Relembrando: Aleivoso

Tem hora que dá vontade de entrar dentro da tela (seja do computador ou do telefone) pra ir viver essa vida que é postada e divulgada… Pular pra dentro das fotos saturadas e dos feeds perfeitos, dos stories “espontâneos” e ser a personificação da plenitude estampada nessas redes que estão mais para teias e nos prendem como uma presa quando menos percebemos…

aleivoso

Aleivoso

Sei lá…
De repente,
todas as pessoas parecem iguais.
Em fotos e sorrisos tão irreais.
Transparecendo tão desbotadas,
em olhos vibrantes o desejo
do que quer ser.

Sei lá…
De repente,
fica tudo sem graça.
E não importa o que eu faça,
transborda um incômodo
dentro do peito e uma vontade
desaparecer.

Sei lá…
De repente
o errado sou eu.
Por me lembrar do que já se perdeu,
transportando o que eu vejo
para um lugar aonde as pessoas
não estão mais.

Sei lá…
De repente
ninguém está errado.
Só está cada um para um lado,
transmitindo o que acham
que sentem ou devem sentir
e isso satisfaz.

Sei lá…
De repente
não saber é o que resta.
E a vida do outro seja somente festa,
transpassando em uma linha de tempo
que é apenas
inacreditável.

Sei lá…
De repente
a cabeça pode não lembrar.
E dará um tempo para descansar.
Transformando todas as imagens,
sorrisos e olhares que vejo,
em um monte de lixo:
irrecuperável.”

Raquel Núbia

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2 comentários em “Relembrando: Aleivoso

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