Canção do dia triste

Tem dia que o que a gente quer
É tirar do peito tudo o que puder.
E sentar e chorar largado feito criança,
Esvair no choro a desesperança.

Tem dia que a gente tem necessidade,
Desidratar o corpo e alma com alarde,
De transpor em lágrimas o que guarda o coração,
Quando o cristal intacto caiu no chão.

Tem dia que a gente fala sem dizer.
E o corpo sente o desalento de viver.
O peito grita sem emitir som
A saudade do que, um dia, já foi bom.

Tem dia que a dor que vem, dói de repente.
Dói no todo, sem parte da gente.
Dói na carne, dói no osso e dói na alma,
De um jeito que nem oração acalma.

É…

Tem dia que o que a gente quer
É tirar do peito tudo o que puder.
E sentar e chorar largado feito criança,
Esvair no choro a desesperança.

Raquel Núbia

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Foto: Nayara Goulart – IG: @nayintensegirl

Relembrando: Sobre ser folhas ao vento

sobre ser folha ao vento

Sobre ser folha ao vento

Tem dia que a gente acorda num lugar querendo estar em outro. Sente falta do sol, do tempo, do vento frio e das outras ruas por onde já caminhamos. Das esquinas diferentes, dos bom dias dos estranhos que nunca mais vimos… É uma saudade de algo que nem se tem certeza de que se viveu. Eu gosto de ter raízes, mas também preciso me sentir como a folha solta que o vento leva… “

Raquel Núbia

Relembrando: Altos e baixos

altos e baixos

Altos e baixos

Às vezes é difícil falar sobre nossas dificuldades, sobre os momentos em que nosso ânimo rebaixa e que a gente se cansa. Quando pensamos em escrever, expor ou compartilhar, pensamos também na reação do outro, de quem vai ouvir/ler nosso relato.
O que vão pensar?
Será que vão se regozijar?
Estranho pensar assim, mas sabemos que existem pessoas que ficam no aguardo, mesmo que todos nós tenhamos altos e baixos, apenas observando.
Ou… Isso é só uma cisma da nossa própria cabeça que, cansada, começa a se perder em devaneios e abrir espaço para aqueles pensamentos que precisam ser controlados, pois são poderosos, tanto os bons quanto os ruins.
A gente pode ficar cansado, pode se sentir desgastado, vez ou outra a gente se abate e tudo bem. É até preciso que tenhamos esse momento para absorver o que nos aflige, penas no que sentimos para podermos elaborar, ressignificar e encontrar alternativas e saídas, formas de voltarmos ao nosso estado normal.
E tem hora que o que a gente precisa é só de um tempo mesmo, um tempo para nos afastarmos, darmos um passo pra trás para respirarmos, tomarmos um fôlego para conseguirmos ter um novo impulso para, aí sim, conseguirmos dar um salto maior e melhor.”

Raquel Núbia

Relembrando: Das convenções do cotidiano

das convenções do cotidiano

Das convenções do cotidiano

Desde que engravidei tenho tido muitos aprendizados sobre coisas que ninguém fala a respeito da gravidez em si. Geralmente o que a gente escuta se refere às maravilhas das experiências de gestante e de como todos os obstáculos valem a pena quando seu bebê nasce.
Mas… Não é bem assim. E algumas situações que tenho vivido demonstram bem como algumas pessoas tem a tendência de romantizar situações que são ruins como se isso enaltecesse o fato de termos conseguido supera-las, como se somente sofrendo fôssemos capazes de ser recompensados, como se não houvesse “final feliz” sem um caminho tortuoso e que esse caminho é justificável, afinal do outro lado nos espera uma grande realização.
Eu discordo totalmente!
Outro dia me disseram que sentirei falta dos enjoos e vômitos diários pelos quais passei nos três meses de gestação. Me desculpe, mas não sentirei não!
Me disseram que as dores nas costas são apenas um sinal de que o bebê está crescendo… Eu sei, mas essas dores doem!
O que é ruim é real e eu não vejo motivos para amenizar o que me incomoda como justificativa para ser feliz ao final dos 9 meses. Tem muita coisa boa nesse processo, muita mesmo! Mas tem muita coisa ruim também…
Essa romantização tende a nos fazer aceitar situações que não precisamos aceitar e esses exemplos que citei acima relacionados a gestação são apenas um recorte.
Nos dizem que aceitar mal humor do chefe é normal, que nos submeter a tradições familiares com as quais não concordamos é normal… mas não é. Não é normal, sofrer pelos desajeitos do namorado, dos pais. Não é normal sentir dores de cabeça, nas costas, tomar remédios para suportar a ansiedade e a pressão do trabalho. Simplesmente não é.
Não podemos crer que seja. Precisamos saber o valor e o custo real das coisas e das situações para não nos subordinarmos ao que é desnecessário e ao que custa nossa saúde física ou mental.
Analise.
Preste atenção.
E não se submeta.”

Raquel Núbia

Relembrando: Indiferença

indiferença

Indiferença

Um dos sentimentos que mais me aborrecem e que menos gosto de ter é aquela sensação de deixar de admirar alguém… Quando algo se quebra, se apaga. Você olha a pessoa e simplesmente não consegue mais sentir aquele encantamento anterior. Ela simplesmente não te diz mais nada. Saiu do patamar e pessoas especiais e caiu naquele de mais uma pessoa do seu cotidiano.
Eu tento respeitar todos ao meu redor, mesmo que sejam pessoas das quais eu não goste pessoalmente, porque não conheço todas as suas lutas mas sei que estas lutas existem, assim como existem pra mim. Mas admirar, são poucas, não é mesmo?
Alumas por sua postura, outras por seu empenho, inteligência… Admiro pessoas nas quais me espelho…
E, de repetente, sentir que aquela ou aquelas pessoas que você admirava não são dignas do seu sentimento deixa a gente um pouco vazio por dentro. Faz a gente repensar em quem devemos colocar nossos esforços e quem realmente vale nossa atenção. É um eterno recomeço e aprendizado. Colocar nossa energia somente onde ela é necessário e não perder nosso tempo e sentimento com pessoas tão voltadas a si mesmo.
Isso é uma coisa que a gente precisa ter em mente. Não se trata de dosar expectativas, se trata de saber que se não te atribuem o valor que você merece, também não são dignos de serem valorizados por você.
Precisamos saber nosso lugar, ao que pertencemos e aí sim dosar o que oferecemos a quem não compartilha disso tudo com a gente.”

Raquel Núbia

Relembrando: Antecipação

Às vezes a gente passa tempo de mais lutando contra o que é inevitável ao invés de buscar novas formas de encarar o que não podemos mudar. Nem sempre temos o poder de alterar o que nos acontece, mas o poder é todo nosso quando se trata de como encaramos as circunstâncias da vida e o que fazemos com elas.

antecipação

Antecipação

Um dos melhores sentimentos que se pode ter é aquele que vem da vontade simples e despretensiosa de aproveitar o dia e tudo o que ele nos trouxer. Aquele desejo de cumprir com o que há para fazer, da melhor forma possível, buscando melhorias e tentando satisfazer plenamente os objetivos que estão traçados, dos menores aos maiores.
E faço questão de frisar a palavra “tentando” para que possamos nos lembrar de que todo esforço é válido na busca das nossas realizações e, mesmo quando não há o sucesso integral, saber que fizemos tudo o que estava ao nosso alcance pode ser reconfortante e uma fonte importante de energia para tentar novamente.
Há de se considerar sempre a intenção com a qual realizamos as coisas e nos comportamos. Mas é preciso ter cautela para não nos escondermos por trás disso, principalmente quando cometemos algum erro ou prejudicamos alguém, pois a intenção das nossas ações tem muito poder.
Sendo assim, vamos tentar fazer sempre o nosso melhor, nos colocarmos em paz conosco e com as decisões que tomamos. Desejar o que os dias nos trazem e nos adaptarmos, lidando prontamente com o que não desejamos, mas temos que lidar.
Vamos cultivar esse sentimento, essa sensação de estar de peito aberto para desfrutar da vida com seus dias de sol e com seus dias de chuva.
Estar bem com e gente mesmo nos permite isso.
Vamos tentar?”

Raquel Núbia

Relembrando: Poema dos 60 versos

Daqueles poemas que a gente escreve sem perceber o tamanho do fluxo de pensamentos, até que se depara com versos intermináveis que poderiam ser ainda mais infinitos frente a enormidade do sentimento.

poema dos 60 versos

Poema dos 60 versos

Não fica assim, tão tristinha
acha que tenho lembranças suas
mas é você que tem lembranças minhas.

E não, você não é mais uma menina
e tão pouco, sou eu!
por que se esconde no presente
do que, no passado, aconteceu?

Cresce! Seja real!
Já não há normalidade
entre o que diz e o que faz,
entre suas mentiras e a verdade

Todo mundo tem seus demônios
Todo mundo guarda feridas…
O que você viveu não é nada demais!
É simples. É apenas a vida.

Você sabia que ela acontece?
e que as pessoas seguem os seus caminhos
e normalmente, deixam pra trás
quem os deixou seguir sozinhos?

Não seria essa a melhor opção?
e, se não for, que pelo menos seja genuína
e não se esconda por trás de sorrisos
e de uma aura que não combina.

Mas não se iluda, não engane a si mesmo
a sua imagem é memória solta que vai e vem, sempre a esmo.

Não se convença de que você
tem residência em outro pensamento,
você força sua presença
mas esvanece num só momento.

E o pensamento que lhe condiz
não é de quem você tanto mendiga
pois a quem, um dia, deu seu amor
tem asco e desdém, é náusea antiga.

Se estivesse perto certamente saberia…
e as gargalhadas e gozo ouviria.

Mas a presunção,
te prende num mundo que gira ao seu bel prazer,
enquanto o mundo de outros gira independente de você.

E sempre que alguém relata sua auto piedade,
a descrença é presente, pois não há sanidade.

Veja só quantos são os versos
e poderia continuar,
num poema que não tem fim,
que diz tudo o que quero falar.

Sei que minhas palavras ao vento são migalhas,
que te alimentam e recompensam a sua loucura.
Mas, sinceramente não me importo.
Se alimente delas e as tempere com sua amargura.

Pra quem tanto falava em consciência pesada,
congratulações pela postura fracassada!
Pois aos meus olhos e aos de quem você chama de amigos,
são os seus pensamentos seus piores inimigos.

Recolhe os pedaços do seu coração,
e tenta andar sem olhar pra trás,
pois a vida que vivem aqueles que odeia,
certamente não lhe trará paz.

Não existe essa história de vida perfeita!
basta saber o que fazer com as decepções
E pode jogar praga e pode agourar,
Jamais vai tocar nesses dois corações.”

Raquel Núbia

Relembrando: Eu não choro mais

eu não choro mais

Eu não choro mais

Eu não choro mais.
Desaprendi a chorar.
Hoje recolho dentro do peito
O que os olhos costumavam derramar.

Eu não choro mais.
Aprendi a transformar.
Hoje liberto em palavras
O que costumava me aprisionar.

Eu não choro mais.
Desaprendi a me mostrar.
Hoje transpareço em nitidez
O que costumava me derrotar.

Eu não choro mais.
Mesmo em sentimento intenso,
Nenhuma lágrima me traz,
só porque:
eu não choro mais.”

Raquel Núbia

Sobre ser forte e se sentir sozinho

Quando a gente cuida de todo mundo, quem é que cuida da gente?
Quando é a nós que as pessoas recorrem e de nós que se espera que a solução apareça, quem soluciona as nossas questões e a quem podemos recorrer?
Quando nosso trabalho é ser a referência e nortear as pessoas nos momentos em que elas estão perdidas, quem é a referência que nos mostra o caminho e nos ajuda a nos reencontrarmos?
Tem hora que as pessoas ao redor parecem se esquecer de que, assim como elas precisam de alguém, nós também precisamos. Às vezes com menos frequência, menos urgência, mas com igual importância. A falta de suporte, de reconhecimento, esgota e pode exaustiva e nem mesmo o mais motivado dos sujeitos consegue suportar a solidão das lutas diárias.
Em alguns momentos parece que nos tornamos invisíveis enquanto pessoas e o que é visto são somente nossos resultados sem conhecimento de todo o resto. O que é visto é somente a persona e não interesse na pessoa em si.
Espera-se que sejamos, que façamos, que superemos, que consigamos dar conta de tudo, mas não vem ao caso o que sentimos, o que pensamos e como reagimos, aos olhos dos demais isso não é interessante. Freud nunca esteve tão certo… “somos de carne, mas temos que viver como se fôssemos de ferro”.

Raquel Núbia

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Foto: Raquel Núbia – Muriaé/MG

Você tem valor

Uma das coisas mais importantes que devemos saber de nós mesmos é o nosso valor, o quanto valemos, o quanto somos importantes e bons, independente do reconhecimento que vem de fora. Nesse momento não sei dizer exatamente se isso se encaixa em ter autoestima, porque o que quero dizer é de sabermos o que e quem somos mesmo quando todo o mundo tenta nos convencer do contrário, quanto tudo e todos nos questionam.
O reconhecimento é uma das grandes fontes de estímulo para nos sentirmos motivados, a falta dele pode nos impactar grandemente, principalmente quando o desdém, o questionamento vem de onde achávamos que teríamos apoio e gratidão.
Quando o mundo ao redor zomba de nós e nos mostra pela força e autoridade do poder que, aos seus olhos, não temos sangue nobre, que nos misturamos à mesma categoria daqueles que são comuns, medianos, ainda que nossos resultados e comportamentos mostrem o contrário, nesse momento precisamos nos recordar que temos valor, que somos preciosos.
Em resumo, sem palavras bonitas, existe muita gente ruim no mundo, sem ética e inseguras, que precisam se provar pela diminuição do outro, pelo “crescimento” de qualquer jeito ainda que custe a paz ou o bem estar do outro.
Essas pessoas tendem a sugar nossa energia, nos fazer questionar nossa jornada, nossa vontade de continuar, trazem o sentimento de aprisionamento e subjugação por nem sempre encontramos saídas ou opções que nos tirem de onde estamos e assim ficamos sujeitos ao querer de quem não tem limites para o que deseja.
Nessa hora precisamos entoar um mantra constante até que possamos reaprender e acreditar novamente que o que sentimos é prioridade, que o que fazemos é importante e que nós somos joias raras e que, ainda que não nos seja dado, o tratamento condizente por terceiros, nós precisamos nos tratar de acordo com o valor que temos.

Raquel Núbia

2019-09-05
Foto: Raquel Núbia. Muriaé/MG