Pueril

rPor que a gente tem que crescer?
Eu não me lembro de, quando ainda criança, querer ser adulta… Já adolescente eu fazei muita coisa que queria fazer. Não esperada “crescer” para alcançar nada em especial e hoje, já mulher feita, sinto alguns dias a vontade e a saudade da tranquilidade de outrora.
Do sábado de manhã na cama, ouvindo a máquina de lavar roupa rodando lá na área. Da lasanha de domingo ficando pronta sempre na mesma hora. Da sopa de macarrão pra curar gripe…
Hoje, se o corpo doi com resfriado, é esse mesmo corpo que tem que ir atrás do remédio e do copo de água… E a sopinha vai ficando pra outra hora…
Eu sei que por um período de tempo fui mal acostumada, eu confesso, mas quem é que não gosta de uma mordomia, não é?
Hoje eu tento não esperar esse cuidado de outros… Ninguém cuida da gente como a nossa mãe e às vezes esse cuidado não cabe mais.
Mas tem aquele dia que a gente tá com aquela vontade de que alguém apareça e resolva nossas dores e decida nossas indecisões, como se voltássemos a ser um neném que é levado pra lá e pra cá conforme a necessidade dos pais.
Só que de neném aqui não tem nada. E se a gente mesmo não se levante e vai, ninguém se levanta e vai por nós.

Raquel Núbia

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Foto: Raquel Núbia
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4 comentários em “Pueril

  1. Você apenas descreveu tudo que eu sinto sobre “crescer”. Mas, no meu caso, eu sempre tive essa sede de crescer logo, de ser livre e independente. E que falta me faz essa sopa pra gripe, essa lasanha de domingo e esses cuidados que não existem mais. Sempre que fico doente, fico triste também, por não ter alguém que se preocupe, que faça remédios naturais que são capazes de cuidar qualquer coisa.
    Vontade de voltar no tempo? Tenho todos os dias!

    Curtido por 1 pessoa

    1. Ei Letícia,
      Tem hora que fica difícil mesmo, não é?
      E a gente se sente mesmo meio sem amparo, mesmo que tenhamos uma rede de suporte, por vezes sentimos que falta “aquele” cuidado maior, e pra mim “aquele” cuidado me remete muito a infância e à sensação de ter alguém que fará de tudo por você e que sempre saberá como te confortar quando você estiver prestes a desistir. Mas, depois que a gente cresce, nem a gente mesmo quer passar esse tipo de responsabilidade pros outros e acaba juntando tudo pra gente. Pelo menos é assim comigo…
      Não dá pra ficar esperando que o outro vá atender à nossa necessidade, mas se lembrar disso constantemente pode ser cansativo…
      Fico feliz que tenha gostado da crônica e agradeço por compartilhar seu comentário.
      Abraço!

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  2. Pingback: Relembrando Pueril

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