tem contribuído para o sucesso do Verba Volant: Muito obrigada!
O blog possui uma fanpage, dá uma olhadinha lá também:

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1000

Raquel Núbia.

 

Carta para ela

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Raquel Núbia. Foto: Leandro Oliveira

Então é isso, você realmente não me deixa… você sempre some por um tempo, se esconde, desaparece e eu quase me esqueço que um dia te conheci… mas aí você volta… E eu nem sei porque faz isso.
Se bem que, parando pra pensar direito, parece que realmente te sinto por perto o tempo todo, se esgueirando entre uma risada e outra, entre um projeto e outro, entre um momento feliz e outro.
Você vem me ensinando ao longo dos anos a desconfiar dos sorrisos, das bonanças e das recompensas que a vida á. Suas lembranças são um sinalizador vitalício de que jamais saberei ou terei controle sobre o que virá ao dobrar a próxima curva, ainda que ninguém saiba, esse não saber é uma tortura.
Talvez, apenas talvez, eu esteja sendo injusta dizendo que é você que me persegue pois, confesso que há momentos em que sinto sua falta. Entregar os pontos às suas exigências por alguns momentos pode ser reconfortante e ir contra você exige, quase sempre, um esforço descomunal e esse esforço exagerado pouco a pouco vai drenando toda energia dedicada a esse combate.
Poxa… você é forte! E persistente! E ainda é persuasiva!
Gostaria de dizer que sou o dobro de tudo isso que você é mas, aparentemente, não é bem assim.
Eu me pergunto e imagino como é levar uma vida sem ter que lidar com você o tempo todo. Observo as pessoas à minha volta e vez ou outra me deparo desejando me encaixar…
Sei que jamais saberei a verdade que as pessoas carregam em si, porque já tive amostras suficientes que me provam que o que vemos dos outros são lampejos de uma vida sonhada que nem sempre corresponde à realidade.
Você influenciou comportamentos meus, acredito, que desde que eu era uma criança… com traços e características que me acompanharam e que me representam até hoje. E como seria se não fosse assim?
Sinceramente acho até que já me acostumei. O que me incomoda em você é justamente o fato de você ir e vir a hora que quer e você sabe que faz isso… E faz com maestria, trazendo uma enxurrada de sentimentos desconcertantes e paralisantes.
É… Você me faz de boba, me dá espaço, me dá corda, me dá esperança, tudo isso para aparecer depois e me desconcertar.
Será que você não entende que não há futuro nisso? Não há um seguimento em que conseguiremos seguir juntas. Simplesmente não há.
Quantas vezes mais eu vou precisar entrar nesse embate pessoal com você?
Você me desgasta e eu sempre te dei tudo o que me pediu, algumas vezes até mais do que podia e ainda hoje cá estou eu dedicando o meu tempo a te suplicar novamente que se decida e que me deixe seguir meu caminho de maneira menos nebulosa e tortuosa.
Depois desse tempo todo, você não tem mais a capacidade de me fazer chorar ou me fazer ficar com raiva, nem mesmo de me fazer sentir tristeza. Mas você consegue me fazer sentir algo ainda pior: nada.
Você anula meus sentimentos de uma forma assustadora, mas não sei ao certo o que significa essa ausência de sentir… será você ficando mais fraca ou ainda mais forte sobre mim?
Sei que não me responderá, pois você nunca responde, nunca me dá solução, apenas me confunde e pesa sobre mim o peso do mundo.
Que mal desnecessário…
Quão desagradável ainda vai ser?
Por quantas vezes ainda vou viver toda essa angústia de sentir você à espreita, rondando e aos poucos tomando um espaço que deveria ser só meu?
E por que permito?
É correto dizer assim? Que eu permito que isso aconteça?
Talvez sim, pois como disse, há momentos em que o meu maior desejo é baixar a guarda e deixar que você assuma de vez os comandos desse sobe e desce que eu tenho chamado de vida. Quem sabe não é pra ser assim? Eu tenho estado mesmo cansada ultimamente e, de certo modo, sua companhia é certa e presente…
Quanta contradição… Saber que certamente poderei contar com o que me causa meus pensamentos mais sombrios e meus dias mais nublados.
Bom, aparentemente você é a única certeza que eu tenho. Mesmo não sabendo como ou quando virá, a vinda é certa, pode ser até que eu te chame sem perceber.
Enfim, depois de tantas palavras não consigo encontrar mais nada a dizer e ainda assim sinto que não disse nada. O tamanho de seu impacto sobre mim é intransferível, realmente só eu posso saber.
Sigo aqui, do melhor jeito ou do jeito que sou capaz de seguir.

Até breve,
Raquel Núbia.

Conto

“Não sei há quanto tempo estou correndo quando paro e olho para trás. A adrenalina corre imponente pelo meu corpo e eu descanso as mãos nos joelhos tentando recuperar o fôlego e controlar minha respiração. Sinto cada parte do meu corpo formigando, exclamando por mais oxigênio para que possa recuperar o domínio sob suas funções.
Continuo o caminho, desta vez com passos mais calmos e lentos afinal, já não faz sentido correr tanto, pois quero acreditar que estou segura, mas como posso estar segura se não há ninguém por perto?
Desvio meu pensamento e tento me convencer de que corri o mais rápido e para o mais distante possível e que nada poderia me alcançar ali senão eu mesmo. Subitamente percebo que a única coisa que tenho feito nos últimos tempos é correr…
Correr dos planos traçados, das pessoas, das oportunidades, de mim, da verdade.
Como não percebi isso antes?
Fecho os olhos e tento imaginar um lugar bonito e calmo, com águas claras e o silêncio de que preciso para escutar minha própria voz, de repente minha música favorita me vem à cabeça e cantando mentalmente percebo como cada verso me dá um tapa na cara me lembrando das verdades em que eu acreditei e hoje finjo acreditar.
Me sinto como se estivesse completamente nua e o fôlego me falta novamente, dessa vez não por causa de um corrida intensa, mas devido a velocidade dos meus pensamentos que agora me sufocam.
Novamente sinto a adrenalina realizando seu trabalho e não evito uma olhada por cima dos ombros, estou com medo. De que? De quem? Será que vão me alcançar?
Me dou conta de que preciso continuar correndo, talvez encontrar alguém, mas quem?
Me questiono quase sem querer se vale a pena tanto esforço quando seria tão mais fácil apenas continuar caminhando já que sempre sou encontrada, até quando não quero. Quem sabe o melhor não seria mesmo continuar com meus passos calmos fingindo que não sei o perigo que corro até que sinta aquele velho toque batendo no meu ombro, me pegando pela mão e me guiando de volta pelos velhos caminhos que eu nunca quis conhecer…
Estou parada sem conseguir chegar a lugar algum.”
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Raquel Núbia