Sobre o pôr do sol de cada dia

O fim de tarde sempre foi um momento desafiador pra mim, o findar do dia, a cor alaranjada que costuma riscar o céu, o cheiro de rua movimentada no fim da tarde, o transformar gradual da luz, quando cai a noite e nos avisa que mais um dia passou, acabou. Um dia que jamais teremos de volta, seja para o bem ou para o mal.
Quando o vento do outono ainda faz sua participação especial, soprando fresco, por vezes frio, emoldurando essa passagem vespertina, o sentir se torna ainda mais pesado. Talvez eu seja mesmo apegada às estações e me sinta incapaz de desvencilhar minhas memórias dos tons e cheiros que elas me trazem.
O início da noite, atualmente, tem sido apenas um lembrete de que o dia que está por vir se repetirá em sua totalidade, seja cercada pelas paredes de casa ou pela imensidão do trabalho, a certeza é de que pouco ou nada sairá dos eixos e essa repetição torna esse encerramento das horas ainda mais angustiante.
Parece que me sinto implodir em silêncio, pois o que me rodeia não me permite nem mesmo gritar, seja literal ou figurativamente. Me sento de costas para a varanda, fingindo não perceber que o céu já está trocando de cor e mentalizando que são apenas pensamentos que daqui a pouco se vão distraídos pelos afazeres que em minutos preencherão o que o relógio chama de noite.
Nesse recorte solitário, nostálgico e com gotas de tristeza, me deixo desvanecer, pois a força necessária para estar sempre bem, também parece ir embora quando o dia acaba.

Raquel Núbia

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Foto: @raquel__nubia – Muriaé/MG

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