Você tem valor

Uma das coisas mais importantes que devemos saber de nós mesmos é o nosso valor, o quanto valemos, o quanto somos importantes e bons, independente do reconhecimento que vem de fora. Nesse momento não sei dizer exatamente se isso se encaixa em ter autoestima, porque o que quero dizer é de sabermos o que e quem somos mesmo quando todo o mundo tenta nos convencer do contrário, quanto tudo e todos nos questionam.
O reconhecimento é uma das grandes fontes de estímulo para nos sentirmos motivados, a falta dele pode nos impactar grandemente, principalmente quando o desdém, o questionamento vem de onde achávamos que teríamos apoio e gratidão.
Quando o mundo ao redor zomba de nós e nos mostra pela força e autoridade do poder que, aos seus olhos, não temos sangue nobre, que nos misturamos à mesma categoria daqueles que são comuns, medianos, ainda que nossos resultados e comportamentos mostrem o contrário, nesse momento precisamos nos recordar que temos valor, que somos preciosos.
Em resumo, sem palavras bonitas, existe muita gente ruim no mundo, sem ética e inseguras, que precisam se provar pela diminuição do outro, pelo “crescimento” de qualquer jeito ainda que custe a paz ou o bem estar do outro.
Essas pessoas tendem a sugar nossa energia, nos fazer questionar nossa jornada, nossa vontade de continuar, trazem o sentimento de aprisionamento e subjugação por nem sempre encontramos saídas ou opções que nos tirem de onde estamos e assim ficamos sujeitos ao querer de quem não tem limites para o que deseja.
Nessa hora precisamos entoar um mantra constante até que possamos reaprender e acreditar novamente que o que sentimos é prioridade, que o que fazemos é importante e que nós somos joias raras e que, ainda que não nos seja dado, o tratamento condizente por terceiros, nós precisamos nos tratar de acordo com o valor que temos.

Raquel Núbia

2019-09-05
Foto: Raquel Núbia. Muriaé/MG
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Relembrando: Déjà Vu

Dos meu sentimentos, o mais conhecido…

déjà vu

Déjà Vu

Tem dia que parece que nasce com cara de passado.
Com cheiro de ontem
e com passarinho cantarolando música repetida…

Tem dia que nasce com cara de lembrança.
Com cores de outra hora
e com parágrafos e pontos de história vivida.

Tem dia que nasce com vento soprando o céu frio.
Com jeito de câmera lenta
e com sons que despertam de dentro da cabeça.

Tem dia que parece reviver de outro tempo.
Com reprises da vida
e com memórias despertas até que adormeça.

Tem dia que nasce turrão e antigo.
Com o rosto conhecido
e com o elo forte que mostra passado e presente unidos.

Tem dia que começa com jeito de monotonia.
Com a mão estendida
e com os braços abertos para melancolia.

Tem dia.”

Raquel Núbia

Relembrando: Para um amigo

O que nos restam são lembranças…

para um amigo

Para um amigo

Quando alguém que conhecemos morre, não se acaba somente o corpo.
Quando alguém que conhecemos morre, leva consigo um pedaço da gente, um pedaço da nossa história, das nossas memórias, um pedaço do caminho que nos fez chegar onde estamos.
Quando alguém que conhecemos morre, parte de nós também morre junto. Conversas, momentos, brincadeiras, sonhos que compartilhamos somente com aquela pessoa, tudo se vai também.
É como se uma parte importante da nossa vida fosse recortada… Recortada mas não apagada.
A gente fica triste pela saudade que sente, mas se entristece também por pensar quanta vida ainda existia naquela pessoa que se foi… Quantas coisas ainda pra fazer, quantos planos pra colocar em prática, quanto amor…
A gente chora por saber que não vai mais se esbarrar ou esbarrar sem querer nas notícias que sempre chegam das realizações que aconteciam… Carreira, projetos malucos, aventuras, o nascimento do filho…
Que loucura imaginar que alguém que mudou tanta coisa no passado de tanta gente, não vai mais existir no nosso futuro.
Mesmo que a companhia não seja constante nos dias de hoje, a companhia vivida nos dias de ontem não será esquecida.
Não será substituída.
Na vida a gente nasce e morre várias vezes, talvez com a morte de alguém querido, seja hora de morrermos juntos para nascer novamente.”

Raquel Núbia

Relembrando: Dejavú

dejavú

Dejavú

Hoje acordei com cara e gosto de ontem…
Sabe quando parece que o dia guarda um monte de coisa, mas na verdade essas coisas todas já aconteceram lá no passado? Uma viagem, um passeio, qualquer atividade… Não sei explicar direito, mas estou com essa sensação desde ontem a tardinha e hoje ela permaneceu.
Não sei se é o fato do sol estar entrando frio pela varanda da sala, com esse ventinho que lembra a gente que apesar do céu azul, o que domina é o tempo frio e tempo frio já sabe, né?
Dias claros me transportam, pequenos momentos me transportam… Conversas…
Realmente creio que não estou sabendo me fazer entender, mas precisava dizer, depois de meses sem escrever por aqui (e em qualquer outro lugar), hoje até essa vontade apareceu latente.
Enfim.
Acho que é comum esse tipo de sentimento. Não chega a ser uma nostalgia, é apenas como se o dia estivesse se repetindo, mas não está. É como se você acordasse em um dia do passado, com as mesmas características de outra época que você viveu, só que ao invés de fazer o que você fazia, você fará novas coisas, bem diferentes do que te trouxe a memória.
A vida passa. Muita coisa muda. As pessoas seguem seus caminhos de acordo com suas prioridades e não é preciso se comparar para saber se está bem ou satisfeito com o que se tem, pois cada um busca aquilo que acredita ser melhor para si e nem sempre esses interesses colidem entre as pessoas. Talvez por isso mudamos nossas companhias e quem queremos do nosso lado, pois buscamos aqueles que compartilham dos nossos desejos e nos ajudam a alcançá-los.
O dia pode ter acordado com sensação de passado, mas é o presente e o futuro que me guarda os maiores e melhores dias.”

Raquel Núbia

Relembrando: Dias de hoje

Publicada há dois anos aqui, infelizmente não creio que depois de tanto tampo essa crônica seja menos atual…

dias de hoje

“Dias de hoje

Parada na porta do meu prédio esperando minha carona quando um rapaz se aproxima. Coloco o telefone na bolsa e dou dois passos pra trás, pois o portão está aberto. Ele continua andando na minha direção e diz: ” A senhora me arruma um pouquinho de arroz e feijão? Não precisa se assustar não que eu não sou ladrão.” Triste.
Se a gente para pra pensar, sente o peito diminuir e inicia um questionamento que parece que não tem fim sobre tudo o que nos cerca. Sobre o por que das coisas estarem como estão, sobre o por que de tudo ter chegado onde chegou e, principalmente o que nós, tão pequenos indivíduos poderíamos ou ainda podemos fazer pra reverter, se é que há alguma coisa a ser feita.
A gente sente medo e nem sabe mais do que.
A gente se compadece mas nem sabe mais por quem.
A gente vive e nem sabe mais por que…”

Raquel Núbia

Relembrando: Meu lugar

meu lugar

Meu lugar

Toma.
Eu te empresto o meu lugar,
Se é disso que você precisa.
Pode vir quando quiser.
Vem em segredo, nem avisa.

Toma.
Eu te empresto o meu lugar.
Se é isso que você deseja,
Entra, senta e desfruta,
Mesmo que eu não esteja.

Toma.
Eu te empresto o meu lugar.
Se minhas águas são espelho
Olhe e reflita muito,
Mas segue esse meu conselho.

E toma…
Pode andar por todo ele.
Pode sorrir, chorar e ter memórias.
Pode guardar lembranças
E construir novas histórias.

Mas não se esqueça,
Que é somente emprestado.
Esse lugar que em sonho é seu,
É meu e jamais lhe será dado”.

Raquel Núbia

Relembrando: O mentiroso

Tantas formas de amar, mas ultimamente a que está mais em uso é amar sem se comprometer. Com inúmeras justificativas, tantos compromissos, afazeres, colocamos até mesmo a responsabilidade do nosso ato de amar sobre o outro…

o mentiroso

“O mentiroso

Me desculpe se sou a portadora de más notícias, se após ler esta crônica escrita as pressas sua visão de mundo ficará menos sonhadora e mais pessimista, mas preciso contar-lhe uma verdade: Michael Jackson mentiu para você.
Você se lembra de uma certa vez que ele te disse:
“Você não está sozinho, eu estou aqui com você. Mesmo que você esteja longe, eu vim para ficar. Você não está sozinho, eu estou aqui com você. Mesmo estando separados, você está sempre no meu coração. Você não está sozinho.”
Pois então: Liar, liar, pants on fire!

“Você não está sozinho, eu estou aqui com você”
Sim. Você e eu e todos os demais estamos sim sozinhos. Os outros que estão aqui para ficar, estão somente até o ponto e vírgula que separa o que nós precisamos e o que eles estão dispostos a dar. Tudo isso junto ao sentimento irrefutável de que se qualquer pessoa fez algo por você, ela cobrará mais tarde, mesmo que seja numa frase solta apenas para “reforçar” que não está esperando nada em troca.

“Mesmo que você esteja longe, eu vim para ficar.”
Não. Elas não estão para ficar. Acredito até que a permanência realmente seja o desejo delas e que, em algum momento, elas realmente tiveram fé de que isso aconteceria. Mas, não se engane, as pessoas sempre vão partir.

“Você não está sozinho, eu estou aqui com você.”
Volte ao segundo parágrafo.

“Mesmo estando separados, você está sempre no meu coração.”
Qual o tamanho da conveniência de quem te ama “separado” mas dentro do coração? Nosso mundo atual criou a melhor forma de amar. Aquela que se limita ao “estou longe mas estou aqui, se precisar de mim, me chame”. Sabe, eu não preciso que me levem nos corações. Seria bem melhor se esse lugar no coração fosse expresso em atitudes e que a distância da separação não fosse encarada como algo definitivo consertado por um espaço fictício dentro de um orgão que bombeia sangue.

“Você não está sozinho.”
Sim. Você está, meu caro.
Por isso ame, se importe, se doe, seja caridoso, faça o bem, lute por alguém… Mas sem jamais se esquecer de que o nosso rei do pop nos pregou uma peça e vem cantando repetidamente uma mentira grotesca em nossos ouvidos carentes e sedentos por um porto seguro.

Ao contrário do que costumamos dizer, essa é uma mentira que não tem perna curta. Mas eu te empresto a minha tesoura para que hoje, após ler minhas palavras azedas, você corte esse mal pela raiz.”

Raquel Núbia

Sobre as incertezas no caminho

A grande verdade é que, nessa vida, a gente tá sempre tentando acertar, tentando fazer a coisa certa, tomar as decisões corretas que nos ajudem a chegar onde precisamos, que evitem o nosso sofrimento ou daqueles que amamos.
Mas outra grande verdade é que, em grande parte das vezes ou, pelo menos em algumas delas, não temos a menor ideia do que estamos fazendo e apenas seguimos em frente na esperança de estarmos fazendo o melhor, torcendo pra que tudo dê certo e termine bem no final.
Se fortalecer nesse processo pode ser difícil e podemos nos sentir sensíveis, frágeis… Suscetíveis ao dizer e fazer dos outros. Esse processo pode ser cansativo, desgastante, mentalmente desafiador e nem sempre vamos nos manter confiantes e fortalecidos o tempo todo, mas percorrer o caminho é necessário, mesmo sem a certeza de quando haverá uma linha de chegada, nem sequer tendo a certeza de que essa linha existe.
É preciso ter bom ânimo e nisso tudo é preciso também aprendermos a contar com a gente mesmo acima de tudo e de todos.

Raquel Núbia

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Foto: Raquel Núbia. Muriaé/MG

 

Relembrando: Faz de conta

faz de conta

Faz de conta

Tem hora
que a gente finge ser adulto,
em que a gente fica gigante,
se finge de gente grande.

Tem hora
que a gente esmaga os problemas
E o que mais aparecer,
que fica fácil resolver.

Tem hora
que a gente comanda toda vida.
que a gente é rei e rainha
e nem vê que ta sozinha.

Mas…

Tem hora
que a gente desaparece
e até se esquece
do adulto que quis ser.

Tem hora
que a gente se desespera
e fica na espera de,
quando tudo passar, crescer.”

Raquel Núbia