Estouro

Quem, por vontade própria, deseja se apaixonar?
Entregar o peito aberto para outra mão cuidar.
Colocar o coração pulsando sem nada a proteger
E esperar que nada de mal irá lhe acontecer.

Quem, em consciência, opta por essa insanidade?
De se deixar exposto em toda sua fragilidade.
Revelar profundamente o que sempre foi guardado,
Se mostrar inteiramente, de um modo inesperado.

Qual o tamanho dessa loucura?
Que tantos outros estão a procura.
Entregar a arma que pode tirar a vida
E confiar que quem a guarda é uma mão amiga.

Qual o sentido desse sentimento?
Que de tanto senti-lo se faz tormento.
É estar nua de todas as defesas.
Deixar n’outro domínio, alegria, tristezas.

Quem por vontade própria, deseja se apaixonar?
E se já entrelaçado, como se desvencilhar?
O peito que pulsa, insano, sem proteção.
Esperando cuidado do outro… Pobre coração.

Estouro

Raquel Núbia

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