Tua Mão

Eugene-Boudin-Rough-Seas
I

De repente o vento se tornou mais forte,
e a terra me engoliu me mastigando
com todos os seus dentes.
E a cada mordida da terra,
um pedaço meu se esvaía…
e eu nada podia fazer…

De repente o mar se tornou agitado
e suas águas me jogaram pra todos os lados,
e a cada queda eu me afogava,
sendo tragada por aquelas águas salgadas.
E eu nada podia fazer.

Eu sentia o sal na minha pele,
muito mais que isso,
havia sal na minha alma.
E o vento bagunçava meus cabelos
e por mais que eu tentasse,
não mais me segurava.

II

Já não havia mais a tua mão,
que me acolhia segurando,
afastando o medo e me retirando
das águas profundas
que me impediam de agir.

A mão que se estendeu em minha frente,
quando acreditei estar sozinha
agora se afasta lentamente,
mesmo quando perto
era ausente e eu não
sabia mais o que fazer.

Deixo que a terra me engula mais uma vez,
e que as águas traguem o que quiserem
para os seus mais profundos lares.
Sem a tua mão a me estender,
entrego-me ao destino
e aos mais profundos mares.

(Essa é uma das minhas poesias favoritas, espero que também seja a de vocês)

Raquel Núbia

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3 comentários em “Tua Mão

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