Dias de hoje

Parada na porta do meu prédio esperando minha carona quando um rapaz se aproxima. Coloco o telefone na bolsa e dou dois passos pra trás, pois o portão está aberto. Ele continua andando na minha direção e diz: ” A senhora me arruma um pouquinho de arroz e feijão? Não precisa se assustar não que eu não sou ladrão.” Triste.
Se a gente para pra pensar, sente o peito diminuir e inicia um questionamento que parece que não tem fim sobre tudo o que nos cerca. Sobre o por que das coisas estarem como estão, sobre o por que de tudo ter chegado onde chegou e, principalmente o que nós, tão pequenos indivíduos poderíamos ou ainda podemos fazer pra reverter, se é que há alguma coisa a ser feita.
A gente sente medo e nem sabe mais do que.
A gente se compadece mas nem sabe mais por quem.
A gente vive e nem sabe mais por que…

Raquel Núbia

Muriaé (2)h
Foto: Raquel Núbia – Muriaé/MG
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23 comentários em “Dias de hoje

  1. O nosso medo é consequência da perda gradativa dos valores humanos, da consciência coletiva no meio social por diversas razões entre elas a valorização do individualismo, por exemplo, da informação fragmentada que impede o raciocínio crítico e poderia ficar listando mais motivos. Tua reflexão é sensível e mostra que podemos sim continuar tentando fazer deste mundo um mundo com vida melhor. O meu abraço.

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  2. Sim, vivemos num mundo em que a desigualdade está sempre presente, e junto com ela, a desumanização das pessoas. Eu fico muito triste e revoltada com essas situações, e me sinto muito impotante. Muito triste.

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      1. Sim! Na minha última viagem, pra São Paulo, me assustei com a quantidade de gente morando na rua e com a reação de mais medo que eu das minhas amigas.

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  3. Triste.
    Esse sentimento as vezes me domina também.
    Sinto como um, não poder fazer nada ou fazer o mínimo mesmo sabendo que não vai resolver a situação. Ou vai, naquele momento, naquele minuto e depois lá na frente, seremos novamente dominados pela mesma situação de impotência talvez, em relação a um outro momento, a uma outra pessoa ou quem sabe a mesma.
    As vezes, sinto o coração pesado e aí eu choro.
    Por tudo e por nada.

    Por um momento parece que a gente se sente sem força, sem opção. .. Sem chão.

    Ainda nos resta um pouco de empatia né Raquel, aí, seguimos em frente! =).

    Beijo.
    Até.

    Curtido por 1 pessoa

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