Correr

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Correr passos fortes
correr para vida.
Correr pela morte,
Correr perdida.

Correr sozinho,
correr acompanhado.
Correr na frente,
correr lado a lado.

Correr com vontade,
correr sem destino.
Correr sem idade,
correr sem caminho.

Correr no espaço,
espaço tão grande,
tão grande é o laço
e assim mesmo se esconde.

Correr mais depressa,
depressa seguir.
Seguir para frente,
pra frente fluir.

Correr sem saber,
saber não interessa.
Interessa a chegada,
e ao chegar, recomeça.

Rápido,
em frente.
Não pensa,
não sente.
Faça.
Sorria.
É a graça
do dia.

Não olhe nos olhos
ou o profundo se vê.
Se vê o profundo
não há como esconder.

Escolha as perguntas,
perguntas sem ponto.
Sem ponto as pessoas
que aumentam o conto.

O relógio marcando,
apontando a hora.
Não há o que escolher,
a escolha é agora.

Passa o dia
e já nem se vê.
Nem se vê a rotina,
rotina de viver.

Correr de novo.
De novo há direção.
Direção escolhida,
não é opção.

A mente pensa…
E pensa em parar.
Parar já não pode,
pode continuar.

O corpo exclama
e clama a calma.
A calma da mente
que mente pra alma.

Mentira tão clara,
claro que o olho vê.
Olho que finge de bobo
“pro” bobo coração não saber.

E na rapidez
dessa vida diária,
se deixa pra traz
coisas tão necessárias.

A vontade aparece,
parece despertar.
Mas há vozes falando,
falando pra se calar.

Na camisa de força,
da força do pensamento.
Mas não há saída,
não há um alento.

O sol nasce de novo
e de novo espera.
A saída do dia
e de novo uma regra:

Correr.

Raquel Núbia

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